sábado, 27 de junho de 2009

Amor - estado revolucionário

Enquanto se combater ódio com ódio, violência com violência ficar-se-á preso ao mesmo paradigma da ação horizontal, correndo de um extremo ao outro, procurando em círculos a razão que não pertence a nenhum dos lados e sim a ambos, juntos, e a ninguém sozinho.

A verdade está lá fora - do Eu e do Outro - acessível no plano vertical. É hora de irmos ao encontro e não de encontro a nós mesmos, canalizando a energia desta yoga (união) para alçarmos esferas superiores.

É hora de lutar contra a própria idéia de guerra e de inimigos: não são mais estes ou aqueles grupos os inimigos, de fato nunca foram. Nosso maior inimigo reside em nós mesmos e se chama medo, fruto da ignorância e pai do terror, da violência e dos descontroles, como os de consumo, por exemplo.

O maior perigo é nosso medo individual dar voz a uma pseudo-razão forjada que sustente uma centralização do controle tecnológico e do crédito, controlando o progresso mundano global. Isto já uma realidade e a Internet uma possibilidade de resistência, se bem usada.

Que é uma evolução também espiritual, a isto cada vez mais pessoas começam a despertar, entender, aplicar e propagar.

A indiferença continua sendo, contudo, o entrave para que alinhemos os avanços mundanos e espirituais, que em nada devem se contradizer, posto que são naturais à nossa condição humana: nem animais, nem deuses; daemons que devem compreender seu papel libertador e cultivador do superorganismo Terra, gerando e consumindo seus frutos de maneira sustentável.

Quando interiorizarmos nossa verdade absoluta - a de que somos eleitos sim para sermos os jardineiros deste imenso jardim - começaremos a nos abrir para a beleza e dádiva de estarmos vivos neste Éden e entenderemos as metáforas das grandes escrituras sagradas de todas as tradições religiosas - profundamente coerentes entre si: a de que vivemos no paraíso e que a vivência disto depende de nossa percepção, motivação, atenção e ação.

Desperta em nós, então, o estado de Amor: uma revolução sem precedentes que nos leva a transmutar estados baixos de energia e elevar os padrões globais a novos níveis, afinal, não somos feitos de átomos, energia que vibra?

A revolução do mundo, como dizia Gandhi, se inicia por nós, em nós.

Começa pela mudança nos padrões de alimentação: tanto a física, a comida que você ingere, afinal você é o que você come, quanto os pensamentos que nutrem sua fala e sua ação.

Nutrir-se de comida morta, que causa sofrimento para chegar a seu prato é contribuir com a acidez de seu corpo e consequente envelhecimento precoce das células - nosso intestino de 9 a 12 metros não é ideal para digestão de carnes, que apodrecem e provocam o surgimento de uma toxina chamada cadaverina; fora o fato de que comida viva e fresca contém mais energia vital (prana) - se é vivo e ficou no prato é porque é para ser comido, se sair correndo, deixa viver.

Nutrir-se de pensamentos negativos gera queda de energia, mal humor/humor ácido (!), bad karma, antipatia e resistência exterior de e em todos os níveis. Basta parar e repensar situações vividas: o sorriso genuíno abre portas, a grosseria fecha e ainda traz um peso nas costas; ambas contagiam.

Eis nosso desafio evolutivo atual. O que você quer propagar com sua fala e suas ações, o que você quer vivenciar em seu cotidiano. Depende de seus pensamentos, monitore-os, treine-os, aperfeiçoe-os.

A troca com o exterior é o passo seguinte: quando feito de maneira aberta, equânime e bem intencionada, gera-se uma energia sustentável e propulsora. Existem diversas técnicas para tornar o amor tanto a energia sustentadora de pano-de-fundo, quanto a energia propulsora, atuando como motivação pura e atenção plena.

Cada tipo de Ser deverá encontrar a sua: os mais racionais devem utilizar-se de sua capacidade analítica racional para questionar-se de cada pensamento, fala e atuação, se está em alinho com o princípio da harmonia, respeito, equanimidade e compaixão; os mais emotivos devem recorrer à sensação buscando entender os mesmos tópicos; ambos os tipos devem reforçar o uso da intuição e buscar sempre se colocar de verdade no lugar do Outro para depois poder criar um ponto-de-convergência que seria o ideal para o Todo - é este o ponto a se almejar. Deve-se contemplar o estado atual e o estado desejado e aspirar que Todos possam convergir para lá, intuindo como agir da melhor maneira a contribuir para a concretização disto.

Doar um fluído amoroso - que você pode visualizar sendo as batidas de seu coração emanando ondas de amor (pense no ar como um meio líquido menos denso, imagine a vibração das ondas) pelo ambiente envolvendo as pessoas (branco, vermelho e azul alternadamente), com o desejo de que todas possam tocar seu íntimo divino e passarem a ser emissoras do Amor ao removerem o medo e a ignorância é uma boa prática cotidiana - é algo que não tem sensação similar: requer não apenas motivação pura de beneficiar a Todos, mas também atenção plena de estar sempre atuando, mesmo e principalmente nas situações que nos levariam a agir exatamente dentro do padrão ordinário de reagirmos com irritação, aversão, ódio ou demais sentimentos negativos que nada agregam à nós, aos outros, à solução da questão que nos incomodou e ao ambiente em si.

É nossa missão nos tornarmos células revolucionárias vibrando Amor incondicionalmente.

No despertar revolucionário de nosso íntimo que é o Amor,

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Amor - sabedoria do paralelo cruzamento

Amar é o caminho. Ama-se quando se caminha em paralelo com alguém, na mesma direção.

E quando é em direção contrária? O Amor é tão magnânimo que ainda oferece o mapa e os conselhos, posto que vindo daquela direção para onde o Outro irá - estarão conectados, o (re)conhecimento os uniu. Grandioso, braços abertos para o reencontro que em algum momento ocorrerá, pois todos os caminhos levam à Roma - então não importa se de trás pra frente, é sempre Amor: as mesmas letras, outras maneiras, igual essência.

E quando os caminhos se cruzam? Ao invés do choque antagônico, o prazer harmônico, deleite de mesmo por instantes ocuparem o mesmo ponto da trajetória, do Tempo e do Espaço - eternidade aprisionada em momentos, liberta pelo orgasmo, estendida pelo gozo dos prazeres comuns, mas sustentada somente pela sabedoria de se buscar retomar os caminhos, que mesmo paralelos, podem e devem se cruzar nos momentos que nos tornam humanos para cumprir o devir e o dever de trazermos o céu para a terra.

A sabedoria do paralelo cruzamento deixa um caminho belo para trás e tem à sua frente promissores passos que evocam e enunciam - tal qual a dança das abelhas - a beleza da eternidade, na forma de trilhos que se cruzam e continuam, representando o símbolo do infinito e da espiral do DNA.

Na visualização do caminho,

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Amor-alvo, arco e flecha

A mulher é a flecha e o amor é o alvo aos quais o homem, como arco, se curva.

A natureza do alvo só se torna pleno potencial realizado quando arco e flecha se harmonizam e juntos se empenho no alcance do ideal - atingindo todos o centro: homem, mulher e o amor em si.

No olímpico esporte do Amor, sob a inspiração de
Ovídio,

Amor é tudo, menos 171

Ia postar outra coisa, mas quando vi o número do post, resolvi fazer este singelo registro.

Nosso blog chega a 171 posts publicados ao longo de um ano, o que dá mais de um post a cada três dias, embora a atualização não se comprometa com a sazonalidade e sim com a inspiração.

E é inspirado no número que afirmo que o Amor é tudo, menos enganação. Não arma pra ninguém, não quer levar vantagem, não é malandro. É colaborativo, simbiótico, real.

É número par, ímpar, primo, irmão, oposto complementar; é a matemática do complexo que é a vida e sua natureza, cuja beleza é matemática pura.

Na soma do Amor que equaciona tudo,

terça-feira, 23 de junho de 2009

Terra - plataforma convergente do Amor

A estrutura atômica da Terra possibilita a convergência e materialização do Amor das diversas esferas, unindo a meta com a física, elevando ambas e propiciando a união das almas de maneira carnal e espiritual, onde não deve haver diferenciação entre ambas, posto que uno como o Amor, cujas ondas quânticas vibram dão suporte à matéria e vibram como átomos formando a mesma, tornando-a realidade quando também se tornam realidade - das ondas do pensamento à concretização das ações, podemos e somos só Amor.

O resto é ilusão e foge à reta razão estóica, estando em desalinho com o cosmos e nossa própria natureza.

O Amor aproxima, unifica e evolui as dimensões: do Próton, Neutron e Elétron; do Externo, Interno e Secreto; do Eu, do Outro e do Espaço-Tempo que é o Todo; alcançando a eternidade aqui e agora.

Na Terra, óvulo que o cometa do Amor fecundou,

Amor é despertar

Do medo, da ilusão. É caminhar confiante, aberto, com e por Amor amparado por forças invisíveis - que podemos até intuir se refinarmos nossa percepção - que nos auxiliam no encontro de nossa plenitude. Basta estar aberto e querer genuinamente.

Nas asas invisíveis do Amor,

Amor é o caminho da Trindade

Que nos leva do Deus-Pai fora de nós ao Espírito Santo dentro de nós e retorna ao Todo conectando-nos harmoniosamente a todos os seres; elevando nossa alma, superando os limites de nosso corpo, unindo-os para superar juntos todos os obstáculos.

No divino Amor da criação,

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Compaixão felina

Esta história é verídica e poderia se chamar também "Amor em pêlos": de como meu doce de gato, Petit Gateau, Amor no formato de bola de pêlos, me ensinou na prática o poder do Amor e da compaixão.

Era a semana do retiro de Nyung-ne, uma prática de jejum e meditação tibetana na força compassiva do Buda da Compaixão, Cherenzig, também conhecido como Avalokiteśvara.

Durante o retiro, aprende-se na prática a contemplar o sofrimento dos 5 reinos não-humanos a partir dos 5 venenos existentes também em nossa mente – e que nos tornam igualmente sofredores dos mesmos males, basta olharmos para nós mesmos e também para nossa sociedade: o desejo e a ganância dos fantasmas famintos, a inveja dos semi-deuses, a raiva dos seres infernais, a ignorância dos animais e a arrogância dos deuses.

Tudo isto para trabalhar estes 5 venenos tão concomitantemente presentes em nós e nossa sociedade. Quem é que não vê em nossa sociedade inumeros humanos-deuses, humanos-semi-deuses, humanos-famintos, humanos-infernais e humanos-animais.

Pois uma coisa é a prática formal, outra é ver como a aplicação prática no cotidiano rende frutos e efeitos.

E foi isto que meu doce gato me propiciou.

Durante a semana do evento – que ocorrera no final de semana – ele começou a fazer xixi no puf da sala, algo que ele nunca havia feito nestes dois meses de convívio. No primeiro dia, briguei com ele, falando um pouco mais duro. No segundo, dei um esporro, bravejando. No terceiro, esfreguei seu nariz e dei um tapinha. No quarto peguei ele no flagra e, com intuito de aproveitar o momento para dar-lhe uma lição, bati nele, além de fazê-lo cheirar o xixi e ouvir um sermão bravo acompanhado de mais umas palmadas. Temos o estranho hábito de achar que violência resolve algo.

Veio o retiro e, na volta, novamente xixi no puf. Quando fui aplicar a repreensão física ele me olhou com olhar doce, sem aparentemente entender o porque de minha violência e seu olhar amoroso me fez retomar os ensinamentos de amor e compaixão, em especial, neste caso, pela ignorância dos animais - quantas vezes não deixamos de ver em nossos pares tal ignorância e quantas vezes não somos mais ignorantes que os animais. Resolvi conversar com ele.

Coloquei-o gentilmente para cheirar o xixi, mostrei a caixinha de areia, voltei ao puf, limpei e o fiz cheirar o pano. Sentei ao lado dele e fazendo carinho em seu focinho, abri meu coração olhando em seus olhos, deixando que a clareza da comunicação não-verbal fizesse o resto, pontuada com uma ou outra tenra palavra.

Canalizei a vontade pelo coração e fiz-me entendido.

Desde então ele não fez mais xixi no puf. Minto. Fez mais duas vezes. A primeira um ou dois dias depois, o que para mim não foi uma falta dele, mas uma prova para mim, para ver se eu havia aprendido a lição da compaixão e colocado minha energia agressiva – mesmo aquela que consideramos ‘positiva’ – sob controle; a segunda ontem, quando sua veterinária, minha querida e competente prima Carol Rabello, veio aqui em casa para aplicar-lhe vacinas.

É através do olhar firme, mas amoroso que iremos mudar os padrões pessoais e coletivos. E nisto, meu Petit Gateau transborda.

No pêlo do Amor e ronronar da compaixão,

domingo, 14 de junho de 2009

Amor arqueiro

Para cada flecha existe um alvo.

Amor é a mira (Ágape), é a força da puxada (Eros) e é o alvo em si (Philia). É também o destino (Amor fati) e a certeza de que não adianta se rebelar contra, mas sim se exercitar para acertar em cheio.

Na improbabilidade de existirem duas flechas para o mesmo alvo, deve-se imaginar, pelo princípio da harmonia e do equilíbrio, que haverá algum alvo sem flecha ou ainda e melhor dizendo dois alvos para uma flecha. Ou seja, o imponderável forjará a sabedoria e a habilidade do arqueiro para exercer sua plenitude com dignidade.

No centro do Amor,

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Amor enamorado

O Amor dos Namorados - ou enamorado - pode-se dizer do em seu auge: é o desabrochar da flor, o amadurecimento do fruto, a expectativa eufórica e já deleitada dos instantes da chegada do trem à plataforma.

O impulso erótico é o de ir ao encontro do outro, explorando-o, conhecendo-o, saciando-o e assim também a si próprio.

Esse (re)conhecimento eleva o nível do Amor do impulso sexual à percepção do outro como Ser, ao deleitar-se com as descobertas dos detalhes que fazem o outro tão outro e ao mesmo tempo tão próximo e igual pela simples existência desse mundo pessoal e intransferível de idiossincrasias e paixões. Por mais que sejam distintas, sua existência é um padrão que equipara a todos - uns mais no controle, outros mais subjugados a si mesmos e, portanto, ao Todo.

Essa vontade de conhecer cada vez mais é o estímulo do Amor, que busca desvelar todo o conhecimento - por ser conhecimento em si -, fundindo tudo no nós que é mais que a soma de dois: é um infinito de possibilidades.

Mas é aí que reside o problema: em dado momento o impulso erótico perde seu vigor inicial - como todo ciclo -, sendo responsabilidade do Amor Ágape - o princípio do conhecimento elevado - ser a mola propulsora e força de manutenção.

Acontece que em paralelo as pessoas também se acomodam e deixam de se renovar, passando a ser previsíveis e a representar um eterno devir. Isto estagna a força ágape de estimular a força erótica a reviver - ou até de continuar, deixando de guiá-la; quando o timing é perfeito nenhuma força cessa. Com renovação e constante evolução pessoal a troca mantém-se rica, boa e proveitosa não apenas nas conversas, mas excitante também na ação.

Caso não ocorra renovação cai-se facilmente no monótono desequilíbrio com predomínio da força philia, que torna o casal mais próximo à relação fraterna, com cara de irmãos - quando não inimigos, motivados pela frustração do potencial simbiótico -, com fogo brando, baixo e sem vida, muito diferente daquela áurea de amor eterno até que a morte os tente separar.

Quando a energia é forte, pura e está em harmonia flúida no triângulo Eros-Ágape-Philia não há força que consiga destruir pirâmide de poder e é o momento de transcendência e a superação do estado dual do nascimento e da morte: isso é a vida; como casal e como indivíduo, principiando neste para dar forma àquele.

Entende-se então que deve-se cultivar o amor erótico em equilíbrio com a parceria oriunda da força do amor philia, harmonizados pela força ágape - sendo cada qual o melhor amigo e confidente do outro no casal, bem como na vida.

Fundindo o impulso e desejo de estar junto com o outro da força erótica e a vontade que o conhecimento traz e alimenta, revivendo o impulso inicial no positivo devir. Esta última, a força Ágape, entendo como a chave do enigma para a longevidade de uma relação (ou indivíduo na relação consigo mesmo): fazer do outro (ou de si) um mundo em constante exploração, sempre aberto às eternas descobertas, pois esta é a característica do Amor - é conhecimento, abertura e vontade de conhecer mais e mais; é auto-sustentável, auto-alimentável, quanto mais se dá e incentiva, mais se tem.

Ao se fechar o ciclo - através do foco em si (através da meditação, por exemplo) e no outro (constante descoberta d@ parceir@) - cria-se a roda do Amor e da proteção - sustentados pela força da pirâmide dos arquétipos do amor grego, complementares por natureza - e com sua força vencem e superam a roda da vida (samsara) e protege o indivíduo e o casal de todo mal - é o amor que forja as melhores alianças.

Renovem-se no Amor e sejam felizes para sempre.

Na aliança do Amor,

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Amor fati - o caminho secreto da evolução

Há quase um ano, no dia 06 de julho, escrevia um artigo sobre o caminho secreto da evolução aqui mesmo neste blog.

Eis que agora, nas aulas de ética estóica no Mosteiro de São Bento/RJ - pai dos monges do ocidente -, me deparo com o conceito de Amor Fati cunhado e propagado pelos estóicos - e como gosto deles: Sêneca, Epicteto, Marco Aurélio, só para citar os 3+ (na minha concepção, lógico).

Ao navegar pelo wiki, ainda vejo com regozijo que Nietzsche se rendeu ao mesmo conceito. E é a partir de suas falas que me veio a mente que o resultado do justo caminhar do caminho secreto da evolução por mim proposto nada mais é que a realização do Amor Fati. Pois vejamos o que o mestre disse:

"Não querer nada de diferente do que é, nem no futuro, nem no passado, nem por toda a eternidade. Não só suportar o que é necessário, mas amá-lo".

"Quero cada vez mais aprender a ver como belo aquilo que é necessário nas coisas: - assim me tornarei um daqueles que fazem belas as coisas."

"Amor fati (amor ao destino): seja este, doravante, o meu amor." Não quero fazer guerra ao que é feio. Não quero acusar, não quero nem mesmo acusar os acusadores. Que minha única negação seja ‘desviar o olhar’! E, tudo somado e em suma: quero ser, algum dia, apenas alguém que diz sim."

Neste contexto, entendo que reconhecer sua verdadeira natureza, amorosa por essência, e agir de acordo com ela em busca da plenitude nas 3 esferas - externa com o coletivo, interna através da individuação e secreta na evolução da mens (alma/mente) - é percorrer o secreto caminho a evolução, é vivenciar o Amor Fati, o Amor dos fortes - algo que Nietzsche corrobora "ser, antes de tudo, um forte", e os estóicos confirmam: "guia quem consente e arrasta quem recusa".

É preciso ser forte para sair de si e convergir, abrindo-se ao Todo, esse é o princípio do Amor, que fecunda de maneira elevada a partir desta união.

No Fati do Amor,

Amor - escolha da vida plena, sem renúncia

Vida. Cheia de escolhas. Abarrotada de renúncias.

E com medo de perder as coisas em detrimento a outra, deixa-se de escolher e ganhar. Desejando tudo não se tem de fato nada.

A força do impulso de Eros se perde sem o foco do Amor Ágape que direciona naturalmente à escolha certa, aquela que leva à completude da Philia e se deleita no Amor fati. Mas pode ser diferente.

Quando se vive com Amor, esta força convergente e abertura sustentável que harmoniza os pólos envolvidos, entende-se que escolha e renúncia são faces da mesma moeda, que nunca se perde nada, sempre se ganha.

O Amor encontra seu caminho e te conduz às escolhas certas, basta estar aberto à vida que nada mais é que um continuum do Amor, um fio de ouro interligando o Eu, o Outro e o Ambiente.

Na moeda do Amor, sem escolher a face que me sorri,

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Amor à harmonia

No shopping, a mulher do casal subia a escada rolante com o timbre de voz ao celular tão grave quanto a expressão de sua face e o tom mais alto que seu salto.

À distância se sentia a gravidade. De perto entendi com clareza a motivação e o tema: "ter ou não refrigerantes na festinha", provavelmente das crianças, presumo.

Isto evidencia o quanto somos nós que atribuimos o peso e o valor às coisas. E o quanto o mundo clama por harmonia e soluções pacíficas.

Afinal, festinha é para dar prazer. E ser feita e curtida com Amor.

Antes de julgar esta moça, presa como todos nós aos conceitos do samsara, reflita quantas vezes já não fizeste algo parecido. Quantas vezes já não deixamos a razão de lado, cegos pelas emoções, em desalinho com o Amor e entregues à desarmonia.

Então, quando for reagir de maneira não harmoniosa a algo, lembre-se que aquilo é o refrigerante da festinha. E que tudo será melhor se for feito com harmonia e amor.

Aja, não reaja. Esta é a força do Amor, soberana em qualquer situação, definitivamente solucionadora.

Basta se abrir e ser um canal desta harmoniosa energia transformadora que sabiamente harmoniza o que pode e o que não pode, o que está e o que não está em nosso alcance.

Começa com sua pacificação e toma conta de tudo o que está ao seu redor.

Na festinha do Amor,

Amor própolis - Amor à cidade

O Amor própolis é, na livre tradução do grego, o Amor em defesa da cidade.

É tomar um sorvete sentado em um banco contemplando o Tempo e as pessoas passando e transformando os espaços.

É entender e fazer da cidade um lugar para todos.

A começar pelo olhar, democrático e não-repressor, aceitando a diversidade urbana com naturalidade, buscando concretamente a harmonia com a natureza que se espelha nas janelas, brota nas brechas, 'verdeja' nos canteiros e vive em cada um de nós.

Há quanto tempo você não senta em um desses bancos e contempla a cidade e a você mesmo?

Cultive as suas defesas, abra as portas da sua cidade e ganhe o mundo.

Urbi et Amor,

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Amor, eterno desafio da plenitude de nosso Ser

Penso que a vida é um eterno desafio do afirmar-se vivo na plenitude de seu Ser.

A vida se renova a cada respiração, abrir-se para o momento agora é o que garante a nossa eternidade entre o passado que se avoluma e o futuro que se diminui dentro da perspectiva finita de nosso Ser em nossa busca por nosso Ser infinito.

Por isso, sinta-se confortável não importa a situação, afinal, tudo passa, as coisas boas, as coisas não tão boas. E com sabedoria e compaixão, esta viabilizando aquela, forja-se no cotidiano a evolução rumo à plenitude de nosso Ser.

É através da compaixão que a inteligência, brilhante, mas ordinária, ganha status de sabedoria e o poder de transmutar emoções, o ego e obstáculos quaisquer, canalizando tudo para o crescimento através do aprendizado humilde de todo conhecimento necessário a nosso Ser.

Felicidade a cada passo de seu caminho rumo ao encontro de si mesmo.

No Amor, esse primeiro passo tão importante,

Amor - vértice de profundidade do Tempo-Espaço

O Tempo encurta as distâncias e no Espaço o amor une as diferenças.

No conhecimento do Amor, que aprofunda a vivência,

Amor - a flexibilidade da impermanência a partir da solidez do coração

Esta frase - Sou a flexibilidade da impermanência a partir da solidez de meu coração - escrevi quando tive um dos maiores aprendizados de minha vida. Afinal, aprendemos mais com o sofrimento do que com o amor, mesmo sendo ambos professores, nós, alunos, não somos igualmente aplicados. Todavia não podemos deixar um matar o outro, mas sim buscar a complementaridade dos aprendizados através da sabedoria.

Versa sobre o eterno mudar das coisas, a fluidez das mudanças, contemplado a partir do único bem eterno e sólido no qual podemos nos apoiar - a meu ver, lógico - o amor, que une passado, presente e futuro harmoniosamente.

Sobre o Espaço-Tempo, vai além e transcende à eternidade de cada momento.

No Amor, máquina do Tempo e métrica do Espaço,

sábado, 6 de junho de 2009

Meditação é amor

Pela meditação se atinge o infinito. Aquilo que é infinito é feliz. Não há felicidade no limitado. #Upanishads

Estou crendo cada vez mais que meditar é praticar Amor, pois também o Amor nos leva ao infinito. E só ele, o Amor, além.

Meditação - aquele momento de amor próprio que se expande por todo universo.

No OM do Amor,

Amor é obra-prima

É o ato de criação; sexo sim, mas com amor, conscientes da responsabilidade da multiplicação do que é uno, atentos aos desdobramentos da reprodutibilidade e perda de valor da arte.

No Amor de cada momento, eternidade aprisionada no tempo-espaço de nossa finitude,

Amor é movimento paradoxal.

É movimento saturnino de repreensão à uranite 'Chronica' que assim dá vida à beleza venusiana.

É castração e fecundação em um só movimento; é harmonia se alinhado corretamente, desequilíbrio e choque quando mal interpretado.

Na órbita do Amor

domingo, 24 de maio de 2009

Amor é o Espaço que interage com o Tempo

Amor é a abertura da Mandala, o espaço que abrimos em nós mesmos para dialogar com o Tempo e assim, dar ordem ao caos, sentido à vida, às coisas e a nós mesmos.

Abre-se para acomodar o Tempo do jeito que este vier e, neste diálogo, o moldar de acordo com o cerne da mandala de nosso Ser. Como todo diálogo, castra-se o monólogo do ego, enriquecendo-o e fecundando-o, contudo, em uma harmoniosa e bela troca com o meio.

Na mandala de nosso Amor, harmonizamos nossa relação espaço-tempo, integrando-nos, corporificando assim a plenitude de nosso Ser.

No Amor, Espaço além de qualquer Tempo, que se expande no infinito da eternidade,

Petit Gateau – um doce de gato, um amor de relação


Petit Gateau chegou já com 5 meses – mesmo sido prometido desde seu nascimento -, mas nascia ali, naquele primeiro contato, uma linda história de amor pleno que se renova a cada alvorada.

É incrível como o cuidar do outro - o se importar na prática - altera para melhor nossas próprias características, hábitos, manias e padrões (de pensamento, fala e ação).

Em todo lugar da casa onde estou, lá está ele comigo, companheiro amoroso. Como tenho aprendido com ele. Estar junto, mas 'na sua', dando amor sem sufocar, simplesmente presente quando de um olhar se precisar. E quando o tempo-espaço permite, brincar, interagir, atuar.

Auto-suficiente, e talvez exatamente por isto, com muita abertura para se doar.

Mesmo que não haja troca de palavras, os olhares, os carinhos, os beijos-lambidas e os ronronares provam que a troca amorosa transcende a limitação das letras arbitrariamente impostas a compostos conceituais chamados palavras.

E dessa singela relação aprendo mais um pouco o complexus - 'tecido em conjunto' - que é o Amor.

No Amor, clareza de nosso Ser,

Amor - vontade maior do Ser

Ego é a vontade menor. É matar um leão por dia, bater-boca por coisa pequena, remar contra a maré para satisfazer pequenos caprichos e se sentir minimamente satisfeito e reconhecido.

Por medo nos entretemos e iludimos com pequenices do Ego, dispersamo-nos e nos escondemos por trás da preguiça e da indiferença, esquivando-nos de encarar o desafio maior de nosso Ser, que é o de realizar a missão de nossa alma-mente-coração: a corporificação de nosso pleno potencial através do Amor e o alcance de nossa vontade maior, nossa individuação, a realização do self.

Realizar a integração em seu pleno potencial não é se rebelar contra a maré, tampouco apenas ir com ela, é trocar harmoniosamente com o meio e assim se evoluir no diálogo amoroso de suas partes, onde o auto-conhecimento é a expressão máxima do amor - para si, para com o outro e para com o todo.

Na integridade do Amor, esta vontade maior, pertencente aos fortes,

terça-feira, 19 de maio de 2009

Amor é o Tempo, o Espaço do novo e do velho

Velho, novo... o que seriam?

O novo não passa a ser velho em um instante e o velho, revisitado não passa a ser novo?

Não é o Tempo um conceito humano e próprio de cada um? E se velho e novo forem um e a mesma coisa, entrelaçados na espiral cíclica da vida em eterna evolução?

Aí é só não se desgarrar e compreendar como os fios se entrelaçam, seguem e forjam a teia de nossa vida que nos sustenta em nossa evolução.

Eu tento observar minhas dores, do corpo e da alma com a maior serenidade possível. Busco com compaixão entender o motivo de sua existência para de alguma maneira aprender com elas e assim evoluir amorosamente.

Temos sempre vislumbres daquilo que somos em nosso pleno potencial e, ao menos ao que me parece, nosso dever é cultivar nossa essência para alcançar esta plenitude e trazê-la para o plano físico, fazê-la cotidiano e não apenas lampejos do sublime meditativo e transcendental - tornando-nos assim infinitos (i)mortais.

No Amor, essa infinita relação TempoXEspaço,

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Amor - plano maior

Fazemos parte de um plano maior. Ao menos fazemos planos. E para torná-los maiores e mais elevados a costura é o Amor, que nos torna parte do plano maior; que em si é Amor.

É como concretizar uma idéia - lapidar o esboço à perfeição da ação e de seus resultados: Amor é o esboço, a lapidação, a obra e o aplauso.

No plano do Amor se encontra a sua felicidade e no seu?,

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amor con-sagrado

Gato em casa faz-nos ver como tudo depende de nossa relação: tudo é vazio em si - tigelas de oferenda se tornam potes de água - isto é o sagrado.

Consagrar o cotidiano é deixar o Amor respirar entre uma inspiração e outra expiração, esse é o cultivo cotidiano, é o verdadeiro Amor, sempre - emanado e presente - no detalhe.

É não ver diferença onde não há e regozijar-se em viver plenamente a unidade que é a vida.

No sagrado do Amor - um detalhe tão pequeno de nós, dois em pensamento, unos em essência,

domingo, 3 de maio de 2009

Amor catalisador da sabedoria

Sabedoria é conhecer e lidar proveitosamente com os limites, os seus próprios e os externos.

Amar é aceitar os seus limites e os dos outros, é o elemento compassivo que torna a inteligência sabedoria, canaliza e transmuta as energias, conferindo a tudo ordem e progresso.

Na sabedoria do Amor,

sábado, 2 de maio de 2009

Love right here, right now

You are Here. And here is Now. Nothing else exists, but love, the path to eternity.

In Love we (must) trust

O espetáculo da vida é a surpresa do Amor

Paixão Eros, Amor Ágape, União Philia – corpo, fala, mente; tudo estranho, tudo diferente e ao mesmo tempo pertinente, complementar, surpreendente: evolução em busca da eternidade do espaço e qualidade do tempo, a construção do alicerce da vida soberana.

Na surpresa da vida, o espetáculo do Amor,

Amor – união incondicional

Às suas mãos, quero juntar as minhas; aos seus cérebros, o meu interligar; aos seus corações, o meu ilimitado, pulsa, verve, une, ama.

No amor, que sussura, grita e clama,

sábado, 25 de abril de 2009

Amor - aceitação e superação de si

Já estive aqui inúmeras vezes.
Freqüento este planeta desde seus primórdios.

Já matei, já roubei, já magoei.
Já andei solitário por entre gente,
relacionamentos,
confiando apenas na mente,
tormentos.

Lapidava a razão distante do coração,
esquecendo-me que tudo é equilíbrio,
que tudo é um só: o segredo da filosofia,
sensação, sentimento, pensamento, emoção, isto tudo combinado, sabedoria.

Evolui com os ciclos e agora só quero Amor.
Basta de viver o sofrimento, de aprender pela dor.

Chega um momento onde se descobre que Ser é Amar, que esta é a origem, este é o melhor meio e este é, com certeza, o único fim: se superar.

Muito além de reducionista, fatalista, aprisionante esta verdade é redentora e libertadora, estimulante.

Quando se aceita sua verdadeira natureza e passa-se a harmoniosamente trabalhar com ela, tudo flui, desatam-se os nós, caem os véus, cessa a neblina da confusão dualista e pode-se enfim seguir adiante explorando, vivenciando e colhendo os frutos do infinito de seu pleno potencial natural: isto é o Amor - a infinita dimensão natural do Ser.

Na aceitação que leva à ação dinâmica, sensata e amorosa, que é o Amor, a superação de si,

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Amor - conquista extraordinária

O Amor é uma conquista extraordinária que eleva o cotidiano ordinário ao sublime.

É, portanto, parte ordinário, parte sublime, é o extra que faz nossos pulmões, olhos e veias suspirarem, nossa pele transpirar, nossa mente sonhar e nosso corpo realizar. Une a idéia, a teoria, a necessidade e o desejo à ação, prática, resultado e sustentação.

É o elemento de ligação do físico e do metafísico e a união em si. É o sistema de dois pólos que são na verdade unos e o mesmo sistema. Reconhece e respeita as diferenças e a unidade natural.

É a busca pela paz, harmonia e superação e é a paz, harmonia e superação em si.

Amor é a coisa-em-si. É a plenitude e independência de cada parte, é a integridade e multiplicidade do Todo.

É vida em seu nascimento e sua morte; é verdade em sua tese em sua antítese; é Deus em seu princípio - vacuidade e nada - e seu fim - plenitude fenomênica e o Todo.

Inspirado pela missa encomendada pelos 96 anos de meu saudoso Opa, avô que tanto me ensinou que Amor é verdade, vida, liberdade.


Na conquista extraordinária que é a liberdade do Amor,

Amor - o passo do conhecimento, a ponte entre a ignorância e a plenitude

Um homem ciente de sua ignorância é um homem a um passo de sua plenitude.

Amor é este passo corajoso adiante e para fora da zona de conforto, a ponte que une dois mundos: ontem-amanhã, ignorância-plenitude, eu-outro; é o hoje, o conhecimento, o nós, agora.

No Amor que desperta, conhecimento que aceita, vivência que liberta,

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Amor é convergência na essência

Convergir as necessidades coletivas - de duas ou mais pessoas - com o desejo individual, isto é Amor.

E como convergir sem se chocar?

Através do conhecimento das partes, da idéia do Todo e do respeito absoluto: primeiro pelo que se chama de nós e depois igualitaria e equanimemente, sem distinção o outro e o eu.

Isso é Amor, o caminho que converge e soma na união, cujo resultado é sempre superior que o valor das partes.

Na convergência do Amor,

terça-feira, 14 de abril de 2009

O Amor, caminho pela morte

Mudar? Quem sabe... já não mudamos a cada rotação? Nada sei sobre meu futuro a não ser da morte, que me espreita serena ao fim da caminhada.

Enquanto isto, aproveito a paisagem, tomo consciência de meus passos, amo cada vez mais a vida para, quando me entregar aos braços da morte, possa fazê-lo tranquilo, confiante de ter trilhado o caminho que me era possível e desejado.

Saudades suas, espelho meu com face tão própria e jeito tão diferente quanto igual; afinal, por mais diferentes que sejamos, humanos entre si e animais, a base é a busca da felicidade em meio ao sofrimento da vida, o que nos torna iguais.

Para você que está lendo, que as palavras lhe envolvam como um querido e afetuoso abraço, daqueles que transcende o tempo e o espaço, o nascimento e a morte, e que preenche de amor a vida.

No abraço do Amor,

sábado, 11 de abril de 2009

O fruto do amor é o mundo fenomênico

É o Amor o elemento que possibilita a união de corpos, sentimentos e razão, em suma, da manifestação do pleno potencial da coisa-em-si, da realidade onde tudo é uno, não havendo dissociação entre Tempo e espaço, ressaltando o paradoxo do pleno potencial da coisa-em-si em meio ao todo convergido.

No fenomeno do Amor,

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Amor é acessibilidade

Acessar as necessidades do outro, do diferente, é ir ao encontro de nossa completude, pois atendemos, sem saber, às necessidades inconscientes de nossa parcela que nos é desconhecida. Ir ao encontro do diferente é ir ao encontro de aspirações maiores.

Ao contemplar a deficiência atinge-se a perfeição - principalmente ao se dar condições do outro acessar seu pleno potencial por conta própria, isso é Amor.

Amar é este acesso ao direito humano de viver sua plenitude. Siga essa idéia.

No acesso ao Amor,

sábado, 28 de março de 2009

Amor real, vazio inverso

Este post começa em seu fim.
Impacto profundo do vazio em mim.
A compreensão do transcender, a rede erigir,
o mundo e as coisas entender, saber, agir.

Morte. Ressurreição.
O que sou, o que não sou.
Quente. Frio. Soul
da vontade coração.

Átomo, galáxia, existência vazia,
esperma, cometa,
célula, planeta
a relação é tudo, noite, dia.

No contraste se forja toda evolução,
a partir do entendimento de uma só dimensão;
não há eu, não há outro senão o nós,
a vida, destino, uma só voz.

O controle é do indivíduo responsabilidade,
fazer parte do todo, é tudo equanimidade.
Contraste, unidade, interdependência,
o amor é Luz, maior ciência.

Equanimidade, Amor, Regozijo e Compaixão,
Quatro qualidades, incomensurável potencial,
um mundo de oportunidades excepcional,
convergência de tempo e espaço em real transformação.

No Amor,

terça-feira, 24 de março de 2009

Amor poema, beleza da interação

Sou poema, desejo ser amado,
de preferência guardado
no coração e na mente
de quem me lê, ouve, toca, sente.

Aquela que se lembra, no instante se liberta.
Recorde e recobre esse amor em versos,
não se perca em meio aos caminhos diversos.
Canaliza, brisa, flui, desperta.

Não há tempo, muito menos distância
que calam a ânsia
do amor que pulsa
em cada verso, rima, palavra avulsa.

Teus olhos, sentimento,
livre interpretação,
outros a cada momento
escolhas a cada interação.

Sou poema. Fonema.
Blog, post, pessoa pequena.

Grande sim é meu amor,
que me rima a ti com sincero louvor.

Sou palavra, letra, sorriso, dor.
De tudo me esqueço: espinho, flor;
quando de minha boca e linhas parto,
ao seu ouvido me curvo, nele anoiteço.
É em seu coração que ecoo, nele amanheço.

Desperto infinito,
poema de amor,
agora sim, amado, agora sim, bonito,
agora sim, sem dor.

No Amor, a rima perfeita da interação,

Amor ao inesperado

"Só se deve fazer aquilo que se ama; é assim que nos abrimos para o inesperado."

Esta citação do livro de David Lynch - 'Em águas profundas' representa bem o que é o Amor e todo seu poder.

Fazendo aquilo que se ama se está sereno e feliz, pleno de capacidade de aprendizado do desconhecido que é o inesperado, pronto para acolhê-lo e torná-lo parte de seu sistema amoroso, mesmo que à margem de sua mandala de Amor, o círculo de seu Ser.

No Amor,

Amar, meditar além fronteiras

"Pela meditação se atinge o infinito. Aquilo que é infinito é feliz. Não há felicidade no limitado."

Sabedoria védica encontrada nos Upanishads e que absorvi lendo o livro de David Lynch - 'Em águas profundas' - altamente recomendável para quem trabalha com criação e quer entender um pouco mais sobre a meditação neste processo.

Estou crendo cada vez mais que meditar é praticar Amor - e que Amar é meditar -, pois também o Amor nos leva ao infinito. E só ele, além.

Meditando alcançamos a infinita eternidade de nosso próprio Ser e nos integramos ao Todo, unindo-nos indiscriminadamente a cada ponto desta grande teia que é a vida; amando suspendemos as fronteiras do tempo e do espaço.

Om Amor,


Amar é meditar

Meditação é aquele momento de amor próprio que se expande por todo o universo.

Om Amor,

domingo, 22 de março de 2009

Amor - verbo transitivo

No princípio era o verbo, transitivo e direto, era o amor.

Amor, verbo transitivo que se completa com o subsequente; transitivo é verbo de movimento, como o Amor, ação que se completa no (sub)sequente, a cada instante, até na teoria que na prática já expande as fronteiras.

Quem ama, ama algo ou alguém; a começar por si para juntar forças e ir além.

No amor transitivo direto, verbo do princípio, fim de nós mesmos,

sábado, 21 de março de 2009

Amor é o ciclo que erige a pirâmide de conhecimento divino que é o nosso Ser

Aquilo que você intui que está lá, você alcança com a fé, apreende com a razão, registra com a sensação e relembra com o sentimento. Este ciclo de conhecimento é o verdadeiro Amor.

Onde - baseado na mandala budista e na junguiana - a intuição fica a direita, a sensação a esquerda, o pensamento-razão acima e o sentimento abaixo, com a fé ocupando o centro (no lugar do Ego) e o Amor sendo a força que aglutina, distribui e mantém esta roda de conhecimento agregada e a girar rumo à evolução - contra o ciclo do samsara; horário x anti-horário, respectivamente.

No modelo abaixo, retirado do pdf "Jung e a Kundalini", basta substituir o Ego pela Fé e obtém-se o modelo de Amor por mim proposto neste post.
Se ousarmos colocar isto em 3D, podemos erigir uma pirâmide de Amor a partir desta 'planta baixa', sendo o Amor o vetor que eleva a fé e assim os demais pontos-base do conhecimento.

Vale ressaltar que a mandala budista é sempre acessada pelo leste - aqui representado pela intuição, o que faz todo sentido - ao menos para mim. E para você?

No Amor,

quarta-feira, 18 de março de 2009

Amor - convergência sem fronteiras

Amor é você não enxergar fronteiras e acolher o que há de melhor em tudo, convergindo para enaltecer valores. Como diria Marx: "ponto em que ele, em sua existência mais individual, é ao mesmo tempo coletividade (Gemeinwesen)".

Tudo tem seu lugar na mandala e roda da vida: Amor é este ato organizador - como também é o ato criador e o ato da destruição produtiva e criativa neste ciclo sem fim, a passagem do novo e desconhecido para o familiar e conhecido, dando abertura para um novo ciclo quando o vigente estagnado já não impulsiona a vida - reconhecer o timing da vida e de seus ciclos é a sabedoria máxima do Amor.

Amor supremo é conseguir manter através de sua organização e manutenção o tempo familiar e conhecido no ápice de sua revolução.

No Amor,

Amor - a certeza da dúvida, a coragem de seguir em frente e colher sabedoria

A dúvida, dádiva divina,

que às sombras da ignorância esclarece e ilumina,

só não pode lhe fazer perder a certeza de menina:

que o mar é mar e a terra é terra,

na humilde certeza de que em sua busca todo mundo erra;

se confunde e de sua profunda confusão emerge a sabedoria que corta os véus da ilusão.

Como transformar conhecimento em sabedoria,

este é o caminho ignorado pela imensa maioria.

Mas se palpitar devo nesta situação,

siga os conselhos de seu coração:

Amor é a saída, na tua vida a entrada, solução.

Escrito - após meditar - ao responder a uma aluna que se dizia com dúvida. Não sou filósofo, muito menos poeta, mas busco me versar no alcance de minha meta. ;) Portanto, desculpe pela pobreza estilística.

Sei quão os poetas são menosprezados pelos filósofos, mas acho que Amor é você não enxergar fronteiras e acolher o que há de melhor em tudo, convergindo para enaltecer valores.


No Amor,

terça-feira, 17 de março de 2009

Amor - brisa que eleva a cada passo

Cada passo é uma brisa que nasce no caminho que é o Amor - quando intenso é o vendaval da paixão. Mas tudo é ar - pois respira, anda, ama, isso é viver.

A troca, o entra e sai, do todo o sistema, da vida dilema; não é questão de amar ou não, é questão de elevar o viver, isso é o amor.

No Amor,

segunda-feira, 16 de março de 2009

Amor é Luz na escuridão

É sentir-se confortável - sem medo - na escuridão, com abertura e ternura convidando a Luz para esclarecer pontos obscuros; harmonizando (com) a respiração.

No Amor,

quinta-feira, 12 de março de 2009

A flor do Amor

É magia, mistério, mutação - é o singelo desabrochar da mente-coração.

Raiz na lama, no caos, no drama.

Caule com espinho forte, flexível, fiel ao caminho de nossa própria sorte.

Botão frágil, suscetível à fala.

Desabrochar que cala, emudece, preenche, transborda, esquece - renasce e vive a eternidade da beleza de sermos um só: a beleza da flor e do contemplar; o lábio de um, da boca o par.

Semear e (es)colher, regar e podar; plantar da semente à semente, cuidar é amar o ciclo da vida sem sofrer - entender e contemplar para o melhor desfrutar.

No Amor,

Amor é movimento não-dual

É a força do impulso - Eros -, é a clareza da direção - Ágape - , é a sábia união não-dual - Philia -; sabedoria que reconhece que movimento existe mesmo quando se fica estático - quando isto é uma decisão consciente e para assegurar o valor e a vida, o conhecimento e seu caminho de edificação do Ser em harmonia com o Todo.

É a dança da vida na qual se conduz e se é conduzido sem distinção de papéis ou preferência, apenas regozijo no entendimento equânime, de onde emergem o amor e a compaixão.

No Amor,

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Amar – a responsabilidade que é viver – a escolha

Viver e estar encarnado como Ser Humano é uma oportunidade única de não apenas sentir, pensar e falar, mas principalmente exercer e fazer o Amor se concretizar.

Ter a questão existencial da escolha - do livre arbítrio como uma dádiva, uma graça divina - é uma responsabilidade a qual devemos fazer jus, explorando o máximo de nosso potencial, abandonando nossa vidinha ‘em-si-mesmada’ para viver a Vida em toda sua plenitude através do poder do Amor.

Devemos assumir esta responsabilidade e não deixá-la na mão de ninguém, nem de Deus. As pessoas tendem entregar tudo a Deus e se esquecer da responsabilidade máxima do livre arbítrio, daquilo que nos faz sermos o que somos: nossas escolhas.

Deus não serve apenas para ouvir nossas confissões ou nos consolar; seria muito pouco para um Todo-poderoso. Por que não se espelhar em suas qualidades – existentes ou projetadas, não importa – ao invés de lhe praticamente exigir sua piedade, quando não repulsado por uma extrema arrogância egóica? Os extremos demonstram a fraqueza do desequilíbrio homogêneo: ou todo submissão ‘mesmizificada’ ou todo insolência individualizada; isto quando não somos nem totalmente parte de um grupo homogêneo, tampouco somos indivíduos heterogêneos, quando não somos nem ego, nem não-ego, para não deixarmos de fora uma abordagem budista. Amor é o caminho do meio que tudo converge.

Devemos Amar e assim nos tornarmos Amor e unos; afinal, Deus não é Amor? Como querer se harmonizar com o divino – o extrínseco, o intrínseco e o secreto – se não estamos dispostos a Amar de verdade, se temos medo de sairmos de nós mesmos em direção ao outro? Como faremos parte do Todo? Como tornarmo-nos plenos, fortes e isentos da necessidade de piedade?

Amar é para os fortes. Amar é nada temer, tudo aceitar e trabalhar para melhorar a partir do ponto em que tudo se encontra. Não é conformismo, pelo contrário, é a via possível de transformação. É a divinificação do humano, a união superior, é o entendimento do que é possível e a viabilização do impossível. É a formação do Homo amabilis, do Übermensch.

Ser Amor é trabalhar em prol do progresso e união de todos em um Todo. É entender que somos células de um grande organismo chamado Terra e cuja enzima salvadora se chama Amor e que nós, humanos, somos os maiores responsáveis por produzir, cultivar e aplicar.

Não há contra-indicações. A toda hora de escolha, a cada momento, pare e reflita se sua ação resultante de sua escolha traz benefício para si tanto quanto para os demais humanos, animais, plantas. Mude hábitos por Amor. Mude gostos por Amor. Simplesmente mude por Amor. Mudar é evoluir e isto é Amor; por si, pelo outro, pelo Todo.

Pois é dando que se recebe Amor. E a mudança que o mundo tanto necessita começa por cada um de nós. E mudar não é perder e sim reforçar sua essência que não é outra que Amor: surgimos de um ato de Amor, devemos viver no Amor para transcender a morte com Amor.

Guiar suas escolhas por Amor lhe torna progressivamente Amor, que dá, recebe e propaga aquilo que é a única saída para a existência de vida inteligente neste planeta Terra: o desenvolvimento sustentável do Amor.

No Amor, o sustento do verdadeiro desenvolvimento,

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Fazer amor

O temporal noturno
Acorda os amantes,
Inunda o vale.

Fazer amor é natural. Por que envergonhar-se dele?

Parece simples, mas, na verdade, é um grande desafio nestes tempos complexos. Muitas outras camadas de significado foram agregadas ao sexo. As religiões o colocam em camisas-de-força, os ascetas o negam, os românticos o glorificam, os intelectuais teorizam a respeito, os obcecados o pervertem. Essas ações nada têm a ver com fazer amor. Elas vêm do fanatismo e do comportamento compulsivo. Podemos realmente enfrentar o desafio de tornar o ato de fazer amor aberto e saudável?

O sexo não deve ser usado como alavancagem, manipulação, egoísmo ou abuso. Não deve ser terreno para nossas compulsões e ilusões pessoais.

A sexualidade é um reflexo honesto de nossa personalidade mais íntima e devemos nos assegurar de que a sua expressão seja sadia. Fazer amor é algo misterioso, sagrado e, muitas vezes, a interação mais profunda entre duas pessoas. Se o que for criado for um relacionamento ou uma gravidez, o legado de ambos os parceiros será inerente a sua criação.

O que colocamos no amor determina o que obtemos dele.

Extraído da página 30 do livro 'Tao - Meditações diárias', de Deng Ming-Dao, editora Martins Fontes.

No Tao do Amor,

O azedo do Amor

Amar é entender que todo limão precisa ser adoçado, todo Ser amado.

Independente do caroço, que não deve ser descartado, mas louvado, pois representa o devir do limão, a continuidade do fruto, a eternidade do Amor pela aceitação do aparentemente não-conveniente.

Amar é contemplar o caroço do limão, realidade em extinção, perigo de uma evolução em desequilíbrio.

No Amor,

sábado, 24 de janeiro de 2009

Amor é convergência de entendimento

Amar é compreender e exercer a compreensão das forças e vontades em questão. É o campo e as regras para o múltiplo se forjar uno, a plataforma de convergência de interesses.

Portanto, lábios ao lobby.

No lobby do Amor,

A mira do Amor

Schopenhauer dizia que 'o talento atinge um alvo que ninguém atinge; o gênio atinge um alvo que ninguém vê'.

O Amor conduz o talento à genialidade, a compaixão a inteligência à sabedoria.

No Amor, a fé da alma que nos faz transcender,

Amor e o eterno devir

Vejo o Amor como sendo o motivo e o acontecimento do devir nietzschiano - 'torna-te quem tu és'.

Apenas o Amor consegue revelar a plenitude de nosso Ser, o supra-humano, e nos transformar naquilo que somos e de onde, literalmente viemos: de um ato de Amor.

Partimos do Eros, do ato erótico, e penso que nossa ascese seja peregrinar e o unir ao amor Ágape, desembocando e unindo assim ao outro lado, o outro, a Philia.

O rio é sempre outro, somos sempre outros; panta rhei (tudo flui), como diria mestre Heráclito de Éfeso, mas não trata-se disto, trata-se de cruzar o turbilhão do rio das emoções e dos impulsos das paixões - as tais forças schopenhauerianas - e chegar a outra margem. O barco é o Amor Ágape.

No Amor quae panta rhei,

Uma alegria para sempre

As coisas que não conseguem ser olvidadas
continuam acontecendo.

Sentimo-las como da primeira vez,
sentimo-las fora do tempo,
nesse mundo do sempre
onde as datas não datam.

Só no mundo do nunca existem lápides...
Que importa se - depois de tudo - tenha "ela" partido
ou que quer que te haja feito, em suma?

Tiveste uma parte da sua vida que foi só tua e, esta,
ela jamais a poderá passar de ti para ninguém.

Há bens inalienáveis, há certos momentos que,
ao contrário do que pensas,
fazem parte de tua vida presente
e não do teu passado.

E abrem-se no teu sorriso mesmo quando,
deslembrado deles,
estiveres sorrindo a outras coisas.

Ah, nem queiras saber o quanto deves à ingrata
criatura...

'A thing of beauty is a joy for ever'
-disse, há cento e muitos anos,
um poeta inglês que não conseguiu morrer.

Mario Quintana - Uma alegria para sempre

E não é isto o Amor? Uma alegria para sempre que me foi enviado pela irmã no dharma Tati, enquanto lhe mostrava fotos de meu querido Opa.

Na Alegria para Sempre,

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

No Amor não há espaço para desculpas

Desculpar-se por Ser - enquanto agir no espaço e no Tempo - não condiz com o Amor.

De um lado o que age não deve se preocupar em se desculpar e sim focar para levar todas as conjunturas - Todo-Eu-Outro - em consideração para agir na justa medida, com a mente-coração, trilhando o caminho do meio deste triângulo de poder TEO (Todo-Eu-Outro).

Do outro, a pessoa que recebe a ação ou apenas percebe/acompanha deve fazer isto com abertura amorosa, receptiva, ciente de que o outro, que age, o faz com a melhor das intenções: ninguém deliberadamente erra. Se o faz é devido à ignorância e aos véus que impedem de ver a si e ao Outro e ao Todo com clareza. Pede-se compaixão e amor nestes casos.

Vale seguir a máxima nietzschiana da 'Vontade de Poder': cada um tem que exercer a sua de maneira amorosa sem se sentir culpado - o que em si já é redundante, pois creio que a verdadeira 'vontade de poder', o verdadeiro poder é o do Amor.

É o que você pode, é o que você quer? É isto que, dentro do seu conhecimento de sua amplitude o seu Ser pode dar de coração? Então pronto.

Sem culpa, sem remorso, mas com verdade.

Culpa é um conceito muito católico, nem crístico é! Cristo profetizava o perdão e o Amor divino, não a culpa. Isto é um conceito histórico, posterior, e nada se liga ao Amor emanado e propagado por Jesus.

Amém ao Amor,

Amor é ciclo de valorização

Tem certas coisas que não iremos esquecer nunca.

O que precisamos é liberar a culpa, a dor e guardar o aprendizado sem rancor, aplicando o conhecimento para gerar um novo ciclo de valor.

No infinito ciclo do Amor infinito,

Nunca é demais amar

Nunca se tem amor em excesso, amar nunca é demais.

Pode ser mal canalizado, mas nunca é em excesso.

Deve ser cultivado ad eternum para transformar o ser amante em eternidade temporal e universalidade espacial.

Na iluminação do Amor,

Amor - junção de linguagens

O Amor é o elemento que soma dois monólogos abertos e convergentes em um diálogo construtivo, conferindo-lhes a abertura, a convergência e o 'drive' construtivo.

No diálogo do Amor,

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Meu Amor

É vida, aurora, sorte sem demora, lágrima furtiva de um sorriso cândido e atemporal.

Palavras que se foram com o vento e com o tempo; com ele voltaram para comprovar como se cresce em ciclos e como eu vivi este aprendizado.

No Amor sobrevivente à dor do aprendizado,

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Amor interdependente

Amor só acontece quando se evolui?

Ou só o Amor evolui?

Amor é fim ou é meio?

É preciso evoluir para se poder amar verdadeiramente; por outro lado, só se evolui quando se ama verdadeiramente: o Amor enquanto fim, mas meio também.

E esse paradoxo amoroso a prática das quatro qualidades incomensuráveis ajuda a compreender e a realizar.

Pode-se até supor que a continuação e o desenvolvimento do amor parta do Eu de cada um. Mas e quando se defronta com o fato de que o Eu é ilusório e inexiste?

A única explicação plausível é a interdependência, que, no Amor, faz do meio fim e do fim um meio de sempre recomeçar melhor.

Como quando se começa um relacionamento apaixonado, amando com amor e com o Tempo e a troca interdependente, verdadeira, aberta e franca, o Ser evolui, amadurece e se forja, evoluindo para um Amor maior através do respeito e equilíbrio interdependente entre o Todo/Relação-Eu-Outro.

Esse é o aprendizado prático do Amor. E aprendemos através do Amor ou da Dor. A sabedoria nos faz alcançar o aprendizado sem dor através do Amor.

E com Amor, a compreensão e o aprendizado de perdas e da dor é potencializado e o sofrimento diminuido, em um processo que lembra a forja das melhores espadas, expostas à extremos e à pressão, inerentes a um processo único para moldar sua natureza indestrutível.

Sempre se está nesta busca de se tornar indestrutível, eterno, de se tornar o Amor, aprendendo a cada momento amorosamente, buscando o caminho do Amor, mas a aceitar amorosamente a trilha da dor quando resvalamos do caminho principal, voltando assim mais rapidamente ao mesmo do que se nos rebelarmos contra a via da dor.

O Amar é um eterno devir, um processo contínuo, cíclico de se estar sempre por chegar, sempre evoluindo amorosamente. Assim é um relacionamento, um encontro em evolução constante. E ainda há uma boa parcela que busca se acomodar.

Há os que julgam que um relacionamento duradouro funciona com os seguintes ingredientes: compatibilidade biológica, psíquica e auto-conhecimento para a manutenção do amor.

Não discordo, pelo contrário, mas penso que isto seja a base, a estrutura, a física, que necessita do processo de abertura do topo, da superestrutura, da meta-física para sair do ciclo da estagnação e o transformar em espiral ascendente da evolução dos Seres envolvidos na relação - podendo ser até o processo de ascese da alma no desvelar do auto-conhecimento e aumento da auto-estima a partir da junção do eu ao Eu Superior.

E, Superior, apenas o Amor.

Inspirado em troca com a amiga Fé, resgatada da época de escola e que também está na busca por se tornar um diamante (vajra) - translucido, luminoso, valoroso, indestrutível; como o Amor.

Na Fé do Amor,

Amar é uma arte

E só há arte se houver verdade.

Só há Amor com verdade.

No Amor, pintado na tela da verdade, esculpido na essência do Ser e colorido com a felicidade que é viver,

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Amor incomensurável

Da perspectiva temporal, independente se linear e única como a ocidental ou cíclica e repetida como a oriental - ambos -, se assentam na perspectiva da eternidade: qualidade que o Amor faz presente a cada momento e que anula as distinções entre o Eu e o Outro, unindo em um Todo a partir da possibilidade do Nada-Vacuidade atingido pela meditação-contemplação.

Portanto, como diz Longchenpa: "distingüir entre amigo e inimigo não faz sentido".

Especialmente se você iniciou o caminho do bodisatva, contemplando e realizando as quatro incomensuráveis a partir da equanimidade para sedimentar o amor, reforçar a compaixão e encorajar o regozijo.

O Amor como meio e como fim, sem fronteiras, incomensurável.

No Amor,

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Celeste amor, divino protetor

Meu anjo da guarda, protetor divino,
que sempre me acompanha desde menino,
não me deixa ser ludibriado a escolher o caminho errado,
esteja a meu lado a cada momento e me livra de todo tormento.

Que suas asas sejam escudo e visão,
Luz que afasta as trevas da escuridão.

Na hora da morte,
não me deixe à própria sorte,
alça-me ao céu
e corta das ilusões o véu.

Como posso lhe agradecer por tudo o que fazes?
Posso me empenhar para as pessoas fazerem as pazes.
Posso me dedicar ao próximo como te dedicas a mim,
aprendiz de anjo, meu querido Serafim.

É muito amor, profunda gratidão,
que me tomam por inteiro em profunda oração.
Não quero e nem consigo parar de lhe louvar,
só me resta passar os dias a cantar e orar.

No encontro e ajuda ao outro descubro assim,
a plenitude de suas dádivas recaem sobre mim.
Essa é a chave, amorosa união,
que potencializa a mim e completa sua missão.

Que eu possa ser seu equivalente terrestre,
tão bom quanto és tu, meu guerreiro celeste.

Que meu corpo e seu santo espírito sejam unidos pela ascese de minha alma,
evolução do Ser, constante, amorosa, com toda calma.

Escrito na madrugada do dia 09.01.09 e publicado em homenagem à passagem, ocorrida ontem, de minha querida Tia Nair, cujos Empadões e jogos de cartas fazem parte de minha infância e cuja amizade-amorosa levarei por toda vida.

No Amor,

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Amor - o caminho do bodisatva

Buda perguntava-se se aquilo que ele estava aprendendo e/ou vivenciando de fato cessava o sofrimento.

Até hoje seus discípulos são incentivados a não confiarem nele e sim neste caminho.

E que caminho é este?

É único, pessoal e intransferível. Ao mesmo tempo em que é uno e o mesmo para todos. Esse paradoxo em si já é motivo para empreender um salutar questionamento em busca de si próprio – este Ser que é ao mesmo tempo tão igual e tão diferente a todos os demais Seres.

O caminho parece ser a via que nos leva à Vida, ao Outro, à nós e assim ao Todo.

Externamente, é nosso caminhar na Terra – e toda evolução que isto compreende, principalmente na educação do pensamento e das emoções –; internamente é o caminho da Kundalini até o despertar supremo, abrindo e potencializando todos os chácras; secretamente é a evolução de nossa Mens (termo latim que designa tanto alma, quanto mente e contempla assim tanto a visão ocidental espírita-cristã, quanto a oriental budista, separadas apenas por conceitos).

Por mais que se caminhe por uma alameda em conjunto, cada um dos andantes terá sua própria alameda, reconhecendo nela a projeção de sua Mens e criando a interdependência a qual chamará de realidade: para um a alameda estará florida, para outro próximo a este cheirosa, outro a verá ensolarada, outro sombria, aquele comentará da terra mal batida e com pedras no caminho, este das estrelas a guiar; desperto é aquele que vislumbra todas as estas realidades sem descartar nenhuma e mesmo sabendo que cada faceta é um véu de ilusão percorre corajosamente o caminho para ao final se unir novamente à vacuidade tendo perpassado os véus sem se apegar a nenhum deles, sem ficar preso.

Aquele que viu apenas uma parte, perdeu a beleza do Todo, mas até aquele que se prendeu ao Todo sofrerá – talvez até mais que aquele que se fixou numa parte – quando a alameda terminar. A menos que reconheça que aquilo que encontrar à sua frente, após a alameda também faz parte do Todo e assim também é alameda: transcende-se assim a noção conceitual e dicotômica de nirvana e samsara, Deus e ausência divina.

É este impulso em busca da completude inerente ao nosso Ser que se chama Amor e que pulsa em nosso interior, pronto para eclodir e se manifestar em cada uma destas facetas, emanando-se no contemplar da equanimidade das flores e de seus cheiros, no amor ao brilho das estrelas e à escuridão que as cerca, na compaixão pelas pedras e suas naturais topadas, no regozijo do aconchego quente do sol e frio da sombra: Amor é o entendimento da forma e da não-forma (como uno).

Quer seja sua meta a vacuidade ou Deus – conceitos da plenitude de nosso Ser –, Amar plenamente é reconhecer que seu objetivo se encontra pronto dentro de seu Ser e em Todos os demais Seres e objetos, é a perfeita natureza das coisas à qual é necessário apenas nos ligarmos e criar a interdependência amorosa que nos tornará unos: Eu-Outro-Todo, pois o Todo é Eu-Outro.

E, para acabar com o sofrimento, basta então vivenciar a plenitude. Para trilhar este caminho vale de início se perguntar se aquilo que fazes lhe traz sofrimento ou felicidade genuína e, portanto, eterna.

Se aproveitares ao máximo, dando e recebendo sem barreiras em uma proveitosa e crescente troca evolutiva, gerando assim uma interdependência positiva, com o entendimento de que tudo é impermanente e ao mesmo tempo cíclico, transmutável e eterno, viverás a plenitude de seu Ser, o Reino de Deus na Terra, o Nirvana terrestre, tornando-se o Homo Amabilis, o Super-Homem nietzschiano que com amorosa coragem sai da caverna plantoniana para conhecer a idéia do Amor e retorna para concretizá-lo em ato e equivaler caverna e mundo exterior em uma só Luz.

Inspirado pelos pensamentos samsáricos a cerca do Botafogo e seu time e provável campanha em 2009: ir ou não ao estádio? Sofrer? Mas por que, se o resultado é o que menos importa e sim apoiar o clube que se ama. Isto é amor incondicional e quando se sente e pratica, samsara e nirvana se fundem e você passa a fazer da vida cotidiana a prática espiritual, cultivando as virtudes necessárias para de fato Amar. E assim transcender à gloriosa eternidade.

Glorioso e Amoroso 2009 para ti.

No Amor,

Amor - grinalda preciosa

Amar é assumir a própria existência - com todas as mazelas que nela houver - sendo fonte de inesgotável saber e felicidade não apenas para si como para outros.

É esse em suma, o caminho do bodisatva, que movido pela compaixão, faz votos de dedicar sua existência à felicidade e iluminação de todos os seres.

Inspirado e adaptado do livro A Grinalda Preciosa, de 'Buda Nagarjuna' - como diria meu estimado professor e lama Chimed a quem eu aproveito para prestar minhas sinceras homenagens.

No Amor,

Amor - a real dimensão do Ser

Moldados pelos vértices do Tempo, Espaço e do Conhecimento/Relação, nosso Ser se forja na relação Todo-Eu-Outro, o que constitui e nos confere a nossa real dimensão: a dimensão do Amor, esta teia invisível que nos sustenta.

Quanto mais compreendemos o Amor, mais nos expandimos em direção ao Outro e ao Todo, mais nos tornamos unos com a teia e nos tornamos o Amor em si, alcançando o que uns chamam a plena realização, outros a iluminação, tornando-se 'hubs' no emaranhado de fios que se entrelaçam e formam ao mesmo tempo a sustentação e os véus da vida. Quanto mais se ama, mais se emana pulsos de Amor e se influencia positivamente a rede.

Amor é a semente de Luz que se cultiva, se expande e transcende os limites iniciais, indo ao Outro e além, fundindo-se ao Todo.

No Amor,

Amor é evolução rumo à plenitude

Amor é o elemento que torna o humano Ser em si e o evolui em sua plenitude, transcendendo Tempo e Espaço através do infinito conhecimento que é o Amor do Homo Amabilis, nosso próximo estágio de evolução, o Übermensch.

No Amor,

Amor é natural

Amar é seguir a Natureza pela firmeza da alma e contenção dos desejos, comprovando as palavras com ações.

No Amor,

Amor é moral

Amor é moral aplicada em pleno equilíbrio entre o Todo-Eu-Outro.

No Amor,

Amor - um detalhe

Singelo, lindo, cheio de significado, como todo detalhe. Só é notado com calma e cresce cada vez mais com o Tempo, se tiver Espaço para desabrochar.

Inspirado na sempre proveitosa troca com minha prima Carol, que me respondeu com 'todo detalhe'.

No Amor,

Amor - o terroir da beleza eterna

Se viver é uma arte, Amar é a obra-prima como um todo, o terroir da beleza eterna.

No Amor,

Amor - escapando ao hábito

Agimos emulando emoções. Amor é quando escapamos desse hábito.

No Amor,

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Amor em minha vida

Em minha vida (In my life - The Beatles feat. Sean Connery)

Há lugares dos quais vou me lembrar

por toda a minha vida, embora alguns tenham mudado

Alguns para sempre, e não para melhor

Alguns se foram e outros permanecem

Todos esses lugares tiveram seus momentos

Com amores e amigos, dos quais ainda posso me lembrar

Alguns estão mortos e outros estão vivendo

Em minha vida, já amei todos eles

Mas de todos esses amigos e amores

Não há ninguém que se compare a você

E essas memórias perdem o sentido

Quando eu penso em amor como uma coisa nova

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto

por pessoas e coisas que vieram antes,

Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas

Em minha vida, eu amo mais a você

Embora eu saiba que eu nunca vou perder o afeto

por pessoas e coisas que vieram antes,

Eu sei que com freqüência eu vou parar e pensar nelas

Em minha vida, eu amo mais a você

Em minha vida...

Eu amo mais a você

No Amor,

sábado, 3 de janeiro de 2009

Amar é cultivar o Todo

Com Amor, nossa força cresce de nossa fraqueza.

E Amor é tanto o olhar atento e o cultivo, quanto a ação resultante do conjunto.

No Amor,

Amar é Viver seu Tempo na plenitude de suas possibilidades

Amor, como o Tempo e a Vida, é tão breve ou eterno quanto se aspira, pratica e realiza.

No Amor,

Amor expandindo a brevidade da vida

O amor é uma viagem, pois tem começo, meio e fim, como toda vida, uma jornada terrestre entre o nascer e o morrer.

Mas o Amor é também um passeio: contemplar e reconhecer a eternidade de cada momento, fazendo a vida ser vivida e escrita em V maiúsculo, transcendendo nascimento e morte e alcançando a compreensão do verdadeiro ciclo; tal qual a água que evapora dos rios, lagos e oceanos para depois precipitar-se como chuva, ser drenada e reiniciar todo o ciclo novamente; tal qual a larva está para a borboleta.

Amor com A maiúsculo, Vida com V maiúsculo.

E é neste espírito de início do ano gregoriano de 2009 e final do ano tibetano de 2135 que o pensamento do filósofo Sêneca - nascido na Espanha romana do século I, tutor de Nero e que tanto li quando meu Opa ainda se encontrava na CTI - eclode pedindo passagem, como um contrapeso crítico à euforia desmedida que deságua em carnaval de maneira não-crítica.

Afinal, vale sempre lembrar "Sobre a brevidade da vida" - não obstante obra de Sêneca - até para darmos valor e eternizarmos cada momento.

Portanto, inspirado na leitura da obra supra-citada, parafrasiei algumas máximas aplicando-as ao tema do blog: Amor.

Espero que lhe inspire para aproveitar cada momento de 2009 como se fosse o último dentro do paradoxo da eternidade inerente a cada momento, afinal, isto é o Amor: gostar tanto que se deixa livre, pois se é um só. Aproveitem.

  • O amor ensina a agir, não a falar.

  • Amor é quando as palavras estão de acordo com a vida.

  • Não há amor sem virtude, nem virtude sem amor.

  • O Amor ordena a vida, regula a ação, mostra o que deve ser feito e o que deve ser evitado, está no leme e dirige o curso hesitante dos erram a esmo por não se entregarem a Ele, o Amor.

  • Amor, recurso libertador, forma a alma e serve de guia para a ação.

  • Amor ars vitae - amor arte da vida - artífice da vida.

  • Amor, mais que o conhecimento das coisas, é a aplicação à virtude e a prática do bem.

  • Amor é vida e vida é o espaço do bem e do mal. O fim da atividade amorosa - e, portanto, do ato de viver - é uma vida sábia - e vice-versa -, e é próprio do sábio realizar uma vida no bem.

  • Amor é instruir-se na filosofia por ações e enfrentar situações reais: é ver de que força de espírito é capaz um homem iniciado nele diante da morte, da dor, da aproximação de uma, da pressão da outra.

  • Amar é a busca pela virtude, a plena realização que independe das circunstâncias.

No Amor,

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Testamento amoroso

Quando eu morrer, só quero sorrisos.

As lágrimas, se escaparem, liberem-nas no jardim para que possam estimular as flores, beleza máxima da vida com sua forma e não-forma (cheiro). Como amo as flores.

Quando eu morrer, só quero poesia.

As lamentações não são justas com a dádiva da vida, essa oportunidade máxima de prática cotidiana e evolução espiritual de nossa mente-coração. Como amo a vida.

Quando eu morrer, só quero 'até logo'.

O 'adeus' torna o tempo ao reencontro demasiadamente longo e não há tempo e espaço entre os portões da vida - nascimento e morte - que tornam difícil a tarefa do Amor de reunir os que são afim. Como amo vocês.

Quando eu morrer, leve meu Amor à todos, sem exceção. Nada mais tenho senão o melhor de mim para d(o)ar. Como Amo.

Escrito no natal de 2008 sob inspiração da passagem de meu Opa, reflexões sobre minha própria morte e sensação de ressurreição. Que todos possam se beneficiar.

No Amor,

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Três Coroas para um só coração

Do dia 05 ao dia 10 de dezembro de 2008 passei ensolarados e maravilhosos dias no templo budista Khadro Ling, em Três Coroas/RS para participar da consagração do templo de Guru Padmasambhava - mestre indiano budista que levou o budismo ao Tibete no século VIII.

As bênçãos eram inúmeras e claras: afinal, parou de chover um dia antes e voltou a chover um dia depois das cerimônias. No ápice do ritual de consagração até as bandeiras pararam de tremular: no topo da montanha onde sempre venta, imaginem, o vento havia parado para se curvar em homenagem. O Sol, astro-rei, literalmente coroava o céu acima e nós abaixo.

É o poder de muita meditação e mantras, com grande enfoque no Buda da Compaixão, Cherenzig, sempre acompanhados pela canção de belos pássaros.

Eis que em um belo entardecer, entre os inúmeros que presenciamos, minha lente capturou esta amorosa emanação do Sol que nos aquece, nutre de vida e envolve de Amor.


Essa é a moral da história: quando entramos em contato com nosso Eu interior e em sintonia com a natureza ao nosso redor, o Amor é o elo de ligação e destino final dessa jornada que é a vida, que em si nada mais é que o exercício de Amar e assim a alma cultivar.

OM Amor,

sábado, 20 de dezembro de 2008

A real fábula kafkaniana da barata e do amor, a aplicação prática das quatro incomensuráveis budistas

Quando completei 31 anos, no dia 26 de novembro de 2008, fiz votos de não matar, tampouco me nutrir de nenhum ser vivo com sistema cognitivo desenvolvido: passaria o dia mais vegetariano do que nunca, reforçando a escolha que fiz há quase 3 anos e que tenho ainda maculado com esporádicas aberturas para a ingestão de peixes e frutos-do-mar - fugindo-me à culpa pela frágil retórica de que são frutos e de que tanto biológica quanto zodiacalmente falando Peixes não sentem dor e são doadores, além da fecundação ser realizada de maneira externa e não se criarem cuidados parentais.


Então solicitei que minha mãe fizesse o macarrão ao funghi ao invés do macarrão ao camarão, bem como evitei os encontros no japonês e na temakeria.


Quando à noite tomava meu banho fui confrontado com uma situação kafkaniana: uma barata me observava audaciosamente perto de meus utensílios de higiene, tais como escova-de-dente, barbeador e demais apetrechos masculinos.


A primeira reação, por mais que tenha sido apenas um lampejo, foi a óbvia e habitual reação egóica de revolta por um bicho ligado comumente à sujeira estar perto de minha higiene pessoal.

Sentença: a m... não, peraí! Não poderia lhe desejar a morte. Não poderia esmagá-la assim, sem mais, nem menos. Havia feito votos de não matar seres em meu aniversário - ao menos não deliberadamente, pois andando na rua vitimizamos insetos suficientes para ainda o fazermos de maneira assim, cruelmente premeditada.


Contemplei. A barata. Meu voto. A situação.


Constatei que não havia diferença entre a barata e o camarão - inclusive são iguarias igualmente apreciadas em certos recantos do mundo.

Constatei ainda que o revisteiro abaixo da pia estava com jornais velhos, bagunçado e servia de refúgio para seres como aquela barata que tanto me fazia confrontar com velhos hábitos: não optamos todos pela saída mais cômoda, por permanecermos em nossa zona de conforto?


Tentei tirá-la, mas na primeira tentativa ela caprichosamente correu para debaixo e para dentro do tal revisteiro, que na verdade havia percebido somente naquele momento de sua fuga.

O pensamento de 'f.d.p., olha a trabalheira que está me dando' rápida, gentil e compassivamente cedeu vez para um agradecimento genuíno pela possibilidade e incentivo para organizar e limpar o revisteiro; basta mudarmos nossos paradigmas e tentar enxergar por uma ótica amorosa, de eterno aprendizado e benefício contínuo.


Dito e feito. Foi tirar o último exemplar que ela apareceu e ficou imóvel. Levei o revisteiro até a janela. Bati forte e ela caiu para fora. Mas não é que a danada voltou e parou me encarando?


Retribui o olhar, dizendo a ela que ela estava indo para o lado errado, que desse meia volta e fosse para fora. Prontamente ela se virou e seguiu seu caminho para o mundo, como se tendo apenas voltado para agradecer.


Ao retirar o revisteiro, devo ter batido no cifão da pia, pois pela manhã havia uma mancha na bolsa de minha máquina de raspar cabelo. O formato, imaginem: um perfeito coração.





Incrível do que a força do amor e da compaixão são capazes, não?

Depois disso fui visitado mais uma vez por uma barata que foi facilmente conduzida para fora sem retornar.

Adendo: minha relação com os mosquitos segue o mesmo caminho. Não os mato mais há um bom tempo, mas combato sim os possíveis focos de surgimento. Ah sim, não costumo ter uma mordida de mosquito!

Moral da história

Através do amor podemos não apenas entender o outro, o diferente, como também respeitá-lo e respeitar nossa natureza, fazendo com que nossas ações sejam construtivas de fato e em todos os sentidos.

Atuando com amor, preservamos os espaços e melhoramos não apenas a vida alheia, mas principalmente a nossa vida. Passamos a condenar menos os outros e também menos a nós mesmos, nos ofertando a possibilidade e o espaço para transcendermos e, ao passar pela zona de conforto de maneira amorosa, organizar e limpar recantos de nosso ser que acumulavam poeira e ficavam à sombra de nosso brilho, por muito tirando-nos nossa leveza e alegria de viver.

Às vezes, algo aparentemente negativo pode ser trabalhado como suporte positivo, basta termos calma para não sermos reativos/raivosos a partir de nosso ego e sim agirmos amorosamente com a plenitude de nosso ser.

O importante é sempre questionarmos se não poderiamos fazer, mesmo e principalmente as coisas mais simples e banais, de maneira diferente. No mínimo, faz-se necessário pensar diferente e questionar nossa maneira de ver e lidar com o mundo - os atos serão conseqüência dessa reflexão.

A receita budista para cultivar o amor é se trabalhar a equanimidade, conquistada por sua vez pela renúncia ao dualismo e a diferenciação; pela intenção de praticar o bem e que todos sejam afortunados - bodhicitta; pela realização da vacuidade, de que todos os fenônemos são vazios de existência e sim determinados por sua posição no tempo, espaço e relação interdependente; e, por fim, da aceitação da inexistência de um Eu, que igualmente é dependente do tempo, espaço e de suas relações.

Assim se cultiva o amor, que leva à compaixão e, por fim, ao regozijo.

Quando se sente a felicidade verdadeira de ver um ser livre, mesmo que momentaneamente como no caso da barata, de vê-lo feliz e sentir-se feliz pelo outro, isto é o ápice de nossa existência e potencializa essa coordenada no tempo, espaço e relação/conhecimento que chamamos de Eu - uma parte ínfama da grande rede que é a vida.

Depois de experimentar o prazer que é sentir prazer pelo prazer do outro, passa-se a querer trabalhar incessantemente para que esta felicidade seja genuína e imutável, ou seja, que esse ser também se liberte - porque nesse momento, você já estará liberto, já terá despertado.

É o Amor que desperta, eterniza e faz esse pontinho brilhar.

Aproveito para agradecer ao monge Gabriel pelos preciosos ensinamentos sobre as quatro qualidades incomensuráveis.

No Amor,

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Amor, vida, diferença

A vida é o Tempo que se tem para se fazer a diferença. E o Amor o catalisador deste processo.

No Amor,

Amor, vida, movimento

Vida é movimento, movimento da alternância, nascimento e morte, pensamento e (emo)ação, sol e lua.

Amar é compreender a alternância e o movimento como um Todo, que por mais que se ame o dia e o sol, não tem como não se amar a noite e a lua, pois um define, dá forma e completa o outro - como o amor o faz com dois indivíduos, seres distintos que se unem por amor e assim se completam, quer seja sexualmente, corporativamente, intelectualmente: é a união de não-iguais, pois nada é igual.

E a capacidade de cooperação é este amor que viabiliza unir dia e noite, homem e mulher e tantos outros elementos distintos, mas amorosamente convergentes: com sabedoria, tudo converge ao equilíbrio (através do amor, sabedoria-mor).

Amar é viver plenamente tanto o dia quanto a noite, o nascimento quanto a morte, é viver a plenitude da possibilidade de cada momento - máximo dentro de cada limitação -, é viver na plenitude da graça divina o seu destino com toda sua vontade, pois amar é pleno.

Amar é estar aberto ao segundo seguinte, ao próximo ciclo, ao novo, ao outro, ao momento de renovação - sem se cansar do momento presente, vivendo-o plenamente.

No Amor, a plenitude do Ser, pois quem ama não sente medo, não sente inveja, não sente nada além de boas vibrações e um sentimento de pertencimento a algo maior, pois o religare (reunião) foi (re)estabelecido com o Todo,

Amor - não isolamento

Amor é o religare que tira o Eu do isolamento e o une ao Todo em uma abertura sem preconceitos que une tudo e todos, respeitando as diferenças a partir da igualdade de existência e respeito à vida.

No Amor,

Amor - enzima catalisadora do Ser

Amor é a enzima catalisadora, o (quinto) elemento que nos falta para que a raça humana se torne a super-raça, o super-organismo individual-coletivo - tal qual uma colméia -, o Übermensch (super-homem nietzschiano) que transcenderá o 'eu quero' egóico inicialmente para o 'você tem que' submisso a dogmas até encontrar sua liberação no 'Eu quero' do Ser/Eu superior e pleno em um amoroso processo de metamorfose da superação e divinificação de nosso lado animalesco, tal qual Nietzsche nos via no estágio da evolução, apenas uma etapa entre o animal e o super-homem, belissimamente retratado no clássico 'Assim falou Zaratustra'.

Amor, enzima que criptonita alguma pode enfraquecer, que força alguma pode deter.

No Amor,

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Amor - continuum da mente-coração

"Se nós acreditamos que a mente é contínua, o nosso amor pelos outros torna-se contínuo.

Se nós reconhecemos esta continuidade, não confiamos em circunstâncias temporárias, tangíveis, ou não as levamos tão a sério.

Se nós acreditamos na continuidade da mente, então o amor nos conecta imperceptivelmente àqueles que nós amamos com uma energia positiva contínua, de modo que mesmo separações tangíveis entre pessoas que se amam, não reduzem o poder intangível do amor.

Ao acreditar na continuidade da mente, nós reconhecemos a continuidade de todas as circunstâncias, incluindo nossas experiências de amor, que não são apenas por um momento ou por uma vida."

Trinley Norbu Rinpoche

Publicado no Amor, em homenagem ao falecimento de meu Opa - avô alemão de 95 anos que tanto me ensinou, na prática, o amor, o respeito e a união, o agradecer a tudo e em cada detalhe.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Amor - investigação e questionamento

Amor é a investigação do auto-centrismo, o questionamento de si para melhor alcançar o Outro e o Todo através (da melhora do) auto-conhecimento.

No Amor,

Amor - cura das emoções

Amor é a cura das emoções; é a necessária responsabilização individual-coletiva que se inicia na intuição e se edifica na razão e que nos passa a sensação que tudo dará certo e que conseguiremos; é o processo de amadurecimento de que tanto nossa sociedade, carente de verdadeiros adultos, necessita: homens e mulheres capazes - independentes, estáveis, fortes, compassivos - guiados pelo Amor.

No Amor,

O auge é o Amor

O meio entre o tédio e o sofrimento é o auge - onde o tédio é o extremo da saturação e o sofrimento o extremo da ausência e da falta.

O Amor é este gesto de equilíbrio que encontra o caminho entre os extremos da vivência humana.

No Amor,

Amar é viver

Amar é viver suavemente pelo mundo, pelo Outro e por si próprio.

No Amor,

Amar é navegar

O Amor é o leme da nau Felicidade que infla suas velas com fé, guiada pelas estrelas do mapa que revela um novo mundo a se viver na plenitude do Amor de seu Ser.

Amar é navegar seguro pelo oceano das emoções ao encontro do Outro, de Si e do mundo.

No Amor,

Amor - divina inocência

Encontro da inteligência e sabedoria do racional humano com a profunda espiritualidade que suscita a inocência divina.

No Amor,

Amor surreal

Amor - física humana, meta divina, passeio individual, encontro coletivo.

No Amor,

Amor - consciência edênica

Se todos encarassem o Outro e a Terra - o alter-individual e o supremo-coletivo - com a consciência edênica para se potencializar o campo fértil, atuando como jardineiros e não como proprietários do jardim - como se para cultivar e preservar o Jardim do Éden (Gênesis 2:15) - não seria esse um chamado divino, a materialização do Amor, o melhor dos desenvolvimento sustentáveis: cultivar e preservar o paraíso em si, no seu Ser, no Outro e no coletivo?

Amor, consciência edênica: cultivo, preservação, sem posse, sem obsessão, com liberdade de expressão e impulso de evolução.

No Amor,

Amor é consciência

O Amor não pode ser apreendido através de palavras, pensamentos ou até sentimentos.

Amor é consciência - que se busca explicar, compreender e apreender no cruzamento entre a razão filosófica e a emoção poética, mas que é muito mais algo para se intuir e se fazer ato - e que emana mais facilmente da vacuidade meditativa.

No Amor,

A paradoxal existência do Amor perfeito

O Amor perfeito não existe na prática, é utópico, pois quando se torna ação - se faz carne e verbo - já se desgasta na aplicação; existe em nossa dimensão tão e somente na própria busca pela perfeição do Amor, que se renova no doar, manter e cultivar e assim se mantém próximo da essência amorosa que é a união das 3 esferas amorosas - eu, outro e coletivo; Eros, Ágape e Philia.

E assim, na busca, se vive e realiza o Amor perfeito.

No Amor,

Intuição amorosa

A intuição amorosa não é pensamento, não é emoção, é a pura razão - voz da divina sabedoria - que emana do coração.

No Amor,

Amor, o quinto elemento

Vacuidade presente em cada átomo, espaço vital entre os elementos que possibilita um infinito de possibilidades e realidades de conexão.

No Amor,

Sobre a intensidade do Amor

Amor não tem muito ou pouco. Sua intensidade é determinada pelo grau de abertura que se tem para com Ele, o Amor.

No Amor,

domingo, 9 de novembro de 2008

AfilosofiaMOR em revista - Domingo, no JB

Na revista da moda, o Amor ganhou destaque!

Eis a nota sobre este blog que figura na página 40 da revista de Domingo do dia 09 de novembro de 2008, no JB.



Fica a ressalva de que Amor é muito mais que um coração - partido, remendado ou intacto - entre duas pessoas: é a identificação e potencialização do próprio coração - amor próprio - e a universalização do próprio coração - amor altruísta - em direção a toda a vida através do amor absoluto (divino): Eros, Ágape e Philia.

Por isto este ser um blog surgido da busca por mim mesmo, pois só é capaz de amar incondicionalmente o próximo e ir ao encontro do Todo aquele que se ama, sendo que isto não significa narcisismo ou mimo, mas sim um olhar e tratar compassivo e evolutivo sobre seu próprio ser.


Faltou incluir Sócrates... a lista é daqueles ‘amantes do saber’ (filósofos - aqueles que amam o saber) que não apenas idealizaram e conceituaram em palavras, mas que aplicaram na prática, conferindo assim maior valor às suas idéias, tornando-as ideais.
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Afinal, como afirmara Lao Tsé, outro que figura facilmente nesta lista: "Saber e não fazer ainda não é saber".

Como diria Sêneca: “a filosofia é a ‘arte de viver’; é a aplicação na prática”. Este seleto grupo fez de sua vida tal obra, da arte um viver. E qual melhor arte de viver que Amar: buscar,
conquistar, superar; tudo através da união. Não é esta a melhor filosofia?
Se amar é conhecer por inteiro, positivo e negativo, esse conhecimento ganha uma qualidade superior quando usado sabiamente, buscando agregar valor, superar. Pensar, falar e agir com amor passa a ser a maior sabedoria então... Amor aqui como enzima catalisadora, positiva.

Vale ainda ressaltar que sou apenas um aprendiz me pós-graduando, não um mestre em filosofia: isto chega a ser heresia com Heráclito, Parmênedes, Sócrates, Platão, Aristóteles, Spinoza, Kant, Nietzsche, Kirkegaard, Sêneca, Plotino e tantos outros que ofertaram sua sabedoria em forma de palavras para que iniciássemos nossa caminhada de um ponto mais distante da escuridão total da ignorância inicial na qual somos paridos – uma vez que, contudo, somos concebidos em Luz. E o Amor é esta superação na alternância constante do movimento da vida: dia-noite, frio-quente, claro-escuro, etc.
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Pena que a maioria da humanidade não tem acesso à filosofia e que boa parte que dos que tem não dá o devido valor. Amor tem sido um item raro, por mais que abundante no interior de cada um, continua velado.

Se somos a raça que domina o mundo, eleita pela razão, sendo esta seu diferencial em relação aos demais seres, porque não potencializar isto?

Por fim, fica o reforço do ponto-de-vista deste blog: do Amor ser a expressão máxima de sabedoria e do amor ao conhecimento – A filosofia MOR.

Fica o agradecimento à jornalista Anna Braile que tratou do tema com carinho e amor, conferindo à nota, além do belo destaque, um título que ficou leve e brincalhão; afinal, por mais séria que seja a pesquisa aqui publicada e meu compromisso nessa busca, o Amor é essa mescla entre o fascínio do compromisso e a beleza do sorriso.
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Obrigado por colocar o Amor em destaque: o mundo, sem saber, agradece.
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Aproveito o ensejo e agradeço também aos meus mestres - da pós no Mosteiro de São Bento no Rio e de toda a vida - que me conduziram cada qual a sua maneira e em sua disciplina - sempre com amor - ao conhecimento e me possibilitaram realizar esta jornada que ainda está longe de acabar: findará com minha morte.
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E olhe lá: o contrário (de morte) é nascimento e é nesta fé que digo que a vida - esses ciclos sem fim - transcende e que o Amor é o 'passaporte'.
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Eu estou procurando o meu aqui dentro para poder usá-lo melhor lá fora. E você? Já conferiu se o seu 'passaporte' está em dia?
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No Amor,