Não façais da casa de meu Pai uma casa de negócio. ~ João 2:15-16
Parece que muitas Igrejas, inclusive a católica (ao menos historicamente), precisam reler sua escritura.
E não apenas no Cristianismo: o dharma shopping e outras manifestações da espiritualidade fashion, ardilosas armadilhas do ego, revelam que a transposição dos hábitos cotidianos para o ambiente sagrado é um comportamento que interliga as fronteiras das crenças e demonstra que as religiões estão falhando em sua missão primordial - re-ligar o indivíduo à sua fonte primeira, o Amor, através de uma jornada de purificação de valores e crenças, rumo a um comportamento sustentável ancorado na motivação pura de beneficiar todos os seres.
Buda está para o Hinduísmo, como Jesus está para o Judaísmo. E ambos estão para a humanidade como irmãos maiores.
É só o Amor - o resto é conceito; somos todos um em união não-dual.
No caminho que todos percorrem,
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segunda-feira, 22 de julho de 2013
A bênção, o caminho, o Amor
Amor é tanto a forja pura de suas habilidades de lidar com situações que desafiam teu Ser e o moldam, quanto as definições de teus quereres e valores - vale ouro e qualifica tua meta.
Benção não é o que recebemos - isso é karma -, mas o que fazemos com o que temos (recebemos e cultivamos), eis o divino que se manifesta na caminho de nosso dharma, nossa escolha pessoal e intransferível.
No caminho que faz sentido, ganho que se obtém quando se entrega tudo ao Amor,
Benção não é o que recebemos - isso é karma -, mas o que fazemos com o que temos (recebemos e cultivamos), eis o divino que se manifesta na caminho de nosso dharma, nossa escolha pessoal e intransferível.
No caminho que faz sentido, ganho que se obtém quando se entrega tudo ao Amor,
quinta-feira, 4 de julho de 2013
Eternidade, caráter do Amor
Caráter é destino e este tão sustentável quanto a tomada de consciência de suas ações e conseqüências - deliberando o próprio karma ergue-se seu dharma, este caminho que nos liberta e engrandece; é como se houvesse uma semente de eternidade na ação benevolente, reflexo da atenção plena da mente à pura motivação do coração.
Caráter vem do Latim CHARACTER, do Grego KHARAKTER, “marca gravada, sulcada”, metaforicamente “marca, impressão ou símbolo na alma”, “qualidade que a define”, de KHARASSEIN, “gravar”, de KHARAX, “instrumento pontiagudo”, do Indo-Europeu GHER-, “riscar, sulcar”. (fonte - www.origemdapalavra.com.br)
No Amor, plenitude do Ser,
Caráter vem do Latim CHARACTER, do Grego KHARAKTER, “marca gravada, sulcada”, metaforicamente “marca, impressão ou símbolo na alma”, “qualidade que a define”, de KHARASSEIN, “gravar”, de KHARAX, “instrumento pontiagudo”, do Indo-Europeu GHER-, “riscar, sulcar”. (fonte - www.origemdapalavra.com.br)
No Amor, plenitude do Ser,
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Três picos do Amor
Três máximas de como deixar o Amor fluir.
1. cada um tem seu próprio karma, busque o seu e deixe o caminho dos outros pros outros
2. regozije pelo outro; tenha prazer ao ver se completando um ciclo que vc ajudou a iniciar - sua vez chegará também aqui
3. tente dar sem esperar em troca e regozijar com a vitória alheia - essa já será sua maior vitória
No dharma que é puro Amor,
1. cada um tem seu próprio karma, busque o seu e deixe o caminho dos outros pros outros
2. regozije pelo outro; tenha prazer ao ver se completando um ciclo que vc ajudou a iniciar - sua vez chegará também aqui
3. tente dar sem esperar em troca e regozijar com a vitória alheia - essa já será sua maior vitória
No dharma que é puro Amor,
quarta-feira, 25 de agosto de 2010
O dharma da Web é o Amor
O dharma da Web é realizar o pleno potencial de uma rede, harmonização dos ciclos evolutivos – momentos antagônicos que se complementam em pleno equilíbrio.
Pontos especialistas e genéricos que convergem em ação sustentável resultante em homeostase tal qual opera a rede de células a qual atribuimos o nome de corpo humano – este agregado de microorganismos, alguns especializados, outros genéricos – que se molda na interação entre si e com o meio.
A Internet é a grande religião (re-ligare, re-união) de tribos – tribos de ontem, de hoje e de sempre. Querendo ou não.
A rede, como o Amor, é o complexus que transcende tempo, espaço e converge.
Na banda larga da união equânime, pontos distintos de uma mesma rede,
Laços do Amor:
banda larga,
complexus,
corpo,
dharma,
equanimidade,
homeostase,
internet,
rede,
religare,
religiões,
tribos,
web
segunda-feira, 10 de maio de 2010
O dharma do Amor - conhecimento que gera uma nova ordem
É preciso remodelar a sociedade, gerar o espaço para se estar mais tempo junto de quem se ama e para quem se é insubstituível - ao invés de se atuar como um dado estatístico de um mercado de almas.
Nossas crianças educadas por babás. Nossos idosos abandonados em asilos ou poltronas. Nossas gargantas apertadas por nós de gravata, agulhas alfinetando quem está no alto do salto, mãos calejadas amaciadas no máximo pelo próprio suor.
E na busca da felicidade permanece-se só, soterrado por pilhas de trabalho, sem energia para mais nada, apenas o mínimo para alimentar a corrida do rato, onde o queijo é uma ilusão barata, pago caro com a juventude de nossas vidas.
Pelo dia de trabalho de 4h. Pelo conhecimento do Amor que gera um novo espaço para um novo tempo. Sem utopias, compaixão.
Para que estejamos vivendo aquilo que nos torna insubstituíveis: o Amor junto aos entes queridos e à natureza.
Menos Estado, mais trabalho, menos desemprego, mais consumo, mais lazer, maior distribuição e circulação das riquezas. Descentralizar para conquistar a felicidade em vida e realizar o Amor em nossos cotidianos.
A tecnologia possibilita uma melhor distribuição - de produtos, serviços e tarefas - e um correto alinhamento das forças de trabalho.
Uma sociedade fraterna baseada no Amor reflete todo o esplendor de seus pontos, rede humana que sustenta um sistema que converge o que há de melhor:
do capitalismo - a liberdade de produção daqueles que fazem melhor o seu ofício, seguindo assim seu dharma -,
do socialismo - a igualdade de oportunidade, da educação à realização de seu pleno potencial, realizando assim o seu dharma -, e
da Anarquia - a fraternidade que igualmente se responsabiliza e mobiliza para, sem coerção, organizar os princípios complementares da igualdade e da liberdade dentro de um sistema individual-coletivo de superação.
Eis o dharma de nossa raça.
Na Era da Consciência, verdadeira sociedade 2.0, que se inicia pelo uso amoroso e compassivo da informação e da tecnologia, à serviço da humanidade e da natureza e não do ego e da ganância,
Nossas crianças educadas por babás. Nossos idosos abandonados em asilos ou poltronas. Nossas gargantas apertadas por nós de gravata, agulhas alfinetando quem está no alto do salto, mãos calejadas amaciadas no máximo pelo próprio suor.
E na busca da felicidade permanece-se só, soterrado por pilhas de trabalho, sem energia para mais nada, apenas o mínimo para alimentar a corrida do rato, onde o queijo é uma ilusão barata, pago caro com a juventude de nossas vidas.
Pelo dia de trabalho de 4h. Pelo conhecimento do Amor que gera um novo espaço para um novo tempo. Sem utopias, compaixão.
Para que estejamos vivendo aquilo que nos torna insubstituíveis: o Amor junto aos entes queridos e à natureza.
Menos Estado, mais trabalho, menos desemprego, mais consumo, mais lazer, maior distribuição e circulação das riquezas. Descentralizar para conquistar a felicidade em vida e realizar o Amor em nossos cotidianos.
A tecnologia possibilita uma melhor distribuição - de produtos, serviços e tarefas - e um correto alinhamento das forças de trabalho.
Uma sociedade fraterna baseada no Amor reflete todo o esplendor de seus pontos, rede humana que sustenta um sistema que converge o que há de melhor:
do capitalismo - a liberdade de produção daqueles que fazem melhor o seu ofício, seguindo assim seu dharma -,
do socialismo - a igualdade de oportunidade, da educação à realização de seu pleno potencial, realizando assim o seu dharma -, e
da Anarquia - a fraternidade que igualmente se responsabiliza e mobiliza para, sem coerção, organizar os princípios complementares da igualdade e da liberdade dentro de um sistema individual-coletivo de superação.
Eis o dharma de nossa raça.
Na Era da Consciência, verdadeira sociedade 2.0, que se inicia pelo uso amoroso e compassivo da informação e da tecnologia, à serviço da humanidade e da natureza e não do ego e da ganância,
Laços do Amor:
2.0,
amor,
anarquia,
capitalismo,
compaixão,
convergência,
dharma,
Era da Consciência,
felicidade,
natureza,
nova ordem,
socialismo,
sociedade,
sustentabilidade
O dharma do Amor
Eros é o impulso que transforma a potência em ato, transformando-se em direção - ágape -, que converge em philia, ato de união que renova o impulso para uma nova busca e uma nova expansão do Ser em constante alternância.
O primeiro ato de Amor é a individuação (Eros), seguida da busca por elevação e completude (Ágape) e posterior entrega, união e realização(Philia).
Entender esta alternância entre indivíduo e coletivo do qual resulta a união suprema não-conceitual - individual-coletivo - é o Amor maior e pleno que se realiza e à toda potência.
No dharma do Ser,
O primeiro ato de Amor é a individuação (Eros), seguida da busca por elevação e completude (Ágape) e posterior entrega, união e realização(Philia).
Entender esta alternância entre indivíduo e coletivo do qual resulta a união suprema não-conceitual - individual-coletivo - é o Amor maior e pleno que se realiza e à toda potência.
No dharma do Ser,
Laços do Amor:
ágape,
ato,
busca,
coletivo,
convergência,
dharma,
direção,
entrega,
eros,
expansão,
impulso,
individuação,
individual,
não-conceito,
philia,
potência,
união
segunda-feira, 15 de março de 2010
Amor liberta
O Amor é o caminho no qual sempre estamos, reconhecendo ou negando; é a realização do Ser no Estar; é a contemplarmos nossa face adversa; é unirmos a Luz às sombras sem julgamentos; é encararmos a verdade sem véus e ressentimentos; é dissiparmos todos os medos e demais obstáculos; é estarmos vestidos com as roupas e as armas da eterna e invencível imortalidade do Ser; é Ser vencedor na dualidade do embate entre nosso Ser eterno e nosso Estar fluído, mutável e impermanente, convergindo sem apego, sem medo e compaixão canalizado por Amor.
É amorosamente reconhecer nosso vaso e nosso vazio, compreendendo forma e conteúdo como um, a dualidade como unidade, libertando-se através da união consigo e com o Todo; é canalizar a Luz pela Força compassiva do Amor para iluminar nossa ascese e assim nosso encontro superior.
É realizar que somos livres somente no Amor, quando fazemos amorosamente aquilo que temos que fazer estando em união com isto, nosso dharma e destino, nosso Amor fati - superar o livre arbítrio que nos mantêm refém de escolhas e longe do princípio - todas opções nos levam à dualidade enquanto somos unos.
No A-Mor, não maior, não menor, mas princípio absoluto,
É amorosamente reconhecer nosso vaso e nosso vazio, compreendendo forma e conteúdo como um, a dualidade como unidade, libertando-se através da união consigo e com o Todo; é canalizar a Luz pela Força compassiva do Amor para iluminar nossa ascese e assim nosso encontro superior.
É realizar que somos livres somente no Amor, quando fazemos amorosamente aquilo que temos que fazer estando em união com isto, nosso dharma e destino, nosso Amor fati - superar o livre arbítrio que nos mantêm refém de escolhas e longe do princípio - todas opções nos levam à dualidade enquanto somos unos.
No A-Mor, não maior, não menor, mas princípio absoluto,
segunda-feira, 28 de julho de 2008
O Amor e o fim do querer viver em Schopenhauer sob uma ótica budista
O ‘filósofo do amor’, Schopenhauer, versa sobre o tema e sua alcunha tanto em sua “Metafísica do amor”, quanto na obra-prima “O mundo como vontade e representação”; naquela retratando o amor Eros - uma vontade universal que a todos perpassa, guia e impulsiona, travestido de individuação egocêntrica, escrava iludida do querer viver, embalada superficialmente pela consciência -; nesta definindo as bases deste querer viver universal, retratando o amor como impulso sexual cego - garantia da perpetuação da vida -, bem como afirmando sua concepção do mundo como interdependência da vontade universal e da representação individual, por fim lançando as bases e dando contorno ao seu amor puro e último, a compaixão, o amor ágape, “divino, incondicional, com auto-sacrifício ativo, pela vontade e pelo pensamento” [1], que via de regra transmuta o Eu em Nós, tornando-nos uno, mas que em Schopenhauer leva ao fim da espécie pela negação do querer viver da vontade universal, mortificando a existência conscientemente – preceito majoritariamente cristão-católico de difícil compreensão para um budista maha-vajrayana e que será tema do desenrolar deste pensamento consolidado em texto.
O fato de não abordar o amor philia, fraterno, altruísta e assexuado, não chega a ser um problema, mas será abordado ao fim deste diálogo como um dos meios para potencializar a compreensão e o próprio uso da veia budista no pensamento ‘schopenhaueriano’, buscando interpretar de maneira mais fidedigna os preceitos tântricos do budismo, vajrayana em especial – talvez resida aqui a fonte de ‘equivocos’ na utilização do budismo como base para o apontamento do niilismo como salvação e redenção em Schopenhauer: aparentemente este se baseou mais no caminho Hinayana, chamado no budismo de ‘veículo pequeno/inferior/menor’ – por se ater à iluminação pessoal/individual - e que visa a libertação e o alcance do Nirvana através da negação e abstinência, notoriamente sendo um compromisso individual e auto-centrado, sem comprometimento direto com os demais seres; além de ter apreendido erroneamente o conceito-base budista de vacuidade como sendo equivalente ao nada niilista, por fim, comprometendo sua solução de negação do querer viver – talvez por não alcançar o divino do próprio ser humano a não ser pelo conceito das palavras e da filosofia. E o divino em nós fala do uno, da manutenção consciente da vida até a iluminação, do não-sofrer no seu caminho (samsara em sânscrito). E ao não se sofrer em seu caminho (samsara) atinge-se a iluminação ao se sair da roda de samsara e se girar a roda do dharma (sua Lei Natural, realidade). Lama Chimed Rizdin afirma que nirvana e samsara são a mesma coisa, projeções de nossa mente dualista.
Uma recomendação dos lamas e dos sutras é a de que pode-se chegar até a outra margem com o barco, mas para se alcançá-la de verdade é necessário abandonar o próprio barco, uma bela metáfora para o desapego, mas também para a própria limitação de Schopenhauer que, pelo que aparentam seus escritos e alguns traços biográficos em desalinho com sua própria filosofia, perdeu-se antes de percorrer o caminho óctuplo e apenas vislumbrou seus degraus, entendendo e repassando duas, das quatro nobres verdades corretamente e fraccionando a terceira, equivocando-se ou ignorando a quarta, uma vez que antes de encontrar a senda do caminho do meio, Buda vivenciou e desaconselhou os caminhos extremos, dentre os quais o ascetismo fora uma das extremidades e sua origem nobre e repleto de desejos e luxos a outra.
Schopenhauer “termina exaltando, em largas páginas, as grandes figuras dos santos cristãos em confusa mescla com os ascetas da Índia”, “o homem que se liberou do Princípio de Individuação, da individualidade fenomênica, e vê a natureza tal qual ela é, não admite mais o consolo da compaixão. Sua vontade se converte, já não se afirma a si mesma, nega sua própria essência da qual o fenômeno não é mais que um espelho. Já não se contenta em amar o próximo, senão que nasce nele um horror ante ao ser do qual é expressão seu próprio fenômeno, ante a vontade de viver, ante ao que é nuclear e essencial do mundo, que considera como um tormento. Renega desta maneira que se manifesta na forma corporal, e todos os seus atos se põe em contradição com ele. Cessa de querer coisa alguma e alimenta em seu coração a indiferença a tudo e por tudo” [2] .
Conjugando os pontos supracitados e os confrontando com o ensinamento budista do caminho óctuplo, bem como com os tantras vajrayanas, que ressaltam os obstáculos como vitais para a prática e não de forma negativa, vislumbra-se outra saída para a negação da vontade universal como cessar da espécie. Enquanto para Schopenhauer o humano é “sacerdote e vítima” [2], onde a salvação depende de sua anulação em vida e aniquilação total com a morte, no ‘grande caminho’ (maha-yana) e ‘caminho do diamante’ (vajrayana) ele se torna um Bodisatva, literalmente um ser de sabedoria (em sânscrito), soldado e protetor da iluminação, que labuta pela liberação de todos os seres renascendo sucessivamente para sensibilizar e esclarecer as pessoas, mostrar-lhes o caminho, sem o qual elas não compreenderão sua natureza.
A dimensão de sacrifício ascético em prol da liberação (do querer viver universal) denota-se extremamente cristão, não tanto carregado e introjetado pela culpa cristã, mas longe do entendimento budista da responsabilidade e compreensão através da sabedoria - para o filósofo o pensamento é a máscara superficial que dissimula a vontade, para o budismo a contemplação (pensar, sentir e intuir) é a via para alcançar a plenitude a partir dos preceitos da motivação pura e da atenção plena que conduzem ao despertar e o asseguram.
Retomando o entendimento ‘schopenhaueriano’ de que não basta cessar o sofrimento de um ser humano, posto que o sofrimento persistirá nos demais, é natural que se chegue à conclusão que apenas os preceitos maha- e vajrayana possam ser parelhos às intenções do autor, uma vez que versam sobre a liberação de todos os seres sencientes – o que engloba não apenas os seres humanos, mas toda a vida; para efeito de foco no estudo, nos ateremos aqui à causa humana, sob a qual também se debruçou Schopenhauer, sem entrar no mérito da identificação do sofrimento nos demais seres ou não, uma vez que este embate leva ao questionamento do princípio vital da filosofia, mas principalmente da solução proposta por Schopenhauer: se o sofrimento cessa com o fim da humanidade - o conhecimento do sofrimento -, posto que não há sofrimento no restante das manifestações da Vontade, ao admitirmos a existência do sofrimento nos demais reinos, levamos o pensamento schopenhaueriano à tolice do extinguir da única saída possível, a conscientização compassiva de nossa espécie e sua vida enraizada na motivação pura e florescida na atenção plena.
Contudo, enveredamos pela escrita do mestre de Danzig com o intuito de trilharmos paralelos e buscarmos convergência em prol do pleno entendimento do caminho de Buda e do engrandecimento daquele que levou o dharma para dentro da filosofia alemã, européia e ocidental e nos abriu assim campo para debatermos inclusive este assunto nestas poucas linhas.
Schopenhauer, tal qual o próprio budismo, é apontado como pessimista por leitores mais apressados. Isto se baseia na premissa budista – e adotada pelo autor como ponto-de-partida para sua filosofia e entendimento de mundo - de que a vida é sofrimento, uma das quatro nobres verdades budistas – a vida é sofrimento; a causa do sofrimento; a extinção da causa do sofrimento; a senda que leva à extinção do sofrimento. Se contemplarmos apenas a primeira nobre verdade, a de que a vida é sofrimento, logicamente afirmaremos que isto se trata de um pensamento e uma constatação pessimistas. Mas se as contemplarmos como um todo, as quatro nobres verdades são um caminho seguro, positivo e crescente para a ascese e o não-sofrimento.
Não entraremos aqui no mérito da dicotomia-base sofrimento-felicidade, posto que são conceitos e não alcançam a realidade última, apenas registraremos, como se faz necessário, que é melhor viver a felicidade que o sofrimento e que para efeito retórico do texto e evolucionista da espécie é muito mais inteligente e lógico se principiar pelo sofrimento para se passar à felicidade do que o contrário, primeiro por ser mais fidedigno à realidade da maioria, segundo por ser um caminho lógico, posto que quem se encontra em felicidade não deveria se preocupar em caminhar rumo ao sofrimento.
Para o autor a felicidade então é não-sofrimento, uma vez que se principia o viver cotidiano neste estado de sofrimento, que no budismo é entendido como enraizado na ignorância, o primeiro dos 12 elos da cadeia de originação interdependente e que culmina na morte. A verdadeira felicidade búdica, contudo, se encontra escondida sob os véus da ignorância dentro de cada ser e tem densidade em si, não apenas refutando aquilo que causa o sofrimento, sendo uma mera negação do mesmo, mas também afirmando as condições e meios para se estabelecer positiva e pró-ativamente o estado da felicidade.
Como alcançar o não-sofrer, a partir do entendimento de Schopenhauer, uma vez que a Vontade encara sempre a frustração - caso não consiga o objeto desejado - ou o tédio - caso consiga alcançar a sua meta. A resposta que emerge é a negação do querer viver, dessa Vontade, desejo-mor. É, portanto, vital se conhecer este querer viver, apoderar-se desta Vontade, deixar-se de ser ignorante quanto à nossa verdadeira realidade (dharma), forjando-se assim a motivação pura de nossa existência, solo fértil no qual se desenvolve o homem renascido como Bodisatva e que se moldará em definitivo através da plena atenção - temos a oportunidade de conscientemente confirmar a graça de nossa existência ou sucumbir cegamente à nossa própria ignorância.
É tênue o equilíbrio entre o entendimento e, principalmente, o controle do impulso sexual, da paixão – amor eros – e o desenvolvimento da compaixão humana-universal – amor ágape. O primeiro nos une à nossa carne, própria e do próximo, o segundo nos une ao todo, ao que é mais elevado, mas o que unirá ambos de natureza tão distinta e que aparentemente não tem interface de diálogo entre si?
Afastamo-nos do palco schopenhaueriano para a entrada em cena do conceito não abordado de philia – amor fraterno, assexuado, altruísta -, possível elo de ligação entre amores, e que no budismo pode ser representado pela sangha, comunidade que aplica na prática a religiosidade – o religare - em busca do aperfeiçoamento e elevação individual e coletiva. Philia, o caminho do meio do amor que confere a força da paixão de eros e a pureza do amor divino aos laços fraternos: vive-se conscientemente não por si, mas pelo outro através da tríade do amor baseado na philia, impulsionado pelo eros – que se eleva - e guiado pela ágape – que se dissemina. Assim fica fácil compreender a certeza de Virgílio – Omnia Vincit Amor -, que ‘o Amor tudo vence’.
Desta maneira consegue-se ultrapassar a vontade de viver e a vontade de morrer, ultrapassando-se o fenômeno e a própria ultrapassagem, chegando-se a fazer tudo com a consciência dhármica: cessa-se o sofrimento do apego e da ignorância que levam à morte e ao sofrimento, passa-se a manifestar as qualidades humanas superiores do Bodisatva, cuja consciência e manifestações atuam preservando e perseverando a vida, com foco na liberação de todos os seres em busca do cessar do sofrimento, sem conceituá-lo e condicioná-lo diretamente à vida no sentido lato senso – uma vez que no stricto senso a vida é sofrimento, como vimos anteriormente.
Há uma alternativa então que expande o entendimento de Schopenhauer e do viver, onde matar o homem através da negação do querer viver não sentencia o fim da espécie e sim afirma as bases para a ‘criação’ de bodisatvas, seres iluminados que se perpetuam para trabalhar pela iluminação dos seres de todos os reinos. Através da ‘morte’ do homem, de seu desapego e aceitação da impermanência dá-se real sentido ao seu caminho, cessa-se o sofrimento, não a vida.
Buda ensinou-nos 84.000 métodos para se alcançar a iluminação, aplicáveis de acordo com o perfil de cada praticante. Repousar tal prática no amor compassivo encurta o caminho sensivelmente. Caminho este que começa no reconhecimento das quatro nobres verdades e adentra o caminho óctuplo de Buda, que dissipa toda dúvida quanto ao sentido do renascimento consciente em prol dos demais seres sencientes.
Mas tudo isto pode também ser um pensamento criado a partir da vontade universal do querer viver, portanto sinta com o coração e intua com a alma, contemple o todo para encontrar a sua verdadeira Vontade, só sua. E de todos nós.
Com agradecimentos especiais à professora Marcia Amaral - do curso de pós-graduação em filosofia do Mosteiro de São Bento/RJ - que me introduziu ao pensamento schopenhaueriano e não apenas avaliou e validou, mas deu importantes diretrizes a este texto.
No Amor,
[1] Wikipedia
[2] Ética em Schopenhauer – Profa. Márcia Amaral
[3] O Mundo como Vontade e Representação
[4] Metafísica do Amor
O fato de não abordar o amor philia, fraterno, altruísta e assexuado, não chega a ser um problema, mas será abordado ao fim deste diálogo como um dos meios para potencializar a compreensão e o próprio uso da veia budista no pensamento ‘schopenhaueriano’, buscando interpretar de maneira mais fidedigna os preceitos tântricos do budismo, vajrayana em especial – talvez resida aqui a fonte de ‘equivocos’ na utilização do budismo como base para o apontamento do niilismo como salvação e redenção em Schopenhauer: aparentemente este se baseou mais no caminho Hinayana, chamado no budismo de ‘veículo pequeno/inferior/menor’ – por se ater à iluminação pessoal/individual - e que visa a libertação e o alcance do Nirvana através da negação e abstinência, notoriamente sendo um compromisso individual e auto-centrado, sem comprometimento direto com os demais seres; além de ter apreendido erroneamente o conceito-base budista de vacuidade como sendo equivalente ao nada niilista, por fim, comprometendo sua solução de negação do querer viver – talvez por não alcançar o divino do próprio ser humano a não ser pelo conceito das palavras e da filosofia. E o divino em nós fala do uno, da manutenção consciente da vida até a iluminação, do não-sofrer no seu caminho (samsara em sânscrito). E ao não se sofrer em seu caminho (samsara) atinge-se a iluminação ao se sair da roda de samsara e se girar a roda do dharma (sua Lei Natural, realidade). Lama Chimed Rizdin afirma que nirvana e samsara são a mesma coisa, projeções de nossa mente dualista.
Uma recomendação dos lamas e dos sutras é a de que pode-se chegar até a outra margem com o barco, mas para se alcançá-la de verdade é necessário abandonar o próprio barco, uma bela metáfora para o desapego, mas também para a própria limitação de Schopenhauer que, pelo que aparentam seus escritos e alguns traços biográficos em desalinho com sua própria filosofia, perdeu-se antes de percorrer o caminho óctuplo e apenas vislumbrou seus degraus, entendendo e repassando duas, das quatro nobres verdades corretamente e fraccionando a terceira, equivocando-se ou ignorando a quarta, uma vez que antes de encontrar a senda do caminho do meio, Buda vivenciou e desaconselhou os caminhos extremos, dentre os quais o ascetismo fora uma das extremidades e sua origem nobre e repleto de desejos e luxos a outra.
Schopenhauer “termina exaltando, em largas páginas, as grandes figuras dos santos cristãos em confusa mescla com os ascetas da Índia”, “o homem que se liberou do Princípio de Individuação, da individualidade fenomênica, e vê a natureza tal qual ela é, não admite mais o consolo da compaixão. Sua vontade se converte, já não se afirma a si mesma, nega sua própria essência da qual o fenômeno não é mais que um espelho. Já não se contenta em amar o próximo, senão que nasce nele um horror ante ao ser do qual é expressão seu próprio fenômeno, ante a vontade de viver, ante ao que é nuclear e essencial do mundo, que considera como um tormento. Renega desta maneira que se manifesta na forma corporal, e todos os seus atos se põe em contradição com ele. Cessa de querer coisa alguma e alimenta em seu coração a indiferença a tudo e por tudo” [2] .
Conjugando os pontos supracitados e os confrontando com o ensinamento budista do caminho óctuplo, bem como com os tantras vajrayanas, que ressaltam os obstáculos como vitais para a prática e não de forma negativa, vislumbra-se outra saída para a negação da vontade universal como cessar da espécie. Enquanto para Schopenhauer o humano é “sacerdote e vítima” [2], onde a salvação depende de sua anulação em vida e aniquilação total com a morte, no ‘grande caminho’ (maha-yana) e ‘caminho do diamante’ (vajrayana) ele se torna um Bodisatva, literalmente um ser de sabedoria (em sânscrito), soldado e protetor da iluminação, que labuta pela liberação de todos os seres renascendo sucessivamente para sensibilizar e esclarecer as pessoas, mostrar-lhes o caminho, sem o qual elas não compreenderão sua natureza.
A dimensão de sacrifício ascético em prol da liberação (do querer viver universal) denota-se extremamente cristão, não tanto carregado e introjetado pela culpa cristã, mas longe do entendimento budista da responsabilidade e compreensão através da sabedoria - para o filósofo o pensamento é a máscara superficial que dissimula a vontade, para o budismo a contemplação (pensar, sentir e intuir) é a via para alcançar a plenitude a partir dos preceitos da motivação pura e da atenção plena que conduzem ao despertar e o asseguram.
Retomando o entendimento ‘schopenhaueriano’ de que não basta cessar o sofrimento de um ser humano, posto que o sofrimento persistirá nos demais, é natural que se chegue à conclusão que apenas os preceitos maha- e vajrayana possam ser parelhos às intenções do autor, uma vez que versam sobre a liberação de todos os seres sencientes – o que engloba não apenas os seres humanos, mas toda a vida; para efeito de foco no estudo, nos ateremos aqui à causa humana, sob a qual também se debruçou Schopenhauer, sem entrar no mérito da identificação do sofrimento nos demais seres ou não, uma vez que este embate leva ao questionamento do princípio vital da filosofia, mas principalmente da solução proposta por Schopenhauer: se o sofrimento cessa com o fim da humanidade - o conhecimento do sofrimento -, posto que não há sofrimento no restante das manifestações da Vontade, ao admitirmos a existência do sofrimento nos demais reinos, levamos o pensamento schopenhaueriano à tolice do extinguir da única saída possível, a conscientização compassiva de nossa espécie e sua vida enraizada na motivação pura e florescida na atenção plena.
Contudo, enveredamos pela escrita do mestre de Danzig com o intuito de trilharmos paralelos e buscarmos convergência em prol do pleno entendimento do caminho de Buda e do engrandecimento daquele que levou o dharma para dentro da filosofia alemã, européia e ocidental e nos abriu assim campo para debatermos inclusive este assunto nestas poucas linhas.
Schopenhauer, tal qual o próprio budismo, é apontado como pessimista por leitores mais apressados. Isto se baseia na premissa budista – e adotada pelo autor como ponto-de-partida para sua filosofia e entendimento de mundo - de que a vida é sofrimento, uma das quatro nobres verdades budistas – a vida é sofrimento; a causa do sofrimento; a extinção da causa do sofrimento; a senda que leva à extinção do sofrimento. Se contemplarmos apenas a primeira nobre verdade, a de que a vida é sofrimento, logicamente afirmaremos que isto se trata de um pensamento e uma constatação pessimistas. Mas se as contemplarmos como um todo, as quatro nobres verdades são um caminho seguro, positivo e crescente para a ascese e o não-sofrimento.
Não entraremos aqui no mérito da dicotomia-base sofrimento-felicidade, posto que são conceitos e não alcançam a realidade última, apenas registraremos, como se faz necessário, que é melhor viver a felicidade que o sofrimento e que para efeito retórico do texto e evolucionista da espécie é muito mais inteligente e lógico se principiar pelo sofrimento para se passar à felicidade do que o contrário, primeiro por ser mais fidedigno à realidade da maioria, segundo por ser um caminho lógico, posto que quem se encontra em felicidade não deveria se preocupar em caminhar rumo ao sofrimento.
Para o autor a felicidade então é não-sofrimento, uma vez que se principia o viver cotidiano neste estado de sofrimento, que no budismo é entendido como enraizado na ignorância, o primeiro dos 12 elos da cadeia de originação interdependente e que culmina na morte. A verdadeira felicidade búdica, contudo, se encontra escondida sob os véus da ignorância dentro de cada ser e tem densidade em si, não apenas refutando aquilo que causa o sofrimento, sendo uma mera negação do mesmo, mas também afirmando as condições e meios para se estabelecer positiva e pró-ativamente o estado da felicidade.
Como alcançar o não-sofrer, a partir do entendimento de Schopenhauer, uma vez que a Vontade encara sempre a frustração - caso não consiga o objeto desejado - ou o tédio - caso consiga alcançar a sua meta. A resposta que emerge é a negação do querer viver, dessa Vontade, desejo-mor. É, portanto, vital se conhecer este querer viver, apoderar-se desta Vontade, deixar-se de ser ignorante quanto à nossa verdadeira realidade (dharma), forjando-se assim a motivação pura de nossa existência, solo fértil no qual se desenvolve o homem renascido como Bodisatva e que se moldará em definitivo através da plena atenção - temos a oportunidade de conscientemente confirmar a graça de nossa existência ou sucumbir cegamente à nossa própria ignorância.
É tênue o equilíbrio entre o entendimento e, principalmente, o controle do impulso sexual, da paixão – amor eros – e o desenvolvimento da compaixão humana-universal – amor ágape. O primeiro nos une à nossa carne, própria e do próximo, o segundo nos une ao todo, ao que é mais elevado, mas o que unirá ambos de natureza tão distinta e que aparentemente não tem interface de diálogo entre si?
Afastamo-nos do palco schopenhaueriano para a entrada em cena do conceito não abordado de philia – amor fraterno, assexuado, altruísta -, possível elo de ligação entre amores, e que no budismo pode ser representado pela sangha, comunidade que aplica na prática a religiosidade – o religare - em busca do aperfeiçoamento e elevação individual e coletiva. Philia, o caminho do meio do amor que confere a força da paixão de eros e a pureza do amor divino aos laços fraternos: vive-se conscientemente não por si, mas pelo outro através da tríade do amor baseado na philia, impulsionado pelo eros – que se eleva - e guiado pela ágape – que se dissemina. Assim fica fácil compreender a certeza de Virgílio – Omnia Vincit Amor -, que ‘o Amor tudo vence’.
Desta maneira consegue-se ultrapassar a vontade de viver e a vontade de morrer, ultrapassando-se o fenômeno e a própria ultrapassagem, chegando-se a fazer tudo com a consciência dhármica: cessa-se o sofrimento do apego e da ignorância que levam à morte e ao sofrimento, passa-se a manifestar as qualidades humanas superiores do Bodisatva, cuja consciência e manifestações atuam preservando e perseverando a vida, com foco na liberação de todos os seres em busca do cessar do sofrimento, sem conceituá-lo e condicioná-lo diretamente à vida no sentido lato senso – uma vez que no stricto senso a vida é sofrimento, como vimos anteriormente.
Há uma alternativa então que expande o entendimento de Schopenhauer e do viver, onde matar o homem através da negação do querer viver não sentencia o fim da espécie e sim afirma as bases para a ‘criação’ de bodisatvas, seres iluminados que se perpetuam para trabalhar pela iluminação dos seres de todos os reinos. Através da ‘morte’ do homem, de seu desapego e aceitação da impermanência dá-se real sentido ao seu caminho, cessa-se o sofrimento, não a vida.
Buda ensinou-nos 84.000 métodos para se alcançar a iluminação, aplicáveis de acordo com o perfil de cada praticante. Repousar tal prática no amor compassivo encurta o caminho sensivelmente. Caminho este que começa no reconhecimento das quatro nobres verdades e adentra o caminho óctuplo de Buda, que dissipa toda dúvida quanto ao sentido do renascimento consciente em prol dos demais seres sencientes.
Mas tudo isto pode também ser um pensamento criado a partir da vontade universal do querer viver, portanto sinta com o coração e intua com a alma, contemple o todo para encontrar a sua verdadeira Vontade, só sua. E de todos nós.
Com agradecimentos especiais à professora Marcia Amaral - do curso de pós-graduação em filosofia do Mosteiro de São Bento/RJ - que me introduziu ao pensamento schopenhaueriano e não apenas avaliou e validou, mas deu importantes diretrizes a este texto.
No Amor,
[1] Wikipedia
[2] Ética em Schopenhauer – Profa. Márcia Amaral
[3] O Mundo como Vontade e Representação
[4] Metafísica do Amor
Laços do Amor:
ágape,
amor compassivo,
bodisatva,
Buda,
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dharma,
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Lama Chimed Rizdin,
Marcia Amaral,
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Virgílio
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