Pai-Mãe,
Quando você morrer,
morre em mim o filho.
Acaba o espaço lúdico, o refúgio da criança,
e começa o tempo hos me, o tempo de espera - suspensão ao fim, "adultez" sem cura ou volta.
Menino, antes de dar adeus ao mundo,
quero ainda rir de montão,
estarmos juntos, trocar carinhos,
confidências, olhares, sorrisos.
Momentos inesquecíveis
Que farão minha velhice
- mais feliz
e minhas lembranças
- mais saudosas
Prefiro a dor de tê-las
e ter que delas desapegar
do que a dor de me apegar
à cobranças e lamentos.
Quero, ao morrer, dizer SIM! à minha vida.
Quero renascer livre e amante a todo momento.
E isto só poder ser feito com Amor, construído a cada instante e interação - confirmando-se e à potência.
Só o forte consegue dar sentido a si em meio ao vazio, exercendo a sabedoria da priorização, superando o nada através do Amor, escolhendo conscientemente os momentos a serem eternizados - diluídos ao final, como lágrimas na chuva.
Quero me entregar a este fluxo continuum com toda fé, ser Amor fati - fazer o que tem que ser feito, Amar fazer o que tem que ser feito, saber e escolher sorridentemente o que tem que ser feito.
No momento da ressurreição, nascimento da força transcendental do Amor,