O Amor é o motor-habilidade do Ser, vida que se atualiza a cada re-tensão, atualização da convergência dos impulsos à vontade e da convergência destas em intenções.
No diálogo que somos,
O Amor é o motor-habilidade do Ser, vida que se atualiza a cada re-tensão, atualização da convergência dos impulsos à vontade e da convergência destas em intenções.
No diálogo que somos,
Guardar uma rosa com carinho
É guardar-lhe o aroma na mente
E no coração, o espinho.
Na imagem que nunca desbota, enruga ou envelhece, pura visão de nosso Ser em união,
Como incendiária se aproximastes,
Tacavas fogo na aridez de minha manifestação,
Tornando-me fértil outra vez.
Tal qual viestes, fostes
devastando-me
Mas não levastes de mim o mais importante,
A chama da vida, que para todo sempre arde em minha mente-coração.
Como Lucifer,
Trouxestes o Fogo de Prometeus.
Não cumpristes com nada além de teu destino
Que já não se cruza com o meu, mas, cúmplice, acompanha.
Caminhemos juntos, ambos incendiários de nós mesmos, apóstolos da ignição divina.
No Fogo de nosso olhar, que sutilmente aquece nosso Ser e nos eleva,
Teu é o nome que ecoa em minha caverna.
Meu é o despertar de um sonho profundo - precipito-me à cidade, subo ao altar, lanço-me ao mar.
Teu é o cais do porto - seguro meu horizonte com a fita de meu olhar laço a esperança de no infinito lhe encontrar.
Teu é o vento que infla minhas velas.
Teu é o vai-e-vem do mar de minhas emoções.
Teu sempre será todo meu coração.
Onde estás tu, Ser amado?
Por que me deixastes te procurando, seguindo tua voz, se te encontravas sempre comigo ecoando na caverna de meu coração, sendo bússola e ímã, princípio sem fim - és a busca, o buscado e o buscador.
Cessa em mim essa busca e dor e dá-me o prazer do reencontro e Amor.
Que tolo que sou. Peço-lhe o que somente eu posso conquistar: a serenidade de conhecer, apreciar e contemplar que somos todos um, tu e eu, eu e tu, um nós sem nós, um fluir por entre pontos - de vistas enriquecidas pela tua presença, essa rede que sustenta toda manifestação, que nada mais sou que eu mesmo lançado ao infinito e reconhecido na potência da interação.
Por ti e através de ti, me reencontrei.
No ocaso do destino, o acaso de nosso livre árbitro, determinação de nossa vontade, pura razão prática,
Don Juan
Bon vivant
Solitário em meio a suas presas
Indefeso contra si mesmo
Saliva de vontade
Sabendo não dever
Sem mais saber o que fazer
Sem mais sabor de viver
Mas há sabor nas coisas em si?
Ou é tudo fecunda interação?
Somos nós sabor, saliva, destino de nós mesmos.
No harem de desejos se forjando em apreciação,
A tranqüilidade reside na simplicidade.
A simplicidade consiste na consciente canalização dos fluxos.
E a consciente canalização dos fluxos na prática/respiração ocorre no lidar equânime com todos os fenômenos que compõem a realidade complexa e multifacetada.
Na simples unidade do Todo que é Logos e faz naturalmente sentido no jogo tântrico da interdependência dos opostos complementares e co-emergentes,
Ação é aquilo que deve ocorrer entre a inspiração e a expiração, cadenciado pelo ritmo da vida que se manifesta em nosso corpo pela respiração e pela pulsação, que por sua vez se retroalimentam.
Primeiro nos inspiramos para em seguida agir, mas também este momento se expira e é necessário tomar novamente fôlego para empreender nova ação - de confirmação ou de transformação.
A inspiração se torna entusiasmo quando amorosamente acolhemos os fluxos como complementares e ao invés de irmos contra fluimos junto, conduzindo o fluxo a sua perfeição, que não é outra senão o alcance e realização do ponto de convergência que sustenta o Todo, o processo que compreende todas as ações e perspectivas singulares. A consciência nasce da contemplação das três etapas que forjam o fluxo, do conseqüente acolhimento daquilo que necessita ser feito e da aceitação dos opostos que se tornam complementares. No sair de si para retornar mais pleno, na atenção a cada detalhe que co-labora com o Todo,
Por trás de meu olhar, intenção.
Nos cantos do sorriso, paixão.
De meu peito transborda emoção.
Será toda espera ilusão?
O que se espera?
Se o passado é agora,
O futuro é aqui.
Será o tempo quimera?
Só há espaço
Para o silêncio,
Aprendizado
E contentamento.
Mais não posso
No momento.
Perda de foco?
Sofrimento?
Liberdade
De conscientemente esperar
Maturidade
Para Eros canalizar
Na jornada de Belerofonte, montado no cavalo alado do coração,
O contrário de morte não é vida, é nascimento; vida engloba isto e muito mais, compreende o viver - e o faz com toda sua intensidade, canalizando toda energia ao destino escolhido.
Vida = nascimento + morte
E essa soma é o viver, é interação entre opostos, é plenitude pra valer. Quanto maior a interação, maior a interdependência consciente, mais a vida se torna Amor, mais intensa e mais vontade de viver surge.
Na complementariedade de toda existência,