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domingo, 15 de julho de 2012

Só o Amor (re)constrói um sentido

Interessante observar como a alma fica mais carente quando o corpo inspira mais cuidados; fragilizamo-nos por inteiro e encontramos assim a (nossa) inseparatibilidade fenomênica entre sujeito e objeto; consequentemente a possibilidade de superação através da organização supra-sensível de abordagem holística e integral, compreendendo e, portanto, transformando a enteléquia do Ser, reorganizando e realinhando os fragmentos e suas singularidades para conceber um novo Todo, mais forte e mais completo, já que "o que não me mata, me fortalece" e confere um novo sentido a mim, ao Todo e as relações.

Pensamentos e devaneios em meio a um trânsito de Netuno aspectando meu Saturno natal e uma "coincidente" crise de coluna que me mantém em 'prisão domiciliar' há mais de uma semana, repensando formas e estruturas (mesmo antes de saber se tratar deste trânsito).

Na boa cia. de Kant, Nietzsche, Arroyo, Gracian, Sêneca e Morimando.

Com carinho à minha mãe que tem lambido a cria com dó da dor que figurava em meu semblante e ao Petit Gateau, inseparável filho felino e companheiro.

No Amor, projeto do Todo, processo de juntar os cacos em um belo mosaico,

terça-feira, 26 de abril de 2011

Amor - petite mort, grand vie

O orgasmo - ápice do Amor erótico -, pequena morte como o chamam os franceses, quando Eros nos abandona por instantes, quando nosso impulso cessa por segundos até o pulmão se expandir de novo em busca de mais ar: - te olhando em busca de mais beleza as pupilas dilatam, o corpo estremece e cai glorioso à espera da volta triunfal de Eros à sua habitação terrestre; nosso corpo, morada divina de nosso impulso celeste e primordial.

No instante em que a parceira recosta sua cabeça em seu ombro e se ajeita, aninhando-se; a cada passagem de seus dedos pelos pêlos do peito no qual bate um coração cujo ritmo anuncia a chegada do vitorioso Eros, que retorna trazendo sua consorte Philia - o Amor fraterno -, eis o instante da (re)união do (re)nascimento e da morte na grande vida.

Religare que traz consigo a cumplicidade de dois vitoriosos que ousaram perder-se no êxtase para ter com o divino, o Amor Ágape, de onde emana toda Philia e converge todo Eros - e daonde Eros traz sua consorte que o conduz para estabilizar a conexão direta estabelecida impulsivamente com o ciclo que passa pela pequena morte para ter em sua ressurreição direito à grande vida.

No êxtase, sem depressão, vivência da unicidade na rede,

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Há 10 anos, doce nostalgia do Amor

Há 10 anos acordo com a mesma vista, através da mesma janela.
Pensamento voa, memórias chegam, emoção decola
É a mesma janela, onde agora tremulam bandeiras
É um outro Eu que reflete sobra a vida e inúmeras besteiras


Há 10 anos dou aula, sempre diferente, em outra faculdade,
sempre a mesma, na sempre bela cidade.
É a mesma aula, com outros alunos,
É um outro embate em novos assuntos.
(Será? Não é apenas uma outra roupagem para o mesmo comum lugar?)

Há 10 anos acordo com outras companhias,
diferentes gatas, agora meu gato,
não há mais solidão a dois, fato
é a inteireza interior, pronta para se relacionar, que mia.

Há 10 anos acordo e por isto continuo grato.
Há tanta coisa por fazer, tanta coisa por arrumar
Há tantas prioridades pro começar
Há tanta prática para me moldar mais sensato.

Haaaaaaaaaaaaaaaaaaa, da loucura emerge a sabedoria.
É sempre a mesma janela, mas sempre outro sol, sorria!
Liberte-se de sua agonia:
É preciso força e Luz para confirmar sua existência todo dia.

Há 10 anos... nesse período parei de fumar, aprendi a ouvir não,
Não mudei de sexo, mas mudei de religião,
De cético à budista, mente-corpo em comunhão,
Mas será que, de fato, mudei meu padrão?

Há 10 anos abri asas e vim pro mundo,
Será que aprendi a me relacionar,
Será que aprendi a receber e dar,
Será que aprendi a amar?

Nas asas da nostalgia inspirada pela música "Often a bird", de Wim Mertens, enquanto olho pela janela de meu quarto, o mesmo quarto, outras luzes, outros partos. Como somos grandes, como somos pequenos, como somos nada, como temos a ousadia de sermos tudo.

No auto-questionamento que é o princípio sadio do Amor,

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Amor animal

O que você não me pede miando que não faço latindo?

No X da questão que estima a ação do Ser na relação,

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Compaixão felina

Esta história é verídica e poderia se chamar também "Amor em pêlos": de como meu doce de gato, Petit Gateau, Amor no formato de bola de pêlos, me ensinou na prática o poder do Amor e da compaixão.

Era a semana do retiro de Nyung-ne, uma prática de jejum e meditação tibetana na força compassiva do Buda da Compaixão, Cherenzig, também conhecido como Avalokiteśvara.

Durante o retiro, aprende-se na prática a contemplar o sofrimento dos 5 reinos não-humanos a partir dos 5 venenos existentes também em nossa mente – e que nos tornam igualmente sofredores dos mesmos males, basta olharmos para nós mesmos e também para nossa sociedade: o desejo e a ganância dos fantasmas famintos, a inveja dos semi-deuses, a raiva dos seres infernais, a ignorância dos animais e a arrogância dos deuses.

Tudo isto para trabalhar estes 5 venenos tão concomitantemente presentes em nós e nossa sociedade. Quem é que não vê em nossa sociedade inumeros humanos-deuses, humanos-semi-deuses, humanos-famintos, humanos-infernais e humanos-animais.

Pois uma coisa é a prática formal, outra é ver como a aplicação prática no cotidiano rende frutos e efeitos.

E foi isto que meu doce gato me propiciou.

Durante a semana do evento – que ocorrera no final de semana – ele começou a fazer xixi no puf da sala, algo que ele nunca havia feito nestes dois meses de convívio. No primeiro dia, briguei com ele, falando um pouco mais duro. No segundo, dei um esporro, bravejando. No terceiro, esfreguei seu nariz e dei um tapinha. No quarto peguei ele no flagra e, com intuito de aproveitar o momento para dar-lhe uma lição, bati nele, além de fazê-lo cheirar o xixi e ouvir um sermão bravo acompanhado de mais umas palmadas. Temos o estranho hábito de achar que violência resolve algo.

Veio o retiro e, na volta, novamente xixi no puf. Quando fui aplicar a repreensão física ele me olhou com olhar doce, sem aparentemente entender o porque de minha violência e seu olhar amoroso me fez retomar os ensinamentos de amor e compaixão, em especial, neste caso, pela ignorância dos animais - quantas vezes não deixamos de ver em nossos pares tal ignorância e quantas vezes não somos mais ignorantes que os animais. Resolvi conversar com ele.

Coloquei-o gentilmente para cheirar o xixi, mostrei a caixinha de areia, voltei ao puf, limpei e o fiz cheirar o pano. Sentei ao lado dele e fazendo carinho em seu focinho, abri meu coração olhando em seus olhos, deixando que a clareza da comunicação não-verbal fizesse o resto, pontuada com uma ou outra tenra palavra.

Canalizei a vontade pelo coração e fiz-me entendido.

Desde então ele não fez mais xixi no puf. Minto. Fez mais duas vezes. A primeira um ou dois dias depois, o que para mim não foi uma falta dele, mas uma prova para mim, para ver se eu havia aprendido a lição da compaixão e colocado minha energia agressiva – mesmo aquela que consideramos ‘positiva’ – sob controle; a segunda ontem, quando sua veterinária, minha querida e competente prima Carol Rabello, veio aqui em casa para aplicar-lhe vacinas.

É através do olhar firme, mas amoroso que iremos mudar os padrões pessoais e coletivos. E nisto, meu Petit Gateau transborda.

No pêlo do Amor e ronronar da compaixão,

domingo, 24 de maio de 2009

Petit Gateau – um doce de gato, um amor de relação


Petit Gateau chegou já com 5 meses – mesmo sido prometido desde seu nascimento -, mas nascia ali, naquele primeiro contato, uma linda história de amor pleno que se renova a cada alvorada.

É incrível como o cuidar do outro - o se importar na prática - altera para melhor nossas próprias características, hábitos, manias e padrões (de pensamento, fala e ação).

Em todo lugar da casa onde estou, lá está ele comigo, companheiro amoroso. Como tenho aprendido com ele. Estar junto, mas 'na sua', dando amor sem sufocar, simplesmente presente quando de um olhar se precisar. E quando o tempo-espaço permite, brincar, interagir, atuar.

Auto-suficiente, e talvez exatamente por isto, com muita abertura para se doar.

Mesmo que não haja troca de palavras, os olhares, os carinhos, os beijos-lambidas e os ronronares provam que a troca amorosa transcende a limitação das letras arbitrariamente impostas a compostos conceituais chamados palavras.

E dessa singela relação aprendo mais um pouco o complexus - 'tecido em conjunto' - que é o Amor.

No Amor, clareza de nosso Ser,