Eu sou aquele que fala
quando ouço não sou
Outro que você mesmo é
Euu - Energia Unificada Ungida
Eu sou e não sou
enquanto estou
numa perspectiva de ação
do Todo devir contemplação
No regozijo desinteressado do Belo,
Eu sou aquele que fala
quando ouço não sou
Outro que você mesmo é
Euu - Energia Unificada Ungida
Eu sou e não sou
enquanto estou
numa perspectiva de ação
do Todo devir contemplação
No regozijo desinteressado do Belo,
Amor é a articulação entre autonomia e engajamento, é a dimensão estética do viver.
Na contemplação da finitude da vida na infinitude de teus olhos,
No mar estava inscrita a saudade
que batia como onda em meu peito
e, meio sem jeito,
me fazia contemplar o brilho da estrela-mor no mar.
Reflexo do Sol!
Em cada gota
em cada grão
consciência miúda
da dor da solidão.
Desilusão?
O encontro dos elementos
criava como falésias;
quanto às falácias,
melhor calar.
Só o silêncio dignifica o olhar.
Na contemplação perene de cada amanhecer contido neste instante, momento de vida que nasce em meu coração,
A pele é o primeiro contato,
no segundo, o ato.
Mundo que se cria,
orgasmo seguido de agonia.
Vazio.
O que me completa?
Não é esta do Amor a meta?
Saciar o cio?
Do Amor animal
ao Amor elevação
é tudo igual
como níveis à superação.
Em contatos imediatos de terceiro grau,
transcende-se a carne, pseudo-mal.
Reencontra-se o Vazio que nos completa;
Edificar nosso Ser, eis a meta.
No quarto, a busca por valores;
assim evitam-se as dores
de (mais) uma separação,
pois a pele é superficial para sustentar a união.
É na estrutura do osso e de nosso DNA
que há abertura para crescer e prosperar:
Amor através da pele, pela carne até a alma
ofegante e com calma
a eternidade a contemplar.
Eis o Amor fati, és o que há.
No não-dualismo que a tudo fecunda,
Amor criador
é os olhos do mundo
Amor fecundo
Amor semente
disseminação do bem
sem olhar a quem
Alma floresce
exala o aroma
Do Ser ascese
Amor é lindo
contemplação do Uno
escada do Ser
No 5-7-5, esquema do Amor que permeia sílabas e células no ritmo eterno e belo da verdade de nós,
Amor é jogar-se no abismo da tristeza, mergulhar no oceano do sofrimento e descobrir que era tudo ilusão; é encontrar-se no vazio, com coragem de construir o melhor dos mundos possíveis em um universo sem fim de possibilidades a partir do agora; antes do primeiro passo, depois da chegada.
No tudo – e que é contrário ao nada – que emerge do vazio a partir de nossa interação, contemplação da mente-coração,
Amor é entender que é no vale que colhemos a força para subir aos picos mais altos.
Por isso, es-colha com alegre sabedoria e não-identificação, apenas regozijo e satisfação, contemplação da certeza de que tudo é passageiro, que após à escuridão das dúvidas vem a clareza das certezas que, por sua vez, não tardarão em nos cegar.
E, em meio à nova escuridão, emergirá um novo Ser, sempre, a cada amanhecer.
Amor é a luz de vela que ressalta a unidade dos contrastes e aceita a beleza dos opostos complementares, verdadeiras manifestações do Uno.
Na alegria de Ser, ciclo-em-si, contemplação da paisagem da qual somos co-autores interdependentes,
Há tantos caminhos para o Amor, tantas maneiras de amar e caminhar; todas são dignas, todas convergem, todas levam ao Amor.
Mas como diria Goethe: “es irrt der Mensch solang er strebt” – o homem é errante em sua busca, ou ainda, o homem se equivoca em sua busca; as mulheres também.
Ainda mais quando há armadilhas no caminho. E as há, pois somente aqueles que perseveram com a clareza e a força digna do Amor incondicional e universal, compaixão que aquece e eleva a alma, evitam as distrações e enganos das inúmeras bifurcações – a cada encruzilhada a tentação do desejo, a cada esquina um flerte, um gracejo; a cada milha, o ego enche o papo com as migalhas de elogios e macula seu caminho com escatológica crítica.
E agora? Qual das direções tomar, quais tentações negar, qual impulso canalizar, quais erradicar?
Contempla. Observa-te e a teu caminho com carinho e atenção, não te levas pela emoção do desejo empolgação, tampouco por tua romântica criação – ego, teu nome é ilusão; não és salvador, não és mártir, não és carrasco, não necessitas de redenção. És da alma infante: puer faz com o senex de teu Ser as pazes.
Pratica o Amor fati e traz tudo para dentro do caminho; o caminho do Amor, é verdade, é vida.
É a forjadura de nossa ascese.
Se está em seu caminho, é parte de teu destino: não julga, não rejeita, não apega – discerne: lida com tudo de maneira soberana e independente, na consciência da interdependência que é co-autora de nosso caminho.
Intui seu lugar na eternidade e faz-a ser no aqui e agora , presente em beta, realidade em constante construção.
No “Keep going” do caminho do bodisatva, homenagem ao meu Lama Chagdud Tulku Rinpoche, farol de sabedoria e compaixão em noites escuras de incertezas e indecisão,