terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Amar – a responsabilidade que é viver – a escolha

Viver e estar encarnado como Ser Humano é uma oportunidade única de não apenas sentir, pensar e falar, mas principalmente exercer e fazer o Amor se concretizar.

Ter a questão existencial da escolha - do livre arbítrio como uma dádiva, uma graça divina - é uma responsabilidade a qual devemos fazer jus, explorando o máximo de nosso potencial, abandonando nossa vidinha ‘em-si-mesmada’ para viver a Vida em toda sua plenitude através do poder do Amor.

Devemos assumir esta responsabilidade e não deixá-la na mão de ninguém, nem de Deus. As pessoas tendem entregar tudo a Deus e se esquecer da responsabilidade máxima do livre arbítrio, daquilo que nos faz sermos o que somos: nossas escolhas.

Deus não serve apenas para ouvir nossas confissões ou nos consolar; seria muito pouco para um Todo-poderoso. Por que não se espelhar em suas qualidades – existentes ou projetadas, não importa – ao invés de lhe praticamente exigir sua piedade, quando não repulsado por uma extrema arrogância egóica? Os extremos demonstram a fraqueza do desequilíbrio homogêneo: ou todo submissão ‘mesmizificada’ ou todo insolência individualizada; isto quando não somos nem totalmente parte de um grupo homogêneo, tampouco somos indivíduos heterogêneos, quando não somos nem ego, nem não-ego, para não deixarmos de fora uma abordagem budista. Amor é o caminho do meio que tudo converge.

Devemos Amar e assim nos tornarmos Amor e unos; afinal, Deus não é Amor? Como querer se harmonizar com o divino – o extrínseco, o intrínseco e o secreto – se não estamos dispostos a Amar de verdade, se temos medo de sairmos de nós mesmos em direção ao outro? Como faremos parte do Todo? Como tornarmo-nos plenos, fortes e isentos da necessidade de piedade?

Amar é para os fortes. Amar é nada temer, tudo aceitar e trabalhar para melhorar a partir do ponto em que tudo se encontra. Não é conformismo, pelo contrário, é a via possível de transformação. É a divinificação do humano, a união superior, é o entendimento do que é possível e a viabilização do impossível. É a formação do Homo amabilis, do Übermensch.

Ser Amor é trabalhar em prol do progresso e união de todos em um Todo. É entender que somos células de um grande organismo chamado Terra e cuja enzima salvadora se chama Amor e que nós, humanos, somos os maiores responsáveis por produzir, cultivar e aplicar.

Não há contra-indicações. A toda hora de escolha, a cada momento, pare e reflita se sua ação resultante de sua escolha traz benefício para si tanto quanto para os demais humanos, animais, plantas. Mude hábitos por Amor. Mude gostos por Amor. Simplesmente mude por Amor. Mudar é evoluir e isto é Amor; por si, pelo outro, pelo Todo.

Pois é dando que se recebe Amor. E a mudança que o mundo tanto necessita começa por cada um de nós. E mudar não é perder e sim reforçar sua essência que não é outra que Amor: surgimos de um ato de Amor, devemos viver no Amor para transcender a morte com Amor.

Guiar suas escolhas por Amor lhe torna progressivamente Amor, que dá, recebe e propaga aquilo que é a única saída para a existência de vida inteligente neste planeta Terra: o desenvolvimento sustentável do Amor.

No Amor, o sustento do verdadeiro desenvolvimento,

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fazer amor

O temporal noturno
Acorda os amantes,
Inunda o vale.

Fazer amor é natural. Por que envergonhar-se dele?

Parece simples, mas, na verdade, é um grande desafio nestes tempos complexos. Muitas outras camadas de significado foram agregadas ao sexo. As religiões o colocam em camisas-de-força, os ascetas o negam, os românticos o glorificam, os intelectuais teorizam a respeito, os obcecados o pervertem. Essas ações nada têm a ver com fazer amor. Elas vêm do fanatismo e do comportamento compulsivo. Podemos realmente enfrentar o desafio de tornar o ato de fazer amor aberto e saudável?

O sexo não deve ser usado como alavancagem, manipulação, egoísmo ou abuso. Não deve ser terreno para nossas compulsões e ilusões pessoais.

A sexualidade é um reflexo honesto de nossa personalidade mais íntima e devemos nos assegurar de que a sua expressão seja sadia. Fazer amor é algo misterioso, sagrado e, muitas vezes, a interação mais profunda entre duas pessoas. Se o que for criado for um relacionamento ou uma gravidez, o legado de ambos os parceiros será inerente a sua criação.

O que colocamos no amor determina o que obtemos dele.

Extraído da página 30 do livro 'Tao - Meditações diárias', de Deng Ming-Dao, editora Martins Fontes.

No Tao do Amor,

O azedo do Amor

Amar é entender que todo limão precisa ser adoçado, todo Ser amado.

Independente do caroço, que não deve ser descartado, mas louvado, pois representa o devir do limão, a continuidade do fruto, a eternidade do Amor pela aceitação do aparentemente não-conveniente.

Amar é contemplar o caroço do limão, realidade em extinção, perigo de uma evolução em desequilíbrio.

No Amor,

sábado, 24 de janeiro de 2009

Amor é convergência de entendimento

Amar é compreender e exercer a compreensão das forças e vontades em questão. É o campo e as regras para o múltiplo se forjar uno, a plataforma de convergência de interesses.

Portanto, lábios ao lobby.

No lobby do Amor,

A mira do Amor

Schopenhauer dizia que 'o talento atinge um alvo que ninguém atinge; o gênio atinge um alvo que ninguém vê'.

O Amor conduz o talento à genialidade, a compaixão a inteligência à sabedoria.

No Amor, a fé da alma que nos faz transcender,

Amor e o eterno devir

Vejo o Amor como sendo o motivo e o acontecimento do devir nietzschiano - 'torna-te quem tu és'.

Apenas o Amor consegue revelar a plenitude de nosso Ser, o supra-humano, e nos transformar naquilo que somos e de onde, literalmente viemos: de um ato de Amor.

Partimos do Eros, do ato erótico, e penso que nossa ascese seja peregrinar e o unir ao amor Ágape, desembocando e unindo assim ao outro lado, o outro, a Philia.

O rio é sempre outro, somos sempre outros; panta rhei (tudo flui), como diria mestre Heráclito de Éfeso, mas não trata-se disto, trata-se de cruzar o turbilhão do rio das emoções e dos impulsos das paixões - as tais forças schopenhauerianas - e chegar a outra margem. O barco é o Amor Ágape.

No Amor quae panta rhei,

Uma alegria para sempre

As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.

Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.

Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
ou que quer que te haja feito, em suma?

Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.

Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.

E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.

Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...

'A thing of beauty is a joy for ever'
-disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

Mario Quintana - Uma alegria para sempre

E não é isto o Amor? Uma alegria para sempre que me foi enviado pela irmã no dharma Tati, enquanto lhe mostrava fotos de meu querido Opa.

Na Alegria para Sempre,

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

No Amor não há espaço para desculpas

Desculpar-se por Ser - enquanto agir no espaço e no Tempo - não condiz com o Amor.

De um lado o que age não deve se preocupar em se desculpar e sim focar para levar todas as conjunturas - Todo-Eu-Outro - em consideração para agir na justa medida, com a mente-coração, trilhando o caminho do meio deste triângulo de poder TEO (Todo-Eu-Outro).

Do outro, a pessoa que recebe a ação ou apenas percebe/acompanha deve fazer isto com abertura amorosa, receptiva, ciente de que o outro, que age, o faz com a melhor das intenções: ninguém deliberadamente erra. Se o faz é devido à ignorância e aos véus que impedem de ver a si e ao Outro e ao Todo com clareza. Pede-se compaixão e amor nestes casos.

Vale seguir a máxima nietzschiana da 'Vontade de Poder': cada um tem que exercer a sua de maneira amorosa sem se sentir culpado - o que em si já é redundante, pois creio que a verdadeira 'vontade de poder', o verdadeiro poder é o do Amor.

É o que você pode, é o que você quer? É isto que, dentro do seu conhecimento de sua amplitude o seu Ser pode dar de coração? Então pronto.

Sem culpa, sem remorso, mas com verdade.

Culpa é um conceito muito católico, nem crístico é! Cristo profetizava o perdão e o Amor divino, não a culpa. Isto é um conceito histórico, posterior, e nada se liga ao Amor emanado e propagado por Jesus.

Amém ao Amor,

Amor é ciclo de valorização

Tem certas coisas que não iremos esquecer nunca.

O que precisamos é liberar a culpa, a dor e guardar o aprendizado sem rancor, aplicando o conhecimento para gerar um novo ciclo de valor.

No infinito ciclo do Amor infinito,

Nunca é demais amar

Nunca se tem amor em excesso, amar nunca é demais.

Pode ser mal canalizado, mas nunca é em excesso.

Deve ser cultivado ad eternum para transformar o ser amante em eternidade temporal e universalidade espacial.

Na iluminação do Amor,

Amor - junção de linguagens

O Amor é o elemento que soma dois monólogos abertos e convergentes em um diálogo construtivo, conferindo-lhes a abertura, a convergência e o 'drive' construtivo.

No diálogo do Amor,

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Meu Amor

É vida, aurora, sorte sem demora, lágrima furtiva de um sorriso cândido e atemporal.

Palavras que se foram com o vento e com o tempo; com ele voltaram para comprovar como se cresce em ciclos e como eu vivi este aprendizado.

No Amor sobrevivente à dor do aprendizado,

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Amor interdependente

Amor só acontece quando se evolui?

Ou só o Amor evolui?

Amor é fim ou é meio?

É preciso evoluir para se poder amar verdadeiramente; por outro lado, só se evolui quando se ama verdadeiramente: o Amor enquanto fim, mas meio também.

E esse paradoxo amoroso a prática das quatro qualidades incomensuráveis ajuda a compreender e a realizar.

Pode-se até supor que a continuação e o desenvolvimento do amor parta do Eu de cada um. Mas e quando se defronta com o fato de que o Eu é ilusório e inexiste?

A única explicação plausível é a interdependência, que, no Amor, faz do meio fim e do fim um meio de sempre recomeçar melhor.

Como quando se começa um relacionamento apaixonado, amando com amor e com o Tempo e a troca interdependente, verdadeira, aberta e franca, o Ser evolui, amadurece e se forja, evoluindo para um Amor maior através do respeito e equilíbrio interdependente entre o Todo/Relação-Eu-Outro.

Esse é o aprendizado prático do Amor. E aprendemos através do Amor ou da Dor. A sabedoria nos faz alcançar o aprendizado sem dor através do Amor.

E com Amor, a compreensão e o aprendizado de perdas e da dor é potencializado e o sofrimento diminuido, em um processo que lembra a forja das melhores espadas, expostas à extremos e à pressão, inerentes a um processo único para moldar sua natureza indestrutível.

Sempre se está nesta busca de se tornar indestrutível, eterno, de se tornar o Amor, aprendendo a cada momento amorosamente, buscando o caminho do Amor, mas a aceitar amorosamente a trilha da dor quando resvalamos do caminho principal, voltando assim mais rapidamente ao mesmo do que se nos rebelarmos contra a via da dor.

O Amar é um eterno devir, um processo contínuo, cíclico de se estar sempre por chegar, sempre evoluindo amorosamente. Assim é um relacionamento, um encontro em evolução constante. E ainda há uma boa parcela que busca se acomodar.

Há os que julgam que um relacionamento duradouro funciona com os seguintes ingredientes: compatibilidade biológica, psíquica e auto-conhecimento para a manutenção do amor.

Não discordo, pelo contrário, mas penso que isto seja a base, a estrutura, a física, que necessita do processo de abertura do topo, da superestrutura, da meta-física para sair do ciclo da estagnação e o transformar em espiral ascendente da evolução dos Seres envolvidos na relação - podendo ser até o processo de ascese da alma no desvelar do auto-conhecimento e aumento da auto-estima a partir da junção do eu ao Eu Superior.

E, Superior, apenas o Amor.

Inspirado em troca com a amiga Fé, resgatada da época de escola e que também está na busca por se tornar um diamante (vajra) - translucido, luminoso, valoroso, indestrutível; como o Amor.

Na Fé do Amor,

Amar é uma arte

E só há arte se houver verdade.

Só há Amor com verdade.

No Amor, pintado na tela da verdade, esculpido na essência do Ser e colorido com a felicidade que é viver,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Amor incomensurável

Da perspectiva temporal, independente se linear e única como a ocidental ou cíclica e repetida como a oriental - ambos -, se assentam na perspectiva da eternidade: qualidade que o Amor faz presente a cada momento e que anula as distinções entre o Eu e o Outro, unindo em um Todo a partir da possibilidade do Nada-Vacuidade atingido pela meditação-contemplação.

Portanto, como diz Longchenpa: "distingüir entre amigo e inimigo não faz sentido".

Especialmente se você iniciou o caminho do bodisatva, contemplando e realizando as quatro incomensuráveis a partir da equanimidade para sedimentar o amor, reforçar a compaixão e encorajar o regozijo.

O Amor como meio e como fim, sem fronteiras, incomensurável.

No Amor,

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Celeste amor, divino protetor

Meu anjo da guarda, protetor divino,
que sempre me acompanha desde menino,
não me deixa ser ludibriado a escolher o caminho errado,
esteja a meu lado a cada momento e me livra de todo tormento.

Que suas asas sejam escudo e visão,
Luz que afasta as trevas da escuridão.

Na hora da morte,
não me deixe à própria sorte,
alça-me ao céu
e corta das ilusões o véu.

Como posso lhe agradecer por tudo o que fazes?
Posso me empenhar para as pessoas fazerem as pazes.
Posso me dedicar ao próximo como te dedicas a mim,
aprendiz de anjo, meu querido Serafim.

É muito amor, profunda gratidão,
que me tomam por inteiro em profunda oração.
Não quero e nem consigo parar de lhe louvar,
só me resta passar os dias a cantar e orar.

No encontro e ajuda ao outro descubro assim,
a plenitude de suas dádivas recaem sobre mim.
Essa é a chave, amorosa união,
que potencializa a mim e completa sua missão.

Que eu possa ser seu equivalente terrestre,
tão bom quanto és tu, meu guerreiro celeste.

Que meu corpo e seu santo espírito sejam unidos pela ascese de minha alma,
evolução do Ser, constante, amorosa, com toda calma.

Escrito na madrugada do dia 09.01.09 e publicado em homenagem à passagem, ocorrida ontem, de minha querida Tia Nair, cujos Empadões e jogos de cartas fazem parte de minha infância e cuja amizade-amorosa levarei por toda vida.

No Amor,

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Amor - o caminho do bodisatva

Buda perguntava-se se aquilo que ele estava aprendendo e/ou vivenciando de fato cessava o sofrimento.

Até hoje seus discípulos são incentivados a não confiarem nele e sim neste caminho.

E que caminho é este?

É único, pessoal e intransferível. Ao mesmo tempo em que é uno e o mesmo para todos. Esse paradoxo em si já é motivo para empreender um salutar questionamento em busca de si próprio – este Ser que é ao mesmo tempo tão igual e tão diferente a todos os demais Seres.

O caminho parece ser a via que nos leva à Vida, ao Outro, à nós e assim ao Todo.

Externamente, é nosso caminhar na Terra – e toda evolução que isto compreende, principalmente na educação do pensamento e das emoções –; internamente é o caminho da Kundalini até o despertar supremo, abrindo e potencializando todos os chácras; secretamente é a evolução de nossa Mens (termo latim que designa tanto alma, quanto mente e contempla assim tanto a visão ocidental espírita-cristã, quanto a oriental budista, separadas apenas por conceitos).

Por mais que se caminhe por uma alameda em conjunto, cada um dos andantes terá sua própria alameda, reconhecendo nela a projeção de sua Mens e criando a interdependência a qual chamará de realidade: para um a alameda estará florida, para outro próximo a este cheirosa, outro a verá ensolarada, outro sombria, aquele comentará da terra mal batida e com pedras no caminho, este das estrelas a guiar; desperto é aquele que vislumbra todas as estas realidades sem descartar nenhuma e mesmo sabendo que cada faceta é um véu de ilusão percorre corajosamente o caminho para ao final se unir novamente à vacuidade tendo perpassado os véus sem se apegar a nenhum deles, sem ficar preso.

Aquele que viu apenas uma parte, perdeu a beleza do Todo, mas até aquele que se prendeu ao Todo sofrerá – talvez até mais que aquele que se fixou numa parte – quando a alameda terminar. A menos que reconheça que aquilo que encontrar à sua frente, após a alameda também faz parte do Todo e assim também é alameda: transcende-se assim a noção conceitual e dicotômica de nirvana e samsara, Deus e ausência divina.

É este impulso em busca da completude inerente ao nosso Ser que se chama Amor e que pulsa em nosso interior, pronto para eclodir e se manifestar em cada uma destas facetas, emanando-se no contemplar da equanimidade das flores e de seus cheiros, no amor ao brilho das estrelas e à escuridão que as cerca, na compaixão pelas pedras e suas naturais topadas, no regozijo do aconchego quente do sol e frio da sombra: Amor é o entendimento da forma e da não-forma (como uno).

Quer seja sua meta a vacuidade ou Deus – conceitos da plenitude de nosso Ser –, Amar plenamente é reconhecer que seu objetivo se encontra pronto dentro de seu Ser e em Todos os demais Seres e objetos, é a perfeita natureza das coisas à qual é necessário apenas nos ligarmos e criar a interdependência amorosa que nos tornará unos: Eu-Outro-Todo, pois o Todo é Eu-Outro.

E, para acabar com o sofrimento, basta então vivenciar a plenitude. Para trilhar este caminho vale de início se perguntar se aquilo que fazes lhe traz sofrimento ou felicidade genuína e, portanto, eterna.

Se aproveitares ao máximo, dando e recebendo sem barreiras em uma proveitosa e crescente troca evolutiva, gerando assim uma interdependência positiva, com o entendimento de que tudo é impermanente e ao mesmo tempo cíclico, transmutável e eterno, viverás a plenitude de seu Ser, o Reino de Deus na Terra, o Nirvana terrestre, tornando-se o Homo Amabilis, o Super-Homem nietzschiano que com amorosa coragem sai da caverna plantoniana para conhecer a idéia do Amor e retorna para concretizá-lo em ato e equivaler caverna e mundo exterior em uma só Luz.

Inspirado pelos pensamentos samsáricos a cerca do Botafogo e seu time e provável campanha em 2009: ir ou não ao estádio? Sofrer? Mas por que, se o resultado é o que menos importa e sim apoiar o clube que se ama. Isto é amor incondicional e quando se sente e pratica, samsara e nirvana se fundem e você passa a fazer da vida cotidiana a prática espiritual, cultivando as virtudes necessárias para de fato Amar. E assim transcender à gloriosa eternidade.

Glorioso e Amoroso 2009 para ti.

No Amor,

Amor - grinalda preciosa

Amar é assumir a própria existência - com todas as mazelas que nela houver - sendo fonte de inesgotável saber e felicidade não apenas para si como para outros.

É esse em suma, o caminho do bodisatva, que movido pela compaixão, faz votos de dedicar sua existência à felicidade e iluminação de todos os seres.

Inspirado e adaptado do livro A Grinalda Preciosa, de 'Buda Nagarjuna' - como diria meu estimado professor e lama Chimed a quem eu aproveito para prestar minhas sinceras homenagens.

No Amor,

Amor - a real dimensão do Ser

Moldados pelos vértices do Tempo, Espaço e do Conhecimento/Relação, nosso Ser se forja na relação Todo-Eu-Outro, o que constitui e nos confere a nossa real dimensão: a dimensão do Amor, esta teia invisível que nos sustenta.

Quanto mais compreendemos o Amor, mais nos expandimos em direção ao Outro e ao Todo, mais nos tornamos unos com a teia e nos tornamos o Amor em si, alcançando o que uns chamam a plena realização, outros a iluminação, tornando-se 'hubs' no emaranhado de fios que se entrelaçam e formam ao mesmo tempo a sustentação e os véus da vida. Quanto mais se ama, mais se emana pulsos de Amor e se influencia positivamente a rede.

Amor é a semente de Luz que se cultiva, se expande e transcende os limites iniciais, indo ao Outro e além, fundindo-se ao Todo.

No Amor,

Amor é evolução rumo à plenitude

Amor é o elemento que torna o humano Ser em si e o evolui em sua plenitude, transcendendo Tempo e Espaço através do infinito conhecimento que é o Amor do Homo Amabilis, nosso próximo estágio de evolução, o Übermensch.

No Amor,

Amor é natural

Amar é seguir a Natureza pela firmeza da alma e contenção dos desejos, comprovando as palavras com ações.

No Amor,

Amor é moral

Amor é moral aplicada em pleno equilíbrio entre o Todo-Eu-Outro.

No Amor,

Amor - um detalhe

Singelo, lindo, cheio de significado, como todo detalhe. Só é notado com calma e cresce cada vez mais com o Tempo, se tiver Espaço para desabrochar.

Inspirado na sempre proveitosa troca com minha prima Carol, que me respondeu com 'todo detalhe'.

No Amor,

Amor - o terroir da beleza eterna

Se viver é uma arte, Amar é a obra-prima como um todo, o terroir da beleza eterna.

No Amor,

Amor - escapando ao hábito

Agimos emulando emoções. Amor é quando escapamos desse hábito.

No Amor,

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Amor em minha vida

Em minha vida (In my life - The Beatles feat. Sean Connery)

Há lugares dos quais vou me lembrar

por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado

Alguns para sempre, e não para melhor

Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos

Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar

Alguns estão mortos e outros estão vivendo

Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores

Não há ninguém que se compare a você

E essas memórias perdem o sentido

Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto

por pessoas e coisas que vieram antes,

Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas

Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto

por pessoas e coisas que vieram antes,

Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas

Em minha vida, eu amo mais a você

Em minha vida...

Eu amo mais a você

No Amor,

sábado, 3 de janeiro de 2009

Amar é cultivar o Todo

Com Amor, nossa força cresce de nossa fraqueza.

E Amor é tanto o olhar atento e o cultivo, quanto a ação resultante do conjunto.

No Amor,

Amar é Viver seu Tempo na plenitude de suas possibilidades

Amor, como o Tempo e a Vida, é tão breve ou eterno quanto se aspira, pratica e realiza.

No Amor,

Amor expandindo a brevidade da vida

O amor é uma viagem, pois tem começo, meio e fim, como toda vida, uma jornada terrestre entre o nascer e o morrer.

Mas o Amor é também um passeio: contemplar e reconhecer a eternidade de cada momento, fazendo a vida ser vivida e escrita em V maiúsculo, transcendendo nascimento e morte e alcançando a compreensão do verdadeiro ciclo; tal qual a água que evapora dos rios, lagos e oceanos para depois precipitar-se como chuva, ser drenada e reiniciar todo o ciclo novamente; tal qual a larva está para a borboleta.

Amor com A maiúsculo, Vida com V maiúsculo.

E é neste espírito de início do ano gregoriano de 2009 e final do ano tibetano de 2135 que o pensamento do filósofo Sêneca - nascido na Espanha romana do século I, tutor de Nero e que tanto li quando meu Opa ainda se encontrava na CTI - eclode pedindo passagem, como um contrapeso crítico à euforia desmedida que deságua em carnaval de maneira não-crítica.

Afinal, vale sempre lembrar "Sobre a brevidade da vida" - não obstante obra de Sêneca - até para darmos valor e eternizarmos cada momento.

Portanto, inspirado na leitura da obra supra-citada, parafrasiei algumas máximas aplicando-as ao tema do blog: Amor.

Espero que lhe inspire para aproveitar cada momento de 2009 como se fosse o último dentro do paradoxo da eternidade inerente a cada momento, afinal, isto é o Amor: gostar tanto que se deixa livre, pois se é um só. Aproveitem.

  • O amor ensina a agir, não a falar.

  • Amor é quando as palavras estão de acordo com a vida.

  • Não há amor sem virtude, nem virtude sem amor.

  • O Amor ordena a vida, regula a ação, mostra o que deve ser feito e o que deve ser evitado, está no leme e dirige o curso hesitante dos erram a esmo por não se entregarem a Ele, o Amor.

  • Amor, recurso libertador, forma a alma e serve de guia para a ação.

  • Amor ars vitae - amor arte da vida - artífice da vida.

  • Amor, mais que o conhecimento das coisas, é a aplicação à virtude e a prática do bem.

  • Amor é vida e vida é o espaço do bem e do mal. O fim da atividade amorosa - e, portanto, do ato de viver - é uma vida sábia - e vice-versa -, e é próprio do sábio realizar uma vida no bem.

  • Amor é instruir-se na filosofia por ações e enfrentar situações reais: é ver de que força de espírito é capaz um homem iniciado nele diante da morte, da dor, da aproximação de uma, da pressão da outra.

  • Amar é a busca pela virtude, a plena realização que independe das circunstâncias.

No Amor,

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Testamento amoroso

Quando eu morrer, só quero sorrisos.

As lágrimas, se escaparem, liberem-nas no jardim para que possam estimular as flores, beleza máxima da vida com sua forma e não-forma (cheiro). Como amo as flores.

Quando eu morrer, só quero poesia.

As lamentações não são justas com a dádiva da vida, essa oportunidade máxima de prática cotidiana e evolução espiritual de nossa mente-coração. Como amo a vida.

Quando eu morrer, só quero 'até logo'.

O 'adeus' torna o tempo ao reencontro demasiadamente longo e não há tempo e espaço entre os portões da vida - nascimento e morte - que tornam difícil a tarefa do Amor de reunir os que são afim. Como amo vocês.

Quando eu morrer, leve meu Amor à todos, sem exceção. Nada mais tenho senão o melhor de mim para d(o)ar. Como Amo.

Escrito no natal de 2008 sob inspiração da passagem de meu Opa, reflexões sobre minha própria morte e sensação de ressurreição. Que todos possam se beneficiar.

No Amor,

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Três Coroas para um só coração

Do dia 05 ao dia 10 de dezembro de 2008 passei ensolarados e maravilhosos dias no templo budista Khadro Ling, em Três Coroas/RS para participar da consagração do templo de Guru Padmasambhava - mestre indiano budista que levou o budismo ao Tibete no século VIII.

As bênçãos eram inúmeras e claras: afinal, parou de chover um dia antes e voltou a chover um dia depois das cerimônias. No ápice do ritual de consagração até as bandeiras pararam de tremular: no topo da montanha onde sempre venta, imaginem, o vento havia parado para se curvar em homenagem. O Sol, astro-rei, literalmente coroava o céu acima e nós abaixo.

É o poder de muita meditação e mantras, com grande enfoque no Buda da Compaixão, Cherenzig, sempre acompanhados pela canção de belos pássaros.

Eis que em um belo entardecer, entre os inúmeros que presenciamos, minha lente capturou esta amorosa emanação do Sol que nos aquece, nutre de vida e envolve de Amor.


Essa é a moral da história: quando entramos em contato com nosso Eu interior e em sintonia com a natureza ao nosso redor, o Amor é o elo de ligação e destino final dessa jornada que é a vida, que em si nada mais é que o exercício de Amar e assim a alma cultivar.

OM Amor,

sábado, 20 de dezembro de 2008

A real fábula kafkaniana da barata e do amor, a aplicação prática das quatro incomensuráveis budistas

Quando completei 31 anos, no dia 26 de novembro de 2008, fiz votos de não matar, tampouco me nutrir de nenhum ser vivo com sistema cognitivo desenvolvido: passaria o dia mais vegetariano do que nunca, reforçando a escolha que fiz há quase 3 anos e que tenho ainda maculado com esporádicas aberturas para a ingestão de peixes e frutos-do-mar - fugindo-me à culpa pela frágil retórica de que são frutos e de que tanto biológica quanto zodiacalmente falando Peixes não sentem dor e são doadores, além da fecundação ser realizada de maneira externa e não se criarem cuidados parentais.


Então solicitei que minha mãe fizesse o macarrão ao funghi ao invés do macarrão ao camarão, bem como evitei os encontros no japonês e na temakeria.


Quando à noite tomava meu banho fui confrontado com uma situação kafkaniana: uma barata me observava audaciosamente perto de meus utensílios de higiene, tais como escova-de-dente, barbeador e demais apetrechos masculinos.


A primeira reação, por mais que tenha sido apenas um lampejo, foi a óbvia e habitual reação egóica de revolta por um bicho ligado comumente à sujeira estar perto de minha higiene pessoal.

Sentença: a m... não, peraí! Não poderia lhe desejar a morte. Não poderia esmagá-la assim, sem mais, nem menos. Havia feito votos de não matar seres em meu aniversário - ao menos não deliberadamente, pois andando na rua vitimizamos insetos suficientes para ainda o fazermos de maneira assim, cruelmente premeditada.


Contemplei. A barata. Meu voto. A situação.


Constatei que não havia diferença entre a barata e o camarão - inclusive são iguarias igualmente apreciadas em certos recantos do mundo.

Constatei ainda que o revisteiro abaixo da pia estava com jornais velhos, bagunçado e servia de refúgio para seres como aquela barata que tanto me fazia confrontar com velhos hábitos: não optamos todos pela saída mais cômoda, por permanecermos em nossa zona de conforto?


Tentei tirá-la, mas na primeira tentativa ela caprichosamente correu para debaixo e para dentro do tal revisteiro, que na verdade havia percebido somente naquele momento de sua fuga.

O pensamento de 'f.d.p., olha a trabalheira que está me dando' rápida, gentil e compassivamente cedeu vez para um agradecimento genuíno pela possibilidade e incentivo para organizar e limpar o revisteiro; basta mudarmos nossos paradigmas e tentar enxergar por uma ótica amorosa, de eterno aprendizado e benefício contínuo.


Dito e feito. Foi tirar o último exemplar que ela apareceu e ficou imóvel. Levei o revisteiro até a janela. Bati forte e ela caiu para fora. Mas não é que a danada voltou e parou me encarando?


Retribui o olhar, dizendo a ela que ela estava indo para o lado errado, que desse meia volta e fosse para fora. Prontamente ela se virou e seguiu seu caminho para o mundo, como se tendo apenas voltado para agradecer.


Ao retirar o revisteiro, devo ter batido no cifão da pia, pois pela manhã havia uma mancha na bolsa de minha máquina de raspar cabelo. O formato, imaginem: um perfeito coração.





Incrível do que a força do amor e da compaixão são capazes, não?

Depois disso fui visitado mais uma vez por uma barata que foi facilmente conduzida para fora sem retornar.

Adendo: minha relação com os mosquitos segue o mesmo caminho. Não os mato mais há um bom tempo, mas combato sim os possíveis focos de surgimento. Ah sim, não costumo ter uma mordida de mosquito!

Moral da história

Através do amor podemos não apenas entender o outro, o diferente, como também respeitá-lo e respeitar nossa natureza, fazendo com que nossas ações sejam construtivas de fato e em todos os sentidos.

Atuando com amor, preservamos os espaços e melhoramos não apenas a vida alheia, mas principalmente a nossa vida. Passamos a condenar menos os outros e também menos a nós mesmos, nos ofertando a possibilidade e o espaço para transcendermos e, ao passar pela zona de conforto de maneira amorosa, organizar e limpar recantos de nosso ser que acumulavam poeira e ficavam à sombra de nosso brilho, por muito tirando-nos nossa leveza e alegria de viver.

Às vezes, algo aparentemente negativo pode ser trabalhado como suporte positivo, basta termos calma para não sermos reativos/raivosos a partir de nosso ego e sim agirmos amorosamente com a plenitude de nosso ser.

O importante é sempre questionarmos se não poderiamos fazer, mesmo e principalmente as coisas mais simples e banais, de maneira diferente. No mínimo, faz-se necessário pensar diferente e questionar nossa maneira de ver e lidar com o mundo - os atos serão conseqüência dessa reflexão.

A receita budista para cultivar o amor é se trabalhar a equanimidade, conquistada por sua vez pela renúncia ao dualismo e a diferenciação; pela intenção de praticar o bem e que todos sejam afortunados - bodhicitta; pela realização da vacuidade, de que todos os fenônemos são vazios de existência e sim determinados por sua posição no tempo, espaço e relação interdependente; e, por fim, da aceitação da inexistência de um Eu, que igualmente é dependente do tempo, espaço e de suas relações.

Assim se cultiva o amor, que leva à compaixão e, por fim, ao regozijo.

Quando se sente a felicidade verdadeira de ver um ser livre, mesmo que momentaneamente como no caso da barata, de vê-lo feliz e sentir-se feliz pelo outro, isto é o ápice de nossa existência e potencializa essa coordenada no tempo, espaço e relação/conhecimento que chamamos de Eu - uma parte ínfama da grande rede que é a vida.

Depois de experimentar o prazer que é sentir prazer pelo prazer do outro, passa-se a querer trabalhar incessantemente para que esta felicidade seja genuína e imutável, ou seja, que esse ser também se liberte - porque nesse momento, você já estará liberto, já terá despertado.

É o Amor que desperta, eterniza e faz esse pontinho brilhar.

Aproveito para agradecer ao monge Gabriel pelos preciosos ensinamentos sobre as quatro qualidades incomensuráveis.

No Amor,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amor, vida, diferença

A vida é o Tempo que se tem para se fazer a diferença. E o Amor o catalisador deste processo.

No Amor,

Amor, vida, movimento

Vida é movimento, movimento da alternância, nascimento e morte, pensamento e (emo)ação, sol e lua.

Amar é compreender a alternância e o movimento como um Todo, que por mais que se ame o dia e o sol, não tem como não se amar a noite e a lua, pois um define, dá forma e completa o outro - como o amor o faz com dois indivíduos, seres distintos que se unem por amor e assim se completam, quer seja sexualmente, corporativamente, intelectualmente: é a união de não-iguais, pois nada é igual.

E a capacidade de cooperação é este amor que viabiliza unir dia e noite, homem e mulher e tantos outros elementos distintos, mas amorosamente convergentes: com sabedoria, tudo converge ao equilíbrio (através do amor, sabedoria-mor).

Amar é viver plenamente tanto o dia quanto a noite, o nascimento quanto a morte, é viver a plenitude da possibilidade de cada momento - máximo dentro de cada limitação -, é viver na plenitude da graça divina o seu destino com toda sua vontade, pois amar é pleno.

Amar é estar aberto ao segundo seguinte, ao próximo ciclo, ao novo, ao outro, ao momento de renovação - sem se cansar do momento presente, vivendo-o plenamente.

No Amor, a plenitude do Ser, pois quem ama não sente medo, não sente inveja, não sente nada além de boas vibrações e um sentimento de pertencimento a algo maior, pois o religare (reunião) foi (re)estabelecido com o Todo,

Amor - não isolamento

Amor é o religare que tira o Eu do isolamento e o une ao Todo em uma abertura sem preconceitos que une tudo e todos, respeitando as diferenças a partir da igualdade de existência e respeito à vida.

No Amor,

Amor - enzima catalisadora do Ser

Amor é a enzima catalisadora, o (quinto) elemento que nos falta para que a raça humana se torne a super-raça, o super-organismo individual-coletivo - tal qual uma colméia -, o Übermensch (super-homem nietzschiano) que transcenderá o 'eu quero' egóico inicialmente para o 'você tem que' submisso a dogmas até encontrar sua liberação no 'Eu quero' do Ser/Eu superior e pleno em um amoroso processo de metamorfose da superação e divinificação de nosso lado animalesco, tal qual Nietzsche nos via no estágio da evolução, apenas uma etapa entre o animal e o super-homem, belissimamente retratado no clássico 'Assim falou Zaratustra'.

Amor, enzima que criptonita alguma pode enfraquecer, que força alguma pode deter.

No Amor,

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Amor - continuum da mente-coração

"Se nós acreditamos que a mente é contínua, o nosso amor pelos outros torna-se contínuo.

Se nós reconhecemos esta continuidade, não confiamos em circunstâncias temporárias, tangíveis, ou não as levamos tão a sério.

Se nós acreditamos na continuidade da mente, então o amor nos conecta imperceptivelmente àqueles que nós amamos com uma energia positiva contínua, de modo que mesmo separações tangíveis entre pessoas que se amam, não reduzem o poder intangível do amor.

Ao acreditar na continuidade da mente, nós reconhecemos a continuidade de todas as circunstâncias, incluindo nossas experiências de amor, que não são apenas por um momento ou por uma vida."

Trinley Norbu Rinpoche

Publicado no Amor, em homenagem ao falecimento de meu Opa - avô alemão de 95 anos que tanto me ensinou, na prática, o amor, o respeito e a união, o agradecer a tudo e em cada detalhe.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Amor - investigação e questionamento

Amor é a investigação do auto-centrismo, o questionamento de si para melhor alcançar o Outro e o Todo através (da melhora do) auto-conhecimento.

No Amor,

Amor - cura das emoções

Amor é a cura das emoções; é a necessária responsabilização individual-coletiva que se inicia na intuição e se edifica na razão e que nos passa a sensação que tudo dará certo e que conseguiremos; é o processo de amadurecimento de que tanto nossa sociedade, carente de verdadeiros adultos, necessita: homens e mulheres capazes - independentes, estáveis, fortes, compassivos - guiados pelo Amor.

No Amor,

O auge é o Amor

O meio entre o tédio e o sofrimento é o auge - onde o tédio é o extremo da saturação e o sofrimento o extremo da ausência e da falta.

O Amor é este gesto de equilíbrio que encontra o caminho entre os extremos da vivência humana.

No Amor,

Amar é viver

Amar é viver suavemente pelo mundo, pelo Outro e por si próprio.

No Amor,

Amar é navegar

O Amor é o leme da nau Felicidade que infla suas velas com fé, guiada pelas estrelas do mapa que revela um novo mundo a se viver na plenitude do Amor de seu Ser.

Amar é navegar seguro pelo oceano das emoções ao encontro do Outro, de Si e do mundo.

No Amor,

Amor - divina inocência

Encontro da inteligência e sabedoria do racional humano com a profunda espiritualidade que suscita a inocência divina.

No Amor,

Amor surreal

Amor - física humana, meta divina, passeio individual, encontro coletivo.

No Amor,

Amor - consciência edênica

Se todos encarassem o Outro e a Terra - o alter-individual e o supremo-coletivo - com a consciência edênica para se potencializar o campo fértil, atuando como jardineiros e não como proprietários do jardim - como se para cultivar e preservar o Jardim do Éden (Gênesis 2:15) - não seria esse um chamado divino, a materialização do Amor, o melhor dos desenvolvimento sustentáveis: cultivar e preservar o paraíso em si, no seu Ser, no Outro e no coletivo?

Amor, consciência edênica: cultivo, preservação, sem posse, sem obsessão, com liberdade de expressão e impulso de evolução.

No Amor,

Amor é consciência

O Amor não pode ser apreendido através de palavras, pensamentos ou até sentimentos.

Amor é consciência - que se busca explicar, compreender e apreender no cruzamento entre a razão filosófica e a emoção poética, mas que é muito mais algo para se intuir e se fazer ato - e que emana mais facilmente da vacuidade meditativa.

No Amor,

A paradoxal existência do Amor perfeito

O Amor perfeito não existe na prática, é utópico, pois quando se torna ação - se faz carne e verbo - já se desgasta na aplicação; existe em nossa dimensão tão e somente na própria busca pela perfeição do Amor, que se renova no doar, manter e cultivar e assim se mantém próximo da essência amorosa que é a união das 3 esferas amorosas - eu, outro e coletivo; Eros, Ágape e Philia.

E assim, na busca, se vive e realiza o Amor perfeito.

No Amor,

Intuição amorosa

A intuição amorosa não é pensamento, não é emoção, é a pura razão - voz da divina sabedoria - que emana do coração.

No Amor,

Amor, o quinto elemento

Vacuidade presente em cada átomo, espaço vital entre os elementos que possibilita um infinito de possibilidades e realidades de conexão.

No Amor,

Sobre a intensidade do Amor

Amor não tem muito ou pouco. Sua intensidade é determinada pelo grau de abertura que se tem para com Ele, o Amor.

No Amor,

domingo, 9 de novembro de 2008

AfilosofiaMOR em revista - Domingo, no JB

Na revista da moda, o Amor ganhou destaque!

Eis a nota sobre este blog que figura na página 40 da revista de Domingo do dia 09 de novembro de 2008, no JB.



Fica a ressalva de que Amor é muito mais que um coração - partido, remendado ou intacto - entre duas pessoas: é a identificação e potencialização do próprio coração - amor próprio - e a universalização do próprio coração - amor altruísta - em direção a toda a vida através do amor absoluto (divino): Eros, Ágape e Philia.

Por isto este ser um blog surgido da busca por mim mesmo, pois só é capaz de amar incondicionalmente o próximo e ir ao encontro do Todo aquele que se ama, sendo que isto não significa narcisismo ou mimo, mas sim um olhar e tratar compassivo e evolutivo sobre seu próprio ser.


Faltou incluir Sócrates... a lista é daqueles ‘amantes do saber’ (filósofos - aqueles que amam o saber) que não apenas idealizaram e conceituaram em palavras, mas que aplicaram na prática, conferindo assim maior valor às suas idéias, tornando-as ideais.
.
Afinal, como afirmara Lao Tsé, outro que figura facilmente nesta lista: "Saber e não fazer ainda não é saber".

Como diria Sêneca: “a filosofia é a ‘arte de viver’; é a aplicação na prática”. Este seleto grupo fez de sua vida tal obra, da arte um viver. E qual melhor arte de viver que Amar: buscar,
conquistar, superar; tudo através da união. Não é esta a melhor filosofia?
Se amar é conhecer por inteiro, positivo e negativo, esse conhecimento ganha uma qualidade superior quando usado sabiamente, buscando agregar valor, superar. Pensar, falar e agir com amor passa a ser a maior sabedoria então... Amor aqui como enzima catalisadora, positiva.

Vale ainda ressaltar que sou apenas um aprendiz me pós-graduando, não um mestre em filosofia: isto chega a ser heresia com Heráclito, Parmênedes, Sócrates, Platão, Aristóteles, Spinoza, Kant, Nietzsche, Kirkegaard, Sêneca, Plotino e tantos outros que ofertaram sua sabedoria em forma de palavras para que iniciássemos nossa caminhada de um ponto mais distante da escuridão total da ignorância inicial na qual somos paridos – uma vez que, contudo, somos concebidos em Luz. E o Amor é esta superação na alternância constante do movimento da vida: dia-noite, frio-quente, claro-escuro, etc.
.
Pena que a maioria da humanidade não tem acesso à filosofia e que boa parte que dos que tem não dá o devido valor. Amor tem sido um item raro, por mais que abundante no interior de cada um, continua velado.

Se somos a raça que domina o mundo, eleita pela razão, sendo esta seu diferencial em relação aos demais seres, porque não potencializar isto?

Por fim, fica o reforço do ponto-de-vista deste blog: do Amor ser a expressão máxima de sabedoria e do amor ao conhecimento – A filosofia MOR.

Fica o agradecimento à jornalista Anna Braile que tratou do tema com carinho e amor, conferindo à nota, além do belo destaque, um título que ficou leve e brincalhão; afinal, por mais séria que seja a pesquisa aqui publicada e meu compromisso nessa busca, o Amor é essa mescla entre o fascínio do compromisso e a beleza do sorriso.
.
Obrigado por colocar o Amor em destaque: o mundo, sem saber, agradece.
.
Aproveito o ensejo e agradeço também aos meus mestres - da pós no Mosteiro de São Bento no Rio e de toda a vida - que me conduziram cada qual a sua maneira e em sua disciplina - sempre com amor - ao conhecimento e me possibilitaram realizar esta jornada que ainda está longe de acabar: findará com minha morte.
.
E olhe lá: o contrário (de morte) é nascimento e é nesta fé que digo que a vida - esses ciclos sem fim - transcende e que o Amor é o 'passaporte'.
.
Eu estou procurando o meu aqui dentro para poder usá-lo melhor lá fora. E você? Já conferiu se o seu 'passaporte' está em dia?
.
No Amor,

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Amor é design

Amor é o desenho do conhecimento no Tempo e no Espaço.

Uns precisam de mais Tempo, outros de mais espaço, mas todos (se) completam.

No Amor,

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Amor é verdade

A mentira é a verdade dos fracos.

É a ilusão para quem não é forte o suficiente para dizer e viver a verdade, de enfrentar com cândida abertura o desconhecido em busca da compreensão do Todo, até e principalmente do que lhe for diferente, e ter a pura força do perdão genuíno para aceitar aquilo que lhe é errado e amorosamente construir em conjunto a viabilidade do que é certo, que é a harmonia coletiva da vida cíclica.

Ser honesto com o outro passa primeiramente pela honestidade consigo próprio.

No Amor,

Amor - morte do ego, ressurreição do Ser

Amar é tornar-se adulto sem descuidar da criança que nos habita e que exercemos outrora: já não deve mais atuar, mas deve servir de referencial e alimentar o Ser pleno multifacetado em sua concepção temporal, Uno em essência.

No Amor,

Amor, Transformação e União

Mesmo face à Luz do conhecimeno, o ser humano prefere ficar à sombra da ignorância; por isso o mundo está assim: falta a força transmutadora do Amor que age sobre o Eu, o Outro e a favor do Nós.

No Amor,

Ao infinito alcance do Amor

Há lugares onde nossa razão não consegue ir e que são alcançáveis apenas para o Amor, a intuição da alma que encontra o caminho para o Ser em harmonia com o Outro no fortalecimento do coletivo e Uno.

O Amor, essa força que expande nossos limites, cura nossas fraquezas, essa fortaleza de bem-aventurança que nos acompanha em todos os momentos e da qual nos escondemos por tanto tempo com medo de nos perdermos no infinito de suas possibilidades.

Por mais que se limite em uma definição o Ser, aquilo que ele não compreende ainda será muito maior e o Amor possibilita essa entrega confiante em busca da completude de nosso Ser, certo de que haverá retorno, pois esta é a Lei: para toda ação há uma reação.

Se te lanças com abertura e vontade construtiva receberas a reverberação disto mais cedo ou mais tarde. O perseverante - através do Amor - não conhece o Tempo, é o Tempo em si e portanto a tudo vence.

Amor vincit omnia, como diria Virgílio.

No Amor,

Sobre como lidar com a velhice e a morte

É necessário trabalhar a relação com os entes queridos mais velhos com amor e desapego

Eles partirão.

Por isso, não cultive nada além de um imenso amor e agradecimento por tudo que lhes foi possibilitado ser vivido.

Saboreie cada olhar, cada toque, cada palavra, cada gesto, cada troca.

É o que eu faço com meu 'Opa' ('vô' em alemão) toda vez que estou com ele.

Ao mesmo tempo, vou me preparando para a minha própria velhice e morte.

Com o tempo, virão outras variáveis, como os filhos, netos, ou não, apenas doenças e dores.

Mas é bom já ir se abrindo para o inevitável para encarar tudo com dignidade e assim transcender a dor, o sofrimento e ser soberano de sua existência.

Apenas o Amor pode realizar isto: esta abertura que a tudo conquista, inclusive a eternidade.

Uma qualidade tranquila de entendimento daquilo que tem que ser vivido e a força para que seja vivido da melhor maneira. É explorar o todo potencial dos limites impostos pelo Ser, esse é o amor que nos guia, que nos conduz para o além-morrer.

É Luz que nos esclarece que o contrário de morte não é vida, é nascimento. Esse é o amor, o ciclo do eterno viver.

No Amor,

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Amor – local da segurança, horizonte da liberdade

Amar é sentir-se seguro onde se está a ponto de se caminhar cega e livremente rumo ao horizonte de seu destino, crepúsculo de sua vida, aurora de seu renascer; é sentir-se confortável em toda e qualquer situação. É abrir-se ao conhecimento e, assim, ao desconhecido, conhecedor de si, certo de que tens que evoluir.

Amar é não ficar preso e passar a observar sempre as coisas do ângulo mais propício para a superação em respeito equânime a você, ao outro e ao Todo; é cultivar a sensibilidade, o apreço da alma.

Amar é caminhar tranqüilo e certeiro rumo à morte, aproveitando cada respiro de vida, eternizando cada momento.

No Amor,

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Amor - através das palavras, além das palavras


Amor, o sagrado, não pode ser apreendido ou ensinado, deve ser vivido, assimilado e cultivado a partir da meditação; como meta auxiliar à elevação da física.
.
As palavras que escolhemos indicam o caminho que trilhamos, são chaves para os portões em nosso caminho, mas não podem dar o passo final, devem ser deixadas para trás para adentrarmos na plenitude sem fronteiras de nosso Ser e do absoluto com quem somos uno.
.
No Amor,

Amor mais que conceito, vivência!

Por mais que se conceitue, Amor é prática, é convivência e lapidação do Eu para se moldar junto ao Outro no Todo.

É abrir mão de partes de si e até por inteiro para forjar um conjunto maior. É o abrir mão da pequenês do Ego e das pequenas coisas em prol da grandeza da união e dos objetivos maiores, inerentes ao Amor. Na soma amorosa entre dois indivíduos o resultado é sempre maior que as partes em si.

No Amor cotidiano renovado a cada amanhecer e sustentado a cada respiro,

Amor - Tempo infinito - elo do novo e do velho

Velho, novo... o que seriam?

O novo não passa a ser velho em um instante e o velho, revisitado não passa a ser novo?

Não é o Tempo um conceito humano e próprio de cada um?

E se velho e novo forem um e a mesma coisa, entrelaçada na espiral cíclica da vida em eterna evolução?

Aí é só não se desgarrar e compreendar como os fios se entrelaçam, seguem e forjam a teia de nossa vida que nos sustenta em nossa evolução.

Eu tento observar minhas dores, do corpo e da alma com a maior serenidade possível. Busco com compaixão entender o motivo de sua existência para de alguma maneira aprender com elas e assim evoluir amorosamente.

Temos sempre vislumbres daquilo que somos em nosso pleno potencial e, ao menos ao que me parece, nosso dever é cultivar nossa essência para alcançar esta plenitude e trazê-la para o plano físico e fazê-la cotidiano e não apenas lampejos do sublime meditativo e transcendental - tornando-nos assim infinitos imortais através da ação amorosa, princípio ordenador do progresso.

No Amor,

Para seguir em frente: Amor

Ao invés de mal-dizer e culpar algo ou alguém e assim estagnar em padrões próprios, ter a consciência do que se quer e guiar seus atos para conquistar seus objetivos, caminhando amorosamente no ciclo da impermanência.

Sabedores de que somos inicialmente animais indefesos diante de nosso instinto e desejos não ficaremos presos ao ego, mas sim conquistaremos aquilo único a ser possível de fato conquistar em vida - e que ninguém poderá nos tirar: a soberania de e sobre si próprio - a liberdade amorosa que abre caminho para o alcance e a vivência de nossa plenitude.

Não se trata desta luta sobre vencer os afetos sem matar os sentimentos, como diria Sêneca?

Somos nossas escolhas, afinal. Que saibamos escolher com amor para Amor nos tornarmos.

No Amor,

Amor e Compaixão - base universal de todo religare

Religare - re-união - religião: o Amor e a Compaixão como seus elementos universais - princípio unificador ao todo; integrador ao outro; solidificador do self.

Mas como se completar - ao se unir - se já se está cheio de si mesmo?

Esvaziar-se é o primeiro passo desta prazerosa e necessária jornada - o princípio grego de Kénosis envereda pelo mesmo caminho e confirma os ditos de S.S. o Dalai Lama de que todas as religiões buscam o mesmo.

Ah, se as pessoas tivessem de fato acesso aos ensinamentos e vissem que não é algo de outro mundo, que tudo está em nossa mente e é amparado pelos conhecimentos da filosofia e psicologia.

Somos vacuidade, um sem fim de manifestações a espera da canalização - um infinito presente de possibilidades.

No Amor,

Como ler este blog - Espírito socrático indicado

Só sei que nada sei. Medite sobre isto. Não pense que sabes amar. Este foi o princípio de minha busca – e continuo aprendendo com o Amor a Amar mais e melhor. Solte-se. Deixe-se também guiar pelo Amor.

Ao acessar esteja de fato disposto a amar. A compreender uma outra visão que pode não ser a sua. Tente esquecer-se de tudo – principalmente de si e de suas convicções - e abrir-se por inteiro para receber algo que pode lhe ser diferente – e que pode acabar lhe completando por inteiro. O pré-conceito é o maior obstáculo para o Amor.

Deixe o amor - essa vontade de compreender - auxiliar na abertura e esvaziamento (Kénosis), pois somente assim o verdadeiro Amor reinará.

E unificará corpo, mente e espírito e vivificará suas relações - presentes e futuras.

Portanto, toda base sólida de toda troca proveitosa e sustentável é o diálogo com raízes amorosas - livres e que de tudo se nutrem e a tudo fomentam guiando seu crescimento.

No Amor,

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Amor - o maior conquistador

Amar é se abrir para o mistério e se fechar para os limites para conquistar o mundo. É içar suas velas, se guiar pelas estrelas e desbravar o novo mundo - o seu e o do outro.

No Amor,

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Será o Amor o passo para o supra-humano?

Será o amor diferente para o homem e para a mulher?

Será que o forjar pré-histórico de nossas diferenças socio-culturais-comportamentais que ressaltaram as distintas características biológicas - 1 óvulo X milhões de espermatozóides; produção única X constante produção - nos levaram a maneiras tão discrepantes de amar?

Será que o fato dos homens ficarem à época na caça, fora da caverna, atentos à presa e aos predadores, no misto alerta de medo e coragem de perder o que lhe era precioso - aguçando a visão, audição, faro e instinto 'caçador-matador' - faz com que os homens apenas lidem com o amor como uma mera conquista que resulta em posse? E que tudo se baseia no estímulo visual?

E será que o fato da mulher ficar no escuro da caverna, aguçando-lhe os demais sentidos antes que a visão, conferindo-lhe muito mais valor ao tato, ao olfato e à audição, potencializando sua capacidade de cuidar e deixando-lhe apenas com o medo do não-retorno do companheiro não fazem com que a mulher de hoje - apesar de estar cada vez mais com hábitos masculinos quanto o tocante é o sexo e o amor - ame à sua maneira: mais sentimento - afinal não era a 'perda', era quem perdia o ser amado; mais zelo; mais carinho; mais cuidado; mais calor humano - estava dentro da caverna, enquanto o homem vivia o frio exterior.

Lendo "Assim Falou Zaratustra", de Nietzsche deu-me que o Amor é a chave para o Supra-humano - o nietzschiano 'além-do-homem', comumente traduzido (erroneamente a meu ver) como super-homem e que é uma alusão ao Sol nascente além do horizonte como simbologia para a vitória - e o Supra-humano a realização desse amor, o alcance do divino-humano.

O Amor é o 'Sim' na capacidade do Supra-humano de dizer 'Não' ao "Você tem que": é a verdade e o verdadeiro "Eu quero".

Quando o humano se der conta da plenitude que é Amar universalmente e querer de fato Amar, tornar-se-à Supra-humano. O (verdadeiro) Amor (divino) no humano é o salto do macaco para o Supra-humano.

E o verdadeiro Amor é união e soma dos aprendizados de ambos os representantes da espécie humana, que deveriam amorosamente ensinar um ao outro sua forma de amar e evoluirem cúmplices neste aprendizado. Afinal, Amar também é conhecer, aceitar e aprender o desconhecido. É conquistar e se entregar, é se entregar e conquistar.

O 'lamentável' é que ao invés de se buscar a equiparação sexual nos aspectos positivos do outro, percebe-se uma derrocada do verdadeiro poder feminino que sucumbe quase por completo ao termos nossas mulheres embrutecendo para disputar o espaço que outrora era dos homens.

'Lamentável' entre aspas, pois talvez seja apenas o movimento natural que faça com que os homens - e já há alguns apontando este caminho -assimilem mais as boas características femininas. O movimento seguinte será o da mulher retomando seus valores e ficando com os aspectos positivos do universo masculino, sem se embrutecer.

O Amor unirá as diferenças dentro e fora de cada indivíduo e na sociedade como um todo.

No Amor, o tantra da verdade,

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Amor no infinito de nosso corpo e na eternidade de nosso Ser

Amar é esse sentimento de plenitude que transcende e expande, que sustenta e não acaba. A gente é que se esconde dEle e se sente só, quando na verdade estamos sempre em boa companhia.

Ao se entregar ao Amor, uni-se ao Todo e à todos, pois os sentimentos - alocados na barriga - e os pensamentos - localizados no cérebro - nos diferenciam, por muito distanciam, mas é o Amor o malgma que nos une, nos torna eternos e nos conduz ao infinito e além.

No Amor que forma o laço do infinito em nosso corpo, perpassando e unindo pensamento e sentimentos,

Amar é bombom demais

E foi em um desses bombons Serenata do Amor que veio a seguinte e verdadeira frase:

O verdadeiro amor nunca se desgasta, quanto mais se dá, mais se tem.

No Amor,

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Compaixão em Spinoza: questão de conceito, essência do forte e emancipado

– um diálogo entre a compaixão em Spinoza, a compaixão cristã e a compaixão budista –
espaço
Ao ler a Ética de Baruch Spinoza, confronta-se com uma oposição entre a compaixão – entendida como uma paixão, algo negativo que diminui nossa potência (em latim Spinoza optou por utilizar commiseratio, também traduzido literalmente por “comiseração”, que traz em si o radical inerente à palavra miséria, o que está longe de ser apenas uma mera coincidência) – e a vontade de ajudar ao próximo por decisões racionais e de vontade independente da situação em si, por achar proveitoso e positivo, algo que aumente a potência.

Spinoza faz uma clara e radical opção pelo termo commiseratio (comiseração) - ação de excitar a piedade - em detrimento de compassio (compaixão), em momento algum usado em sua obra – comunhão de sentimentos, sofrimento comum, compaixão, simpatia.

Não deixando dúvidas ao seu leitor, não usou o termo compassio, que poderia levar a um duplo sentido – o de confundir comunhão de sentimentos com o sofrimento (em) comum – e assim ficou livre para estabelecer a diferença entre o commiseratio e o fato de os homens agirem por sua natureza, de maneira virtuosa na preservação do ser zelando por si e pelo próximo em busca de tornarmo-nos uno em mente e corpo, no esforço conjunto da utilidade comum para todos, sendo justos, confiáveis e leais (E4P18E).

Demonstra-se assim a absorção oposta e complementar dos ‘conceitos-na-prática’ da compaixão por budistas e cristãos. Os budistas parecem adotar a compaixão como comunhão de sentimentos, o que não denota em si algo negativo, enquanto a compaixão cristã parece ser entendida pelo senso comum como o sofrimento (em) comum e que assim traz consigo claramente o aspecto da dor (e não necessariamente da solução, salvação) compartilhada – a dor por muito paralisa, apesar de também poder impulsionar, mas o risco de aquele minar este é muito alto de se correr. O termo grego sympathía (simpatia), evidencia, enquanto termos correlatos, o potencial positivo da compaixão.

Para Spinoza o forte e emancipado auxilia – ou deveria auxiliar, melhor dizendo - o próximo não por pena ou por culpa, sentimentos que o fariam se sentir menor em sua potência, mas por acreditar ser correto e assim pensar neste quesito de maneira construtiva, para edificar a solidariedade, a união e, portanto, somar forças e aumentar a potência, sua e coletiva. Spinoza substitui compaixão por ‘aquela atitude de ser justo, honesto e útil com outros homens pelo ditame da Razão’.

Neste sentido é interessante apontar convergências e dissidências entre o ato solidário da virtude elencado por Spinoza e a compaixão cristã, apontada de certa maneira como vício pelo autor, por se tratar muitas vezes de uma estrutura passiva, enquanto o seu entendimento de compaixão passa pelo posicionamento e aplicação ativos.
espaço
O cristão sente, o spinozista pensa.

O resultado prático é o mesmo, mas o princípio norteador difere drasticamente, resultando sim em outro tipo de mobilização e “energia” metafísica, apesar de os atos palpáveis se assemelharem. Em Spinoza há conexão entre os pontos fortes e positivos dos envolvidos, que se solidarizam pela esfera dos valores/recursos. Já no Cristianismo há uma identificação com a dor, com o sofrimento alheio, sendo o ponto-de-contato então a esfera da penúria. Ressalta-se que ambos, com foco e determinação, atingem seus objetivos à sua maneira e à sua esfera.

Vale pontuar aqui a ação compassiva, a nomenclatura e os conceitos budistas. Em termos de nomenclatura o budismo utiliza o mesmo que o cristianismo, compaixão, mas a aplicação prática é mais próxima ao entendimento spinozista de solidariedade, como vimos no terceiro e quarto parágrafos acima.

O budista age.

A compaixão é termo importante dentro da filosofia budista, sendo uma das 4 qualidades incomensuráveis – junto com amor, regozijo e equanimidade. Mas que compaixão é essa?

No budismo ensina-se a identificar o sofrimento, a dor e, conseqüentemente a necessidade alheia, sem contudo se esquecer do potencial daquele indivíduo. Orienta-se a não identificar-se com os aspectos negativos e redutores de potência justamente para se ter força para auxiliar de verdade o próximo a superar seus obstáculos – trabalha-se o não-apego com amor incondicional, resultando em uma boa explicação do que o termo compaixão significa no budismo: Sensibilizar-se com a questão alheia, mas não a ponto de enfraquecer-se ou perder o prumo da razão. Assim consegue-se ter o direcionamento com a força necessária, sendo efetivamente útil.

Isto apenas os fortes e emancipados conseguem; portanto poder-se-ia afirmar tratar-se da precisa união entre o que há de melhor em ambas abordagens: racional-spinozista e sentimental-cristã; a força do primeiro e o direcionamento sensível do segundo.

Apesar de Spinoza ter definido a distinção entre os conceitos e aparentemente ser o elo de união entre as diferenças-complementares das compaixões de budistas e cristãos, como vimos acima, tanto a sua razão quanto o sentimento cristão podem existir sem serem vivenciados; vale lembrar que o budismo confere importante papel à mente e à razão, todavia estas não são totalitárias, necessitam do equilíbrio com o coração e o sentimento para serem colocados em prática e simplesmente fluirem.

O budismo estabelece assim um novo conceito, reconstruindo o conceito compaixão de maneira mais forte e ampla: o budista pensa como Spinoza – neste caso ao menos –, sente como o cristão – sem contudo se identificar –, mas age compaixão – um traço do conceito de interdependência, que nos lembra que estamos todos interconectados com tudo: se agirmos com-paixão, comungaremos de determinado momento e sentimentos, receberemos o retorno daquilo que aplicamos após ter planejado racionalmente; compaixão enquanto não-conceito, vivenciado na prática sustentada pela razão e pelo sentimento.

O budismo busca o não-conceito justamente para poder fazer uso desta arma como um todo e assim atenuar possíveis falhas contidas em duas estruturas estanques e separadas. Como não-conceito entendemos, com o auxílio do livro “A Essência dos ensinamentos de Buda”, do monge vietnamita Thich Nhat Hanh que:

“Praticar é ir além das idéias, para chegar à coisa em si. A não-idéia é o não-conceito. Enquanto houver uma idéia, não haverá realidade nem verdade. A expressão "não-idéia" na verdade significa a não existência de idéias ou de conceitos errôneos. Não significa ausência de atenção plena. Por causa da atenção plena, nós sabemos quando algo está errado e quando algo está certo.”

“Atenção plena nos ajuda a identificar todas as sementes que jazem em nossa consciência armazenadora e regar apenas aquelas que são saudáveis.”

Daí o budista agir, enquanto o cristão sente e o spinozista pensa: o budismo prega a prática no equilíbrio da mente-coração, entre o sentir e o pensar. Mesmo que para Spinoza pensar seja agir, a vivência cotidiana nos comprova que nem sempre ocorre tal transposição. Lao Tse, filósofo chinês, ícone taoísta e influenciador do zen budismo afirmava que “saber e não fazer, ainda é não saber”. Podemos completar o pensamento com a afirmação de que sentir e não fazer, ainda é não sentir.

Pensamentos e sentimentos podem ser destrutivos – apenas a prática transmuta a energia criada e acumulada.

É importante ressaltar as questões semânticas relacionadas aos diversos usos do termo compaixão, bem como a aplicação de cada conceito de acordo com as características culturais. Enquanto no ocidente as paixões são tidas como um entrave ou possível problema para grande parte dos filósofos, que as consideram em grau menor do que a razão e o amor – explicitando-se aqui que para Spinoza, diferente da maioria dos demais filósofos, o amor envolvendo a idéia de uma causa exterior é paixão, o que torna esta afirmação última, no tocante ao amor, inviável –, para os sábios tibetanos, entretanto, as paixões são usadas como meios para a prática, sendo sua energia canalizada e utilizada na evolução pessoal e coletiva.

Já sobre a nomenclatura, vimos no primeiro parágrafo como Spinoza aproxima compaixão de comiseração e elucidamos os possíveis desdobramentos relacionados ao radical da palavra e sua conseqüente compreensão negativa. Mas isso não ocorre apenas na escolha do latim e na interpretação do português. Em alemão a palavra compaixão é muitas vezes traduzida como “Mitleid” cuja tradução ao pé da letra é “sofrer com” e, portanto, se assemelha muito à compreensão cristã do que possa vir a ser compaixão. Para Spinoza deveria ser algo mais para “Mitwachsen”, “crescer com”. Para os budistas, poderia ser “Ohneleid”, “sem sofrer” ou, melhor ainda, “dazu stehen”, “junto de pé”, pois acreditam poder extirpar do próximo toda dor, sem contudo sofrer com isto.

No ocidente – valendo tanto para os cristãos, quanto para Spinoza quando usa o termo commiseratio -, compaixão tem nas palavras “comiseração”, “piedade”, “dó”, “misericórdia” e “pena” seus melhores sinônimos. Já no Tibete, por exemplo, o Buda da Compaixão também é chamado de Buda da Compaixão Infinita, Buda do Amor Infinito, e compaixão denota comunhão de sentimentos. Isto mostra as diferenças de abordagem e, como vimos, uma redefinição de compaixão a partir do ‘conceito-na-prática’ Budista, deixando-o mais forte e amplo.

Fato é que para as 3 linhas de entendimento do que seja compaixão ou o ato de prestar auxílio racionalmente, o resultado é idêntico: capacidade de auxiliar o próximo a cessar o sofrimento e a melhorar. Há certamente uma discrepância na conceituação da palavra, mas não há dúvidas sobre o fato de a erradicação do sofrimento alheio – independente de seu método - só poder ser obra de uma pessoa forte.
espaço
Com agradecimentos especiais à professora Alice Bitencourt Haddad - do curso de pós-graduação em filosofia do Mosteiro de São Bento/RJ - que me introduziu ao pensamento spinozista e não apenas avaliou e validou, mas deu importantes diretrizes a este texto.
espaço
No Amor,

segunda-feira, 28 de julho de 2008

O Amor e o fim do querer viver em Schopenhauer sob uma ótica budista

O ‘filósofo do amor’, Schopenhauer, versa sobre o tema e sua alcunha tanto em sua “Metafísica do amor”, quanto na obra-prima “O mundo como vontade e representação”; naquela retratando o amor Eros - uma vontade universal que a todos perpassa, guia e impulsiona, travestido de individuação egocêntrica, escrava iludida do querer viver, embalada superficialmente pela consciência -; nesta definindo as bases deste querer viver universal, retratando o amor como impulso sexual cego - garantia da perpetuação da vida -, bem como afirmando sua concepção do mundo como interdependência da vontade universal e da representação individual, por fim lançando as bases e dando contorno ao seu amor puro e último, a compaixão, o amor ágape, “divino, incondicional, com auto-sacrifício ativo, pela vontade e pelo pensamento” [1], que via de regra transmuta o Eu em Nós, tornando-nos uno, mas que em Schopenhauer leva ao fim da espécie pela negação do querer viver da vontade universal, mortificando a existência conscientemente – preceito majoritariamente cristão-católico de difícil compreensão para um budista maha-vajrayana e que será tema do desenrolar deste pensamento consolidado em texto.

O fato de não abordar o amor philia, fraterno, altruísta e assexuado, não chega a ser um problema, mas será abordado ao fim deste diálogo como um dos meios para potencializar a compreensão e o próprio uso da veia budista no pensamento ‘schopenhaueriano’, buscando interpretar de maneira mais fidedigna os preceitos tântricos do budismo, vajrayana em especial – talvez resida aqui a fonte de ‘equivocos’ na utilização do budismo como base para o apontamento do niilismo como salvação e redenção em Schopenhauer: aparentemente este se baseou mais no caminho Hinayana, chamado no budismo de ‘veículo pequeno/inferior/menor’ – por se ater à iluminação pessoal/individual - e que visa a libertação e o alcance do Nirvana através da negação e abstinência, notoriamente sendo um compromisso individual e auto-centrado, sem comprometimento direto com os demais seres; além de ter apreendido erroneamente o conceito-base budista de vacuidade como sendo equivalente ao nada niilista, por fim, comprometendo sua solução de negação do querer viver – talvez por não alcançar o divino do próprio ser humano a não ser pelo conceito das palavras e da filosofia. E o divino em nós fala do uno, da manutenção consciente da vida até a iluminação, do não-sofrer no seu caminho (samsara em sânscrito). E ao não se sofrer em seu caminho (samsara) atinge-se a iluminação ao se sair da roda de samsara e se girar a roda do dharma (sua Lei Natural, realidade). Lama Chimed Rizdin afirma que nirvana e samsara são a mesma coisa, projeções de nossa mente dualista.

Uma recomendação dos lamas e dos sutras é a de que pode-se chegar até a outra margem com o barco, mas para se alcançá-la de verdade é necessário abandonar o próprio barco, uma bela metáfora para o desapego, mas também para a própria limitação de Schopenhauer que, pelo que aparentam seus escritos e alguns traços biográficos em desalinho com sua própria filosofia, perdeu-se antes de percorrer o caminho óctuplo e apenas vislumbrou seus degraus, entendendo e repassando duas, das quatro nobres verdades corretamente e fraccionando a terceira, equivocando-se ou ignorando a quarta, uma vez que antes de encontrar a senda do caminho do meio, Buda vivenciou e desaconselhou os caminhos extremos, dentre os quais o ascetismo fora uma das extremidades e sua origem nobre e repleto de desejos e luxos a outra.

Schopenhauer “termina exaltando, em largas páginas, as grandes figuras dos santos cristãos em confusa mescla com os ascetas da Índia”, “o homem que se liberou do Princípio de Individuação, da individualidade fenomênica, e vê a natureza tal qual ela é, não admite mais o consolo da compaixão. Sua vontade se converte, já não se afirma a si mesma, nega sua própria essência da qual o fenômeno não é mais que um espelho. Já não se contenta em amar o próximo, senão que nasce nele um horror ante ao ser do qual é expressão seu próprio fenômeno, ante a vontade de viver, ante ao que é nuclear e essencial do mundo, que considera como um tormento. Renega desta maneira que se manifesta na forma corporal, e todos os seus atos se põe em contradição com ele. Cessa de querer coisa alguma e alimenta em seu coração a indiferença a tudo e por tudo” [2] .

Conjugando os pontos supracitados e os confrontando com o ensinamento budista do caminho óctuplo, bem como com os tantras vajrayanas, que ressaltam os obstáculos como vitais para a prática e não de forma negativa, vislumbra-se outra saída para a negação da vontade universal como cessar da espécie. Enquanto para Schopenhauer o humano é “sacerdote e vítima” [2], onde a salvação depende de sua anulação em vida e aniquilação total com a morte, no ‘grande caminho’ (maha-yana) e ‘caminho do diamante’ (vajrayana) ele se torna um Bodisatva, literalmente um ser de sabedoria (em sânscrito), soldado e protetor da iluminação, que labuta pela liberação de todos os seres renascendo sucessivamente para sensibilizar e esclarecer as pessoas, mostrar-lhes o caminho, sem o qual elas não compreenderão sua natureza.

A dimensão de sacrifício ascético em prol da liberação (do querer viver universal) denota-se extremamente cristão, não tanto carregado e introjetado pela culpa cristã, mas longe do entendimento budista da responsabilidade e compreensão através da sabedoria - para o filósofo o pensamento é a máscara superficial que dissimula a vontade, para o budismo a contemplação (pensar, sentir e intuir) é a via para alcançar a plenitude a partir dos preceitos da motivação pura e da atenção plena que conduzem ao despertar e o asseguram.

Retomando o entendimento ‘schopenhaueriano’ de que não basta cessar o sofrimento de um ser humano, posto que o sofrimento persistirá nos demais, é natural que se chegue à conclusão que apenas os preceitos maha- e vajrayana possam ser parelhos às intenções do autor, uma vez que versam sobre a liberação de todos os seres sencientes – o que engloba não apenas os seres humanos, mas toda a vida; para efeito de foco no estudo, nos ateremos aqui à causa humana, sob a qual também se debruçou Schopenhauer, sem entrar no mérito da identificação do sofrimento nos demais seres ou não, uma vez que este embate leva ao questionamento do princípio vital da filosofia, mas principalmente da solução proposta por Schopenhauer: se o sofrimento cessa com o fim da humanidade - o conhecimento do sofrimento -, posto que não há sofrimento no restante das manifestações da Vontade, ao admitirmos a existência do sofrimento nos demais reinos, levamos o pensamento schopenhaueriano à tolice do extinguir da única saída possível, a conscientização compassiva de nossa espécie e sua vida enraizada na motivação pura e florescida na atenção plena.

Contudo, enveredamos pela escrita do mestre de Danzig com o intuito de trilharmos paralelos e buscarmos convergência em prol do pleno entendimento do caminho de Buda e do engrandecimento daquele que levou o dharma para dentro da filosofia alemã, européia e ocidental e nos abriu assim campo para debatermos inclusive este assunto nestas poucas linhas.

Schopenhauer, tal qual o próprio budismo, é apontado como pessimista por leitores mais apressados. Isto se baseia na premissa budista – e adotada pelo autor como ponto-de-partida para sua filosofia e entendimento de mundo - de que a vida é sofrimento, uma das quatro nobres verdades budistas – a vida é sofrimento; a causa do sofrimento; a extinção da causa do sofrimento; a senda que leva à extinção do sofrimento. Se contemplarmos apenas a primeira nobre verdade, a de que a vida é sofrimento, logicamente afirmaremos que isto se trata de um pensamento e uma constatação pessimistas. Mas se as contemplarmos como um todo, as quatro nobres verdades são um caminho seguro, positivo e crescente para a ascese e o não-sofrimento.

Não entraremos aqui no mérito da dicotomia-base sofrimento-felicidade, posto que são conceitos e não alcançam a realidade última, apenas registraremos, como se faz necessário, que é melhor viver a felicidade que o sofrimento e que para efeito retórico do texto e evolucionista da espécie é muito mais inteligente e lógico se principiar pelo sofrimento para se passar à felicidade do que o contrário, primeiro por ser mais fidedigno à realidade da maioria, segundo por ser um caminho lógico, posto que quem se encontra em felicidade não deveria se preocupar em caminhar rumo ao sofrimento.

Para o autor a felicidade então é não-sofrimento, uma vez que se principia o viver cotidiano neste estado de sofrimento, que no budismo é entendido como enraizado na ignorância, o primeiro dos 12 elos da cadeia de originação interdependente e que culmina na morte. A verdadeira felicidade búdica, contudo, se encontra escondida sob os véus da ignorância dentro de cada ser e tem densidade em si, não apenas refutando aquilo que causa o sofrimento, sendo uma mera negação do mesmo, mas também afirmando as condições e meios para se estabelecer positiva e pró-ativamente o estado da felicidade.

Como alcançar o não-sofrer, a partir do entendimento de Schopenhauer, uma vez que a Vontade encara sempre a frustração - caso não consiga o objeto desejado - ou o tédio - caso consiga alcançar a sua meta. A resposta que emerge é a negação do querer viver, dessa Vontade, desejo-mor. É, portanto, vital se conhecer este querer viver, apoderar-se desta Vontade, deixar-se de ser ignorante quanto à nossa verdadeira realidade (dharma), forjando-se assim a motivação pura de nossa existência, solo fértil no qual se desenvolve o homem renascido como Bodisatva e que se moldará em definitivo através da plena atenção - temos a oportunidade de conscientemente confirmar a graça de nossa existência ou sucumbir cegamente à nossa própria ignorância.

É tênue o equilíbrio entre o entendimento e, principalmente, o controle do impulso sexual, da paixão – amor eros – e o desenvolvimento da compaixão humana-universal – amor ágape. O primeiro nos une à nossa carne, própria e do próximo, o segundo nos une ao todo, ao que é mais elevado, mas o que unirá ambos de natureza tão distinta e que aparentemente não tem interface de diálogo entre si?

Afastamo-nos do palco schopenhaueriano para a entrada em cena do conceito não abordado de philia – amor fraterno, assexuado, altruísta -, possível elo de ligação entre amores, e que no budismo pode ser representado pela sangha, comunidade que aplica na prática a religiosidade – o religare - em busca do aperfeiçoamento e elevação individual e coletiva. Philia, o caminho do meio do amor que confere a força da paixão de eros e a pureza do amor divino aos laços fraternos: vive-se conscientemente não por si, mas pelo outro através da tríade do amor baseado na philia, impulsionado pelo eros – que se eleva - e guiado pela ágape – que se dissemina. Assim fica fácil compreender a certeza de Virgílio – Omnia Vincit Amor -, que ‘o Amor tudo vence’.

Desta maneira consegue-se ultrapassar a vontade de viver e a vontade de morrer, ultrapassando-se o fenômeno e a própria ultrapassagem, chegando-se a fazer tudo com a consciência dhármica: cessa-se o sofrimento do apego e da ignorância que levam à morte e ao sofrimento, passa-se a manifestar as qualidades humanas superiores do Bodisatva, cuja consciência e manifestações atuam preservando e perseverando a vida, com foco na liberação de todos os seres em busca do cessar do sofrimento, sem conceituá-lo e condicioná-lo diretamente à vida no sentido lato senso – uma vez que no stricto senso a vida é sofrimento, como vimos anteriormente.

Há uma alternativa então que expande o entendimento de Schopenhauer e do viver, onde matar o homem através da negação do querer viver não sentencia o fim da espécie e sim afirma as bases para a ‘criação’ de bodisatvas, seres iluminados que se perpetuam para trabalhar pela iluminação dos seres de todos os reinos. Através da ‘morte’ do homem, de seu desapego e aceitação da impermanência dá-se real sentido ao seu caminho, cessa-se o sofrimento, não a vida.

Buda ensinou-nos 84.000 métodos para se alcançar a iluminação, aplicáveis de acordo com o perfil de cada praticante. Repousar tal prática no amor compassivo encurta o caminho sensivelmente. Caminho este que começa no reconhecimento das quatro nobres verdades e adentra o caminho óctuplo de Buda, que dissipa toda dúvida quanto ao sentido do renascimento consciente em prol dos demais seres sencientes.

Mas tudo isto pode também ser um pensamento criado a partir da vontade universal do querer viver, portanto sinta com o coração e intua com a alma, contemple o todo para encontrar a sua verdadeira Vontade, só sua. E de todos nós.

Com agradecimentos especiais à professora Marcia Amaral - do curso de pós-graduação em filosofia do Mosteiro de São Bento/RJ - que me introduziu ao pensamento schopenhaueriano e não apenas avaliou e validou, mas deu importantes diretrizes a este texto.

No Amor,

[1] Wikipedia
[2] Ética em Schopenhauer – Profa. Márcia Amaral
[3] O Mundo como Vontade e Representação
[4] Metafísica do Amor

terça-feira, 22 de julho de 2008

Amor - Alquimia do Ser

Parte-se do desejo, da paixão, de seu tempo; busca-se o amor, preencher o espaço, o vazio que a tudo abarca para chegar-se à compreensão que nosso desejo se transforma na necessidade da compaixão e esta transmutação de valores, é o amor, o verdadeiro conhecimento, a Alquimia do Ser.

No Amor,

Amor é o caminho da transmutação

Amor ao caminho, Paixão à verdade, Compaixão à vida.

Amor é a transmutação da paixão em compaixão, é a espiral ascendente-evolutiva que conduz à ascese.

No Amor,

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Nessun Dorma, Amor!



"Ninguém dorme" (Nessun Dorma) quando ama - quer seja porque se nutre e se torna incansável e invencível quando em equilíbrio ou porque o amor mexe conosco e nos deixa inquietos em busca de harmonia quando ainda está por se encontrar e tornar dois entes um terceiro, forjando uma trindade a partir de duas metades que são plenas apenas com o outro; mesmo que nunca incompletas quando sozinhas.

No Amor,

Amor equilibrado, amor na prática

Amor não pode ser apenas sentimento, não pode ser somente pensamento, deve ser ato, pensado, sentido, praticado.

No Amor,

sábado, 12 de julho de 2008

Amor - a oitava superior da realidade

Amor - e todo este projeto - é por si só a busca, um questionamento profundo pela disposição interior genuína, um desbravar pela completude, um desejo pelo infinito - essa dimensão do desconhecido.

Muitos o buscam fora, poucos o descobrem dentro, mas é inegável que ele a tudo sustenta, a tudo permeia e tudo é - a infinita finitude do Ser e das coisas.

Amor é em última instância estar presente e reconhecer a verdadeira natureza das coisas: é vivenciar a mesma realidade com uma qualidade uma oitava superior.

No amor,

Tempo, Espaço, Conhecimento e Amor

Somos parceiros do espaço por meio da existência física, parceiros do tempo por meio das ações e parceiros do conhecimento por meio da nossa consciência - Tarthang Tulku Rinpoche

Acrescentaria:

Somos parceiros do amor por meio do sentimento (ágape), da busca (eros) por compreensão e do pleno entendimento e aceitação (philia).

No Amor,

domingo, 6 de julho de 2008

Amor - o caminho secreto da evolução


Deste esquema pode-se ter inúmeras indagações, apontamentos e encaminhamentos. Gostaria de ressaltar um par de coisas para deixar no ar umas e sacramentar outras.

Das demonstrações almejadas
  • Se evolução é expansão, partimos do Eros - interno e primitivo - para a Philia - externa e evoluída; C.Q.D.
  • Em todas as religiões que conheço o controle e correta canalização da libido é fator crucial para a elevação e evolução, também aqui a evolução do Eros para a Philia vai contra o fluxo do que chamei de Força Schopenhaueriana (em homenagem ao grande filósofo Arthur que identificou corretamente este 'drive' que nos 'manipula') e, portanto, contra a procriação desordenada (algo positivo tanto para o indivíduo, quanto para a sociedade), C.Q.D.

  • Compaixão infinita abarca tanto o Eu, quanto o outro e o Nós - comumente esquece-se no mínimo de um deles: o egoísta do outro, o altruísta de si, a maioria do coletivo que a tudo - não apenas aos humanos - abarca. A esfera representa aqui então o Eu, o outro em mim e a pluralidade da criação presente em nós, que quando amorosamente observados podem levar à harmonização interna, evidenciada e projetada diretamente para as ações exteriores. Esta atenção plena do indivíduo fortalecido - que se torna o observador - tendo em mente o círculo da compaixão e os elementos inerentes a ele possibilitam a manutenção da motivação pura do lema Altiora Semper Petens. Assim conseguimos abarcar através do círculo da compaixão todas as nossas possibilidades, as forças contrárias e o modelo de relação ao mundo exterior - a compreensão e o correto uso do círculo da compaixão pertence aos fortes e emancipados (em relação às suas forças contrárias internas e às forças externas, de outrem ou do meio); C.Q.D.

  • Santo Agostinho poderia encaixar sua ordenação da seguinte maneira: o Amor a si (Eros), o Amor ao Outro (Philia), o Amor à criação (Ágape) - o que resulta em uma interpretação dúbia de amor incondicional à tudo, à criação, o que por esse lado fecha com a teoria agostiniana, mas também pode levar à interpretação de que Deus é uma criação humana, o que de fato não se enquadra na visão do Santo Filósofo. Contudo, se entendermos que o que conhecemos do Infinito faz parte de nossa concepção finita, explica-se como Ágape pode ser nossa concepção do divino, a projeção divina sobre nós, sendo Deus em si o observador/círculo da compaixão, que nos confere os meios hábeis para nossa evolução: tanto a Força impulsiva (Eros), quanto a Força repulsiva (F.S.), o círculo/mandala no qual tudo se erige e a Luz da sabedoria - acessível com certo esforço, que é o ato de canalizar a libido para fins superiores, levando Eros a sair da relação de confronto com a Força Schopenhaueriana e alçar vôos mais elevados ao se relacionar com Ágape, transmutando Eros para Philia através do Amor Ágape, do caminho percorrido, da verdade descoberta, da vida vivida; C.Q.D.
  • Apenas no equilíbrio de cada uma das forças envolvidas é que se possibilita por um lado sublimar a Força Schopenhaueriana, por outro edificar tal pirâmide de maneira sustentável, sendo o objetivo final a recondução da Força Schopenhaueriana para Eros recanalizar e subverter novamente, até se pacificar tal energia contrária levando a uma fluidez e equilíbrio harmônico; C.Q.D.

Dos pressupostos

  • No sentido estrito somos desejo puro, primitivo, Eros, que veio através da Ágape evoluir para Philia, transmutando energia - Força e Luz - através da Sabedoria; no sentido amplo somos a conjunção destas 3 esferas (Eros, Ágape e Philia)

  • Externo, Interno e Secreto são terminologias budistas que ousei adotar livremente, pois me fazem bastante sentido neste contexto e auxiliam em uma convergência de visões entre ocidente e oriente

  • Motivação Pura e Atenção Plena são igualmente terminologias budistas ligadas diretamente à meditação que deve ser uma constante em nossas vidas e que se aplicam corretamente neste mosaico

  • Círculo da compaixão é a compreensão intelectual desse esforço (conatus) evolutivo que abarca tanto o entendimento da relação das forças, quanto a não-identificação e desapego aos fatores individuais, gerando o observador onipotente que consegue identificar as questões, mas não se envolver, possibilitando um auxílio útil caso necessário. Procurei mesclar aqui o conceito cristão de compaixão - o compadecer -, o de Baruch Spinoza - compaixão como a atitude de ser justo, honesto e útil com outros homens pelo ditame da Razão - na busca por ocidentalizar minha compreensão da compaixão budista que a meu ver é a justa medida das melhores partes de ambos os conceitos retrocitados.


  • Cada Ser tem seu círculo de compaixão e o Todo é formado por um mosaico coletivo Uno a partir destas esferas individuais, sendo um observador para cada Ser - o Eu Superior - e um Observador, o Nós Superior, D.E.U.S. - Domínio Equanime na União dos Seres.

  • Parto do pressuposto que Deus é Amor, Compaixão Infinita tal qual está na encíclica de Bento XVI, tal qual está na bíblia, tal qual é declamado pelos Sufis do Islã e de maneira similar por todas as grandes religiões do mundo, quer elas tenham Deus como sendo o criador, co-existente ao Universo, monoteístas ou politeístas; não me obrigo aqui, tampouco em minha vida pessoal a determinar isto. Nossa compreensão finita não alcança o infinito de Sua existência; vislumbramos a magnitude do infinito apenas através da vivência da fé. E se ele não existir, tanto faz eu me indagar ou não quanto a ele. Se Ele existir de maneira absoluta e criadora, sua grandeza e compaixão não o deixarão em absoluto se sentir ofendido com minhas indagações em uma busca sincera e amorosa por realizar em mim a imagem d´Ele. Ou simplesmente evoluir de animal-humano para humano-divino. Afinal, não fomos feitos à Sua imagem e semelhança? Não temos todos a essência iluminada, a centelha divina?

Amor, maior religare de todos, nosso caminho secreto para a iluminação/evolução.

No Amor, no caminho, na verdade e na vida,

Amor "orgânico"

Que o amor é algo essencial, que vivifica, suaviza e harmoniza tudo ao seu redor disto ninguém duvida: basta viver um grande amor para fazer desta uma afirmação inquestionável - quanto mais elevado e completo nas 3 esferas (eros, ágape e philia) mais inabalável e durável esse amor será.

Mas estas linhas não versam sobre outro tópico senão a representação do quão essencial o Amor é para o ser humano: e isto na forma de órgão-porta-voz.

Comumente representado pelo coração, responsável pelo bombeamento do sangue por todo nosso corpo e o que consequentemente nos vivifica, há desde os gregos um questionamento sobre se outras partes do corpo não seriam dignas de tais honrarias de serem representantes do maior e mais nobres dos sentimentos.

Fígado - responsável por metabolizar as substâncias no organismo tem a seu favor a característica amorosa da transmutação - e não é o Amor o maior dos transmutadores? Cabe a ele também a produção do Fel, que deixa aquele gosto amargo em nossa boca - da mesma maneira que o amor o faz quando se parte em dor e se despedaça em ilusão.

Rins - o filtro do organismo, tal qual o Amor é o filtro da alma. Se não filtrarem o corpo pára. Se não amarmos a alma deixa de ascender, pois fica pesada.

Derme - a pele ajuda na respiração do corpo e, principalmente, na sensibilidade e sensações. Amar nos traz novos ares, respiramos mais leves e sentimos mais - com mais intensidade e melhor qualidade, revelando o nosso melhor lado.

Órgãos reprodutores - a obviedade me obriga a poupar palavras e a apenas reforçar que apenas o Amor crea (creação é a divina, que se origina do nada; criação aquilo que se origina de elementos pré-existentes) de verdade, dando, recebendo, concebendo em conjunto.

Contudo, defendem os 'pró-coração', é nele que reside a fagulha divina - fato comprovado em estudos científicos que identificam a existência de células/átomos de composição levemente alterada no centro do coração - confesso que careço de fontes, mas prometo pesquisar para trazer este dado. Aceito contribuições neste sentido.

Por fim, tendencio a uma solução mais ampla: a de que o coração e o sangue são os representantes do Amor, mas também todos os demais órgãos, cada um a sua maneira.

O que parece uma resposta diplomática ou indecisa reforça apenas o entendimento de amor nas 3 esferas e onipresente, sendo emanado/bombeado por um centro (amante/coração) que se relaciona e envolve/irriga (amor/sangue) com algo externo (amado/órgão) - a natureza deste relacionamento dependerá de variáveis presentes nestas 3 esferas, notoriamente da qualidade do amado órgão, mas, acima de tudo, da capacidade ímpar do coração de bombear sem distinção, amando equanimemente à todos com quem se relaciona e deixando o (sangue) amor fluir.

Pode-se ainda buscar correlacionar o sangue ao Eros, pois é o desejo, aquele impulso que vai até o objeto desejado; daí também a máxima "da cor da paixão". A relação com o amado órgão poderia ser analisada como philia, aquela parceria e amizade que respeita as diferenças e se forja positivamente a cada contato. O coração em si pode ser analisado como philia, o amor incondicional ou voltado a uma determinada atividade: disseminar equanimemente o impulso da cooperação amorosa por todo o corpo.

No Amor em seu coração, veias e em cada órgão, exalando amorosidade,

sábado, 5 de julho de 2008

Ame por 3 - por sí, pelo outro, pela relação!

Ame, primeiramente à Deus, esse amor em si, essa capacidade (re)generativa que nos possibilita sempre (re)começar.

Ame a si mesmo sem limites, assim você poderá amar ao próximo com a mesma generosidade.

Ame a vida, berço amoroso que possibilita esses 3 amores - eros, ágape, philia.

SAN

K1